TCC - A PINACOTECA UNIVERSITÁRIA E A DIVERSIDADE CONTEMPORÂNEA: EXPANSÃO E CONSOLIDAÇÃO

Autoria: MARIA CHRISTINA DE FREITAS CAVALCANTI RABELO

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FACULDADES INTEGRADAS JACAREPAGUÁ
PÓS-GRADUAÇÃO À DISTÂNCIA - ESPECIALIZAÇÃO LATO SENSU
PÓLO MACEIÓ

MARIA CHRISTINA DE FREITAS CAVALCANTI RABELO

A PINACOTECA UNIVERSITÁRIA E A DIVERSIDADE CONTEMPORÂNEA:
EXPANSÃO E CONSOLIDAÇÃO

MACEIÓ
2013

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FACULDADES INTEGRADAS JACAREPAGUÁ
PÓS-GRADUAÇÃO À DISTÂNCIA - ESPECIALIZAÇÃO LATO SENSU
PÓLO MACEIÓ

MARIA CHRISTINA DE FREITAS CAVALCANTI RABELO

A PINACOTECA UNIVERSITÁRIA E A DIVERSIDADE CONTEMPORÂNEA:
EXPANSÃO E CONSOLIDAÇÃO

Trabalho apresentado ao Curso de especialização
em artes, Faculdades Integradas Jacarepaguá, sob
orientação da Prof.ª Maria Cecília Alves Galvão.

MACEIÓ
2013

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A função da obra de arte
Não é passar por portas abertas,
Mas abrir portas fechadas.
Manifesto do Vivarte, Maria Amélia Vieira. 1984-85

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AGRADECIMENTOS

À Geísa Brayner, diretora da Pinacoteca
Universitária,

e

a

Tatiana

Almeida,

Museóloga, pelo apoio, paciência e incentivo.

5

Ao meu filho,
motivação sempre presente.

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RESUMO

A monografia trata da trajetória da Pinacoteca Universitária da Universidade Federal de
Alagoas, criada em 1981, tendo completado seus trinta anos de existência em pleno
funcionamento e enfoque contemporâneo. O trabalho foi dividido em duas fases: 1981 a 1995
e 1996 a 2010, buscando oportunizar a leitura de sua história, deslocamentos, mudanças de
percurso, expansão e consolidação, a fim de encadear acontecimentos que venham a ser úteis
àqueles interessados na área Não houve a pretensão de analisar artisticamente as exposições
ocorridas nesses períodos, tarefa que cabe aos curadores e especialistas em arte. As mostras
foram citadas de forma descritiva, acompanhando a cronologia dos fatos apresentados. A
conclusão da proposta pode ser traduzida por seu título, que afirma a expansão e consolidação
da Pinacoteca Universitária ao completar seus trinta anos de história bem vividos.
Palavras-Chave: Pinacoteca Universitária. Arte Contemporânea. Expansão. Consolidação.

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SUMÁRIO

1 – INTRODUÇÃO

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2 – JUSTIFICATIVA

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3 – OBJETIVOS
3.1 – GERAL
3.2 – ESPECÍFICOS

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4 – METODOLOGIA

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5 – PRIMEIRA FASE – 1980 A 1995

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6 – SEGUNDA FASE – 1996 A 2010

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7 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

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REFERÊNCIAS

41

ANEXOS

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1 – Introdução

Tendo em vista a escolha do tema desta monografia tratar da arte contemporânea
como direcionamento da Pinacoteca Universitária da Universidade Federal de Alagoas –
UFAL, desde sua reabertura em 1999, importante se faz tentar defini-la para que possamos
tratá-la não somente como a que se faz atualmente, mas a que evoluiu em suas manifestações,
apresentando suportes diversos, inclusive aliando-se à tecnologia e gestando novos conceitos
como o artista multimídia, aquele que dialoga com diversos meios em seu trabalho.
Os estudos disponíveis sobre o tema fixam a década de 1960 como seu início,
juntamente com o aparecimento da arte pop e do minimalismo, numa ruptura com as
características da arte moderna, o que foi interpretado como pós-modernismo. A partir de
então, não se pode mais entender a arte apenas nas categorias escultura e pintura, por
exemplo, já que as obras articulam diferentes linguagens como a música, a fotografia, a
dança, dentre outras. Porém, podemos identificar no curso da história que artistas de fases
anteriores tentaram redefinir o significado de arte, ampliando a definição buscando incluir
conceitos, materiais e técnicas, antes não associadas a ela. Uma semente está em 1917,
quando o francês Marcel Duchamps expôs um urinol como objeto artístico.
Outro aspecto a ser observado é que a cena contemporânea se dirige mais
intensamente às coisas do mundo, à realidade urbana, à reflexão quanto aos percalços da
sociedade e seu modus vivendi. O belo, em seu sentido literal, não necessariamente está
presente nas obras, sendo permutado pelos questionamentos humanos atuais, nem sempre
construídos em suportes tradicionais como a tela. A utilização da tecnologia, através de
vídeos, TV e computação, perpassam muitas produções artísticas, num misto de arte e ciência,
cujo resultado pode levar à discussão onde uma começa e a outra acaba, ou se a simbiose é
apenas fruto da evolução da arte. Tudo vai depender da visão do espectador, de sua bagagem
no assunto, sua sensibilidade e abertura para o novo.
A interatividade entre a obra e quem a observa é outra característica inerente à
contemporaneidade. A contemplação, apenas, ficou restrita a outras épocas, ou àquelas obras
que não permitem esse relacionamento por serem intocáveis, ou por não terem essa proposta.
A interação arte/ espectador já suscitou diversas polêmicas até sobre quem é o artista,
considerando que há obras que podem ser até modificadas, alterando imagens e cores
escolhidas inicialmente, e não simplesmente tocadas.

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A arte é território livre, no sentido da aceitação e percepção de cada indivíduo, mas é
claro que exerceu e exerce um grande fascínio na humanidade, visto o grande público que
visita museus, no mundo todo, e no caso brasileiro, às Bienais Internacionais que se realizam
em São Paulo, desde 1951, estando na 30ª edição neste ano, onde as obras, muitas vezes,
surpreendem pelo inusitado. Em outro aspecto, a liberdade conquistada pela própria arte,
apesar das controvérsias, foi um ganho alcançado quando passou a servir a si própria, sem as
amarras políticas ou religiosas que a cercearam por muitos séculos. Porém, isto não quer dizer
que se tornou acéfala ou sem ideologia e, sim, que houve terreno profícuo para a atribuição de
outros significados inerentes a ela.
Todo esse cenário acrescentou mais elementos ao debate sobre a própria definição do
que é arte. Para os mais conservadores, o que é feito atualmente, com algumas exceções, não
se trata de objeto artístico, tanto por não ser a representação do real, noção relacionada ao
conceito, como por fugir às próprias convicções estéticas que a pessoa assimilou. Não é
incomum às galerias e museus, ao realizarem exposições de arte contemporânea,
principalmente em regiões menos favorecidas por circuitos artísticos e vida cultural
efervescente, questionamentos sobre a qualidade e valor das obras expostas.
A Pinacoteca Universitária, ao realizar suas Mostras, também convive com as dúvidas
e embates sobre estas formas diferenciadas de analisar e perceber o fazer artístico, buscando
exercer seu papel de forma educativa, até por estar inserida em uma instituição de ensino, e
consolidar seu perfil na comunidade artística, educacional e público em geral.

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2- Justificativa

A tarefa de divulgação e expansão da arte contemporânea como enfoque da Pinacoteca
Universitária, a partir de 1999, trouxe em seu contexto a preocupação pedagógica, em âmbito
contínuo, na medida em que julga ser necessária a oferta de espaços para a vivência artística,
fundamental no tocante às artes, no caso, as visuais. Cabem aos museus, galerias e afins
oferecer, com suas pautas abertas à visitação de exposições permanentes ou temporárias, esse
suporte imprescindível à formação de senso crítico e estético, desenvolvimento da
sensibilidade, além da iniciativa no sentido da formação de público.
A afirmação, praticamente consensual, que oportunizar locais públicos para o
exercício artístico é pertinente, leva a pergunta: estarão os indivíduos (crianças, jovens e
adultos) preparados para esse encontro, às vezes o primeiro e, tantas vezes, desestimulador
com o contemporâneo? Não é incomum, ao saírem de algumas exposições, muitas pessoas se
indagarem quanto ao que foi observado e, até mesmo, quanto ao seu conhecimento na área,
julgando-se de pouca cultura, não percebendo na produção atual questões que nos dizem
respeito. Um dos motivos para esse fato é a aparente falta de conexão com aquilo que
tradicionalmente foi ensinado como arte e também o despreparo para esse contato, que deve
ser desenvolvido nas escolas e instituições.
Há pessoas que, desde cedo pelo seu interesse natural pela arte, procuram se munir de
informações, acompanharem o que acontece em seu entorno e, quando possível, fora dele,
enfim trazem em sua bagagem instrumentos para se deparar com o não tradicional. Porém,
essa não é uma realidade para todos, principalmente em um país em que milhões não tem
acesso ao consumo básico para a sobrevivência, quanto mais para consumir cultura.
O que fazer diante dos fatos? Como negligenciar a arte como elemento formador do
ser humano? Às escolas cabe o papel de inserir, cada vez mais, em seus currículos
conhecimentos e práticas relativas ao tema, sua evolução, seus caminhos, para que não haja
um hiato que gera um abismo entre os movimentos artísticos, pois embora de características
diferentes, representam um percurso histórico. Exemplificando, o final do século XIX trouxe
algumas peculiaridades hoje identificadas na arte contemporânea, como a ênfase na
originalidade, a valorização da tecnologia moderna, a atração pelo primitivo e pela arte
popular.
Quanto às instituições culturais recai também um importante serviço quanto ao
procedimento a ser adotado para que sejam espaços educativos, democráticos e proativos em

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um processo de parcerias públicas e privadas. Suas atividades não devem ser prescritas,
meramente, a realizar exposições, no caso, conceitualmente contemporâneas: mesmo que
sejam de outra natureza devem planejar atividades pedagógicas a fim facilitar o entendimento
e a captação de espectadores.
A Pinacoteca Universitária, visando oferecer mais que mostras contemporâneas, vem
procurando intensificar os laços, principalmente com a comunidade estudantil, através das
escolas, em projetos como A Escola vai à Pinacoteca, Amigos da Pinacoteca e mais
recentemente, incluída no Circuito Cultural promovido pela Coordenação de Assuntos
Culturais da Pró-Reitoria de Extensão da UFAL. Essas ações tem gerado, em primeiro lugar,
o conhecimento da existência de um espaço dedicado à contemporaneidade, inclusive para
crianças e jovens que nunca antes haviam ingressado em museus e galerias. A democratização
desses locais é fundamental para a desmistificação de que só devem ser visitados por artistas
ou intelectuais que detém o saber artístico, portanto apartados da vida das pessoas que não
pertencem a esse círculo. Dessacralizar o objeto de arte, sendo intermediador quando se faz
necessário, pode se contrapor a idéia de que toda obra de arte fala por si, o que é uma moeda
com suas duas faces. Há ocasiões, principalmente no processo pedagógico, em que o artista, o
professor ou o monitor podem oferecer importantes informações para os espectadores tiraram
suas próprias conclusões e, claro, gostarem ou não do que está sendo exposto.
A monografia que se seguirá tem a pretensão de relatar a trajetória da Pinacoteca
Universitária desde o embrião em 1980, sua criação em 1981, se fixando no período iniciado
com a reabertura, no ano de 1999, até o ano 2010, pois é possível detectar nessa fase o
processo de expansão, consolidação e divulgação da arte contemporânea em Alagoas, como
opção preferencial pelos novos suportes trazidos em seu bojo, bem como a preocupação
pedagógica de aproximá-la de um público a ser conquistado, além de discutir
permanentemente, através de diversas atividades correlatas, o fazer artístico e outras formas
de expressão.

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3- Objetivos

3.1 - Geral
Relatar a trajetória da Pinacoteca Universitária da Universidade Federal de Alagoas,
com ênfase no seu enfoque contemporâneo, firmando-se como espaço de divulgação e
expansão da arte em Alagoas.
3.2 – Específicos

Descrever as fases da Pinacoteca Universitária, desde sua criação até o ano de 2010,
consolidada na cena artística alagoana.

Identificar as diversas atividades realizadas pela Pinacoteca Universitária que
contribuíram para a sua expansão, bem como para a divulgação do fazer artístico no
estado.

Registrar, por meio deste trabalho, a história da Pinacoteca Universitária, oportunizando
auxiliar possíveis consultas sobre sua trajetória.

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4 – Metodologia

Quanto à metodologia que será utilizada na monografia pretendida faz-se necessário
classificar a pesquisa, de acordo com os itens reconhecidos cientificamente, a fim de demarcar
a intenção do trabalho e seu alcance.
No tocante à natureza podemos afirmar tratar-se de uma Pesquisa Básica, pois embora
enfoque o trabalho de uma instituição local, no caso a Pinacoteca Universitária, visa verdades
e interesses universais, como a arte e suas funções cultural e educativa.
A abordagem aplicada será a da Pesquisa Qualitativa, visto que a Pinacoteca
Universitária é a fonte direta para obtenção dos dados que respaldarão os objetivos elencados.
A descrição das fases da instituição se constitui em outra característica deste método, onde se
pretende dividi-la em duas etapas para melhor compreensão do processo de expansão e
consolidação. Os fatos que conduziram ao atual patamar, sua interpretação e significado são
fundamentais para o entendimento do que se pretende aqui demonstrar.
Trata-se, também, quanto aos objetivos, de Pesquisa Explicativa, por procurar
identificar

os fatos que levaram à Pinacoteca Universitária, após 1999, a expandir sua

atuação, bem como seu espaço físico, reafirmando-se artisticamente.

As atividades

realizadas, que serão descritas, contribuíram sobremaneira para que sua consolidação seja
observada e referendada por àqueles que a frequentam e que por ela passaram. A observação,
respaldada nos acontecimentos, é instrumento eficiente para a obtenção das conclusões.
Os procedimentos técnicos para a pesquisa se reportarão à Pesquisa Bibliográfica,
embora não exista material em quantidade sobre o tema proposto. Mas, serão utilizados livros
que abordam a Pinacoteca Universitária em sua primeira fase, ou que fazem menção a ela em
algum capítulo, como em uma tese de doutorado sobre a arte alagoana. Também artigos de
periódicos serão úteis para a pesquisa, bem como relatórios de atividades realizadas e
elaborados pela direção da instituição. As entrevistas com ex-diretores e atual direção
oferecerão um panorama abrangente dos fatos e opiniões acerca do percurso transcorrido.

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5 – Primeira fase – 1980 a 1995

O início da década de 80, em Alagoas, é o cenário inicial onde se torna necessária uma
breve descrição das condições sócio-econômico-culturais vigentes à época, a fim de situar o
panorama e as condições artísticas de então.
A década em pauta conduz ao retrato de um estado dependente da agroindústria
canavieira, situação que ainda em parte persiste, buscando, porém, como estratégia para
alavancar seu desenvolvimento, lançar-se pelos caminhos da diversificação, com a exploração
industrial de matéria prima disponível na região, salgema, voltada maciçamente para o
mercado externo. A indústria que se denominava Salgema Indústrias Químicas S.A. atraiu
novas micro e pequenas empresas e era considerada uma das raras a investir em eventos
artísticos e culturais.
O turismo também representou outra alavanca desenvolvimentista, tendo esse período
apresentado um boom turístico, por meio de amplo trabalho de propaganda jornalística,
respaldado na beleza natural do estado, nas comidas típicas, no folclore, no artesanato e, como
não poderia deixar de ser, nas convidativas praias. A indústria sem chaminé representava uma
alternativa viável para a economia estadual.
Apesar de esses fatores terem contribuído para o aumento significativo na formação da
pequena classe média, também composta por funcionários públicos das diversas esferas, e na
fixação de profissionais autônomos e especializados, a discrepância social persistiu na
manutenção de bens concentrados, em baixos índices educacionais e sociais. Mas, embora a
situação socioeconômica tenha permanecido basicamente a mesma por toda a década, a área
cultural nesse período parece, por vezes, suplantar as dificuldades geradas pela realidade e
proporcionar fatos marcantes, principalmente relativos às artes plásticas. No entanto, é
possível detectar algumas características arraigadas, principalmente nos primeiros anos 80,
que de uma maneira ou de outra levaram a sociedade a rejeitar ou estranhar as novas
tendências que começavam a chegar tardiamente, como o abstracionismo. A experiência
estética, proveniente dessa corrente, tanto por parte do artista, como do observador,
fundamental para a comunicação não mediada por referenciais da realidade, pode ter
acarretado estranheza a uma cultura caracterizada fortemente pelo figurativismo, pela
representação do real e das coisas existentes. O uso costumeiro da arte ligando-a a temas,
várias vezes, impostos aos artistas por patrocinadores ou galeristas, também cerceou e limitou
o fazer artístico da época. Assim, o figurativismo permanece bastante inalterado nesse inicio,

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embora alguns pintores já demonstrem, aos poucos, a influência de novas tendências, porém
nem sempre resultado de um percurso construído, fruto de uma evolução artística pessoal.
Reportando-se à gênese da Pinacoteca Universitária a semente foi lançada em 1980,
quando o Núcleo de Artes Plásticas da Universidade Federal de Alagoas – Ufal, que
compunha o Núcleo de Cultura, iniciou suas atividades, realizando seminários e encontros,
porém sem espaço físico destinado às artes plásticas e a contemporaneidade. Porém, essa
lacuna foi sentida pelo Prof. Aloysio Galvão, responsável pela então Coordenadoria de
Extensão Cultural, hoje Pró-Reitoria de Extensão, e pelo Prof. Rogério Gomes, também
artista plástico e à frente do Núcleo de Artes Plásticas, que juntos encaminharam a questão ao
Reitor, Prof. João Azevedo, cuja gestão iniciou o despertar mais acentuado para o tema. A
sensibilidade e a visão dos três fizeram germinar a semente, passando a tarefa de buscar um
local aonde poderia frutificar, no desafio de encontrá-lo, adequando-o às necessidades
pertinentes à destinação. Importante, porém, ressaltar que mesmo antes da ideia de criação
desse espaço, obras de arte já se encontravam distribuídas em diversos locais da Universidade,
com finalidade decorativa, mas que deram início ao acervo da ainda gestada Pinacoteca.
A princípio pensou-se em ocupar um dos imóveis pertencentes à Ufal, na ocasião, mas
a idéia não teve prosseguimento em virtude de trâmites burocráticos. A solução encontrada foi
hospedar a Pinacoteca planejada no subsolo do Museu Théo Brandão, de acervo voltado para
o folclore e a cultura popular, também pertencente à Universidade, fundado pelo professor,
médico e folclorista de mesmo nome, que doou sua coleção à instituição. O prédio de estilo
eclético, ocupado pelo museu até os dias atuais, data do século XIX e foi construído
originalmente para abrigar tradicional família alagoana, tendo passado por outras destinações.

Fig. 1 - Cartaz de inauguração da Pinacoteca
Universitária no Museu Théo Brandão.
Fonte: Acervo Pinacoteca Universitária

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A ênfase dada à arte contemporânea, desde o nascimento da Pinacoteca Universitária
em agosto de 1981, tendo como seu diretor-fundador o Prof. Rogério Gomes, e o apoio
institucional recebido, inclusive pela então diretora do museu, Carmen Lúcia Dantas, não a
isentaram das dificuldades da opção, principalmente no tocante ao período e região de sua
localização, onde o processo cultural de assimilação do novo era (ou ainda é?) mais lento.
Mas, fazia-se necessário dar passagem ao processo histórico que a arte também percorre e não
retroceder.
A exposição de inauguração em 24 de setembro de 1981, segundo livro de presença da
época, embora exista convite e cartaz com data divergente, recebeu o título Artistas de
Alagoas, tendo sido um evento simples. As obras, que percorriam os suportes da pintura,
desenho e escultura, foram escolhidas pelo diretor e emprestadas por nomes locais como
Fernando Lopes, Pierre Chalita, Hércules Mendes, dentre outros. A receptividade, até por
parte dos artistas, foi considerada morna, em virtude dos motivos já expostos, como o
conservadorismo do fazer artístico e consequente incipiência do contemporâneo. Cabe
registrar que a figura do curador ainda era inexistente em Alagoas, no sentido formal, e,
portanto, essa tarefa cabia aos diretores das instituições e aos próprios artistas.
As homenagens ao IV centenário de morte de Camões propiciaram a segunda
exposição pós-abertura, em 15.11.1981, Celebrações Camonianas, sob a temática
interpretativa do poema Sete Anos de Pastor, realizada por sete artistas, alguns participantes
da primeira mostra, como Pierre Chalita, Hércules Mendes, além de Rogério Gomes. Roberto
Lopes, Gaspar Luiz, Rosival Lemos e Getúlio Mota. Segundo Célia Campos (2000), dois
artistas destacaram-se por diferentes razões: o persistente aspecto social da obra de Hércules
Mendes, em sua evolução artística, com o uso de materiais diferenciados; e o caminho
paulatinamente trilhado por Rogério Gomes para ser um dos primeiros pintores
abstracionistas alagoanos.

Fig. 2 - Sete anos de pastor – Rogério Gomes
Fonte: Acervo Pinacoteca Universitária

Fig. 3 - Sete anos de pastor – Hércules Mendes
Fonte: Acervo Pinacoteca Universitária

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Em 1982, por meio de convênio com a Funarte, é realizado curso com o professor e
artista plástico baiano Jadir Freire, denominado Arte Proposta I, considerado um dos eventos
mais importantes à época abrigados pela Pinacoteca. O uso de novas técnicas, a
experimentação de materiais inusitados, a utilização de espaços abertos, numa interação entre
a prática artística e o meio ambiente, foram alguns pontos relevantes do curso que obteve um
público significativo. O resultado, em seu encerramento, deu-se em ampla exposição, Arte
Proposta I – Novos Talentos, que ocupou o espaço físico da Pinacoteca e se expandiu até o
passeio público, numa das maiores assistências. A mostra exibia não apenas as obras feitas no
decorrer do curso, mas todo o processo artístico das experimentações plásticas realizadas, fato
inédito para os visitantes. Embora nem todos os participantes tenham continuado no campo
artístico, o evento refletiu em mudanças no modo de pensar e fazer arte.
Dando continuidade à busca por parcerias à Pinacoteca Universitária realiza em
novembro de 1982, por intermédio do Museu Nacional de Belas Artes, com seu projeto ExtraMuros, exposição sob o título Introdução ao Conhecimento da Gravura em Metal, de caráter
eminentemente didático e itinerante, que percorreu várias cidades brasileiras, inclusive
Maceió.
Outras mostras ocorreram durante o ano de 1982, voltadas para a arte figurativa como
Rumos da Figuração Alagoana – Pinturas e Desenhos; ou já com viés abstracionista como
Arte em Alagoas, a Cor e a Forma; e também focada na arte primitiva em A Mística na
Inventiva do Artista Primitivo em Alagoas.
O ano de 1983 é marcado pela organização de evento internacional na Itália, a
exposição Alagoas um Estado do Nordeste do Brasil/ Alagoas Uno Stato Del Nord’Est Del
Brasile, em convênio celebrado entre Ufal, Ministério das Relações Exteriores, Varig e CNPq,
com o apoio de empresas como a Salgema, Sococo e do governo estadual. A programação
previa a abordagem de vários aspectos do estado, como a economia, literatura, artesanato,
arte, inclusive a popular. O projeto, que teve a coordenação de Rogério Gomes e Carmen
Lúcia Dantas, contou com o empenho do Reitor João Azevedo e da embaixada brasileira em
Roma e se realizou no Moseo Sant’Egideo, no período de 22.09 a 09.10.1983. Nomes como
Maria Amélia Vieira, Manoel da Marinheira, Roberto e Fernando Lopes, Vicente Ferreira,
Zezito Guedes, Gaspar Luiz, Maria Tereza Vieira, Hércules Mendes, Getúlio Motta, Rogério
Gomes, Pierre Clalita, Lourenço Peixoto, Miguel Torres, Rosalvo Ribeiro, estes três últimos
destacados artistas surgidos nas primeiras décadas do século XX, tiveram suas obras expostas,
as quais algumas foram doadas ao acervo do museu italiano.

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Voltando às terras alagoanas, além das exposições que continuavam a ocorrer, embora
de periodicidade instável, considerando o ainda embrionário cenário artístico local, as
tentativas de mudança na pintura persistem, inclusive com a criação de grupos, como o
Anonimato, formado por ex-alunos de Jadir Freire, motivados pelo curso e pela mostra
ocorridos em 1982. Porém, um dos que mais se destacou foi o Grupo Vivarte, iniciado em 14.
06.1984, reunindo artistas oriundos de outros movimentos, buscando novas correntes
estilísticas e na tentativa de abrir oportunidades no mercado da arte para os novatos de então.
A Pinacoteca Universitária, que cedia espaço para suas reuniões, também foi palco de sua
última exposição em junho de 1985, quando ironicamente comemorou seu primeiro
aniversário, próximo a sua extinção em meados de julho do mesmo ano. Dentre os artistas que
faziam parte do grupo estavam Maria Amélia Vieira, Dalton Costa, Ricardo Maia, Rosivaldo
Reis, Paulo Caldas, Salles, Carmem Omena e Lula Nogueira, para citar alguns nomes
daqueles que queriam renovar e inovar o panorama existente.
A instalação planejada e montada por Rogério Gomes, de nome sugestivo Um Brinde
à Felicidade, por ocasião do lançamento do livro de mesmo nome da autora Maria Amélia
Gama da Câmara Pessôa, foi considerada uma das primeiras a ser exibida em Alagoas, em
1984, diversificando as atividades da Pinacoteca, para além das exposições, com a realização
de outras ocorrências artísticas.
O ano de 1985 destaca mais um evento que une literatura e arte com o lançamento do
Livro de Graça, em conjunto com a exposição Humor e Arte, de três renomados chargistas e
artistas Hércules Mendes, Manoel Viana e Nunes, iniciando o ano.

Fig. 4 – Convite da Exposição Humor e Arte e lançamento do Livro de Graça
Fonte: Acervo Pinacoteca Universitária

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Tendo como parceira a Secretaria de Cultura do Estado, a Pinacoteca Universitária
recebe, em abril, a exposição Primitivos, do Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando
Álvares Penteado de São Paulo, com obras de seu acervo. Vicente Ferreira, cearense radicado
em Alagoas, onde viveu e morreu, e considerado como o melhor artista primitivo do nordeste,
segundo texto contido no folder da mostra, teve uma das suas obras expostas, intitulada Mato
Grosso, de 1979.
Em outubro de 1985, o professor e artista plástico Pierre Chalita realiza palestra na
Pinacoteca, seguida de exposição sob o título Processos Plásticos de Expressão Artística –
Pintura, Desenho, Colagem, Litografia,que contou com a participação de obras de cinquenta
artistas brasileiros, com trabalhos intencionalmente heterogêneos, a fim de demonstrar os
diferentes processos técnicos e a infinita possibilidade de expressão por meio da linha e da
cor. Além de nomes representativos da terra constavam Aldemir Martins, Cláudio Tozzi,
Vicente Monteiro, La Greca, Maria Bonomi, Bandeira de Mello.
A presença em Alagoas da artista polonesa, que imigrou para o Brasil na década de 30,
Fayga Ostrower, mais precisamente na Pinacoteca Universitária e no Instituto Histórico e
Geográfico, movimentou o ano de 1986, com o curso e exposição de litogravuras. Seu
currículo justificava tal importância por ser ela de renome internacional, premiada em bienais
como a de Veneza e de São Paulo. Professora por quase duas décadas de Composição e
Análise Crítica no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, lecionou também em várias
universidades brasileiras. O curso Criatividade, Análise Crítica e Problemas de Composição
na Linguagem Visual, desenvolvido por Fayga, foi um dos pontos altos na área artística,
assim como a palestra do professor e curador, Marcus de Lontra Costa, Múltiplos Aspectos da
Arte Contemporânea, no ano em que a Ufal completava vinte e cinco anos de criação.

Fig. 5
5 -- Sem
Sem título
título –
– Fayga
Fayga Ostrower
Ostrower
Fig.
Fonte: Acervo
Acervo Pinacoteca
Pinacoteca Universitária
Universitária
Fonte:

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O ano de 1987 transcorreu na Pinacoteca Universitária com a realização de algumas

exposições, as quais não há registro documental suficiente, podendo ser citadas apenas
nominalmente, como: Projeto Arte Brasileira: Obras dos anos 20 e 30, em convênio com a
Funarte; Acervo – Arte em Alagoas; O Espírito Moderno da Arte em Alagoas. A exposição de
Francisco Oiticica Filho, Desenho à Têmpera, embora com promoção da Pinacoteca, foi
instalada no Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas. Outras atividades nesse período
foram o curso A Estética do Espírito Moderno, de 06 a 10.04, desenvolvido por Marcus de
Lontra Costa e, em maio, palestras de Rogério Gomes e Cármen Lúcia Dantas, versando sobre
a Nova Conceituação Estética na Arte de Alagoas, Criatividade e Novos Conceitos Estéticos e
Maria Tereza Vieira – O Artista e a Obra, alagoana que se radicou no Rio de Janeiro, onde
existem Instituto e Centro de Artes que levam seu nome, em sobrado doado pela Prefeitura.
Iniciando a pauta de 1988 o acervo, que vinha sendo construído por doações ou
compra, inclusive através de convênio com a Funarte, permanece por vários meses aberto à
visitação, tendo em vista que novos ventos soprariam, anunciando mudanças físicas à vista. O
compartilhamento de espaços com o Museu Théo Brandão, grande anfitrião, perdurou de
agosto/setembro de 1981 até setembro de 1988, quando mais amadurecida a Pinacoteca
Universitária passou a ocupar o andar superior do prédio do atual Espaço Cultural da Ufal,
antiga Reitoria, no centro da capital. Tal fato se deu na gestão da Reitora Delza Gitaí que,
como seu antecessor, aprovava a iniciativa e desenvolvimento da Pinacoteca.
A exposição de abertura na nova localização, em 31.10.1988, Quatro Vozes, era
composta por David Largman, carioca, Jadir Freire, baiano, Mário Azevedo, mineiro, e
Rogério Gomes, alagoano, sendo considerada uma mostra de intercâmbio cultural. Os dois
primeiros artistas ligados às vertentes expressionistas e os dois últimos, de experimentações
geométricas, de origem construtivista, abrem novas perspectivas de conhecimento estético
sobre o que estava sendo feito em outras regiões, trazendo a confirmação do abstracionismo
(Célia Campos, 2000).
Tratava-se de uma mostra itinerante, iniciada no Museu de Arte Moderna da Bahia,
percorrendo, além da Pinacoteca, a Galeria Metropolitana de Recife, o Museu de Arte
Moderna de Minas Gerais, em Belo Horizonte, o Museu de Arte Moderna do Rio Grande do
Sul, em Porto Alegre, e a Galeria Rodrigo Mello Franco/Funarte, no Rio de Janeiro. O evento
com pintores de fora, como outros realizados em galerias da cidade, que bravamente lutavam
pela sua manutenção, oportunizaram a troca de experiências tão vitais para os artistas jovens
do estado. Também representou um compromisso com a modernidade, apesar das restrições

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da terra, iniciado com Lourenço Peixoto, desde 1928, com o movimento da Arte Nova em
Alagoas (Cármen Lúcia Dantas, 1992).

Fig.6 - Ou isto ou aquilo IV – Jadir Freire
Fonte: Acervo Pinacoteca Universitária

Fig.7 - Sem título – Mario Azevedo
Fonte: Acervo Pinacoteca Universitária

O ano de 1988 finaliza com dois acontecimentos: a exposição fotográfica de Juarez
Cavalcanti e a realização do I Festival de Arte da Comunidade Universitária, sob a
organização da Pinacoteca Universitária. A fotografia vinha adquirindo, nos últimos anos,
lugar de destaque no panorama das artes visuais, ocupando seu espaço em exposições
internacionais e nas bienais da época. A Presença Negra no Cinema Brasileiro, de autoria do
fotógrafo alagoano citado acima, participante de mostras individuais e coletivas, como a 2ª
Bienal Nacional de Arte Fotográfica e a I Fotonordeste, foi promovida em parceria com o
SESC. A exposição, que percorreu quatorze estados brasileiros, trazia vinte e cinco
fotografias em preto e branco, como parte das comemorações alusivas ao centenário da
Abolição da Escravatura. Apesar de abordar tema histórico específico, consegue imprimir no
material exposto o caráter documental e plástico, ao mesmo tempo, em uma comprovação da
competência de Juarez Cavalcanti em retratar, sem esquecer a responsabilidade social da arte.
O segundo evento aludido reuniu obras das diversas áreas da cultura, como a pintura,
escultura, fotografia, literatura, artesanato, arquitetura, instalação, e até computação gráfica. A
única exigência do Festival tratava da obrigatoriedade dos participantes serem alunos,
professores, ou funcionários da Ufal, não tendo sido as propostas submetidas a nenhum outro
critério. A curadoria realizada pela Pinacoteca, por sua vez, conseguiu conduzir a bom termo
a exposição, diante da diversidade de temas, buscando garantir o equilíbrio estético do
conjunto. É compreensível que uma mostra eclética, marcada pela heterogeneidade dos

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trabalhos, apresente diferentes estágios de domínio técnico, mas a iniciativa não objetivava
esse tipo de avaliação e, sim, o congraçamento artístico e a participação de todos que se
propuseram. Alguns são hoje artistas plásticos, escritores e fotógrafos de renome no estado,
tendo continuado a percorrer os caminhos escolhidos dentro do universo da arte.
A exposição Alagoas Hoje, apresentada no ano anterior no Hotel Copacabana Palace,
Rio de Janeiro, com curadoria de Cármen Lúcia Dantas, por ocasião da Conferência
Intermediária da Associação Internacional de Universidades, iniciou a pauta de 1989 da
Pinacoteca Universitária. A Universidade Federal de Alagoas havia participado do evento em
1988, com o propósito de oferecer o panorama de alguns aspectos mais significativos da
cultura popular e erudita do estado, tendo dividido a mostra em três segmentos, a saber:
científico-cultural, correspondendo à produção intelectual da Ufal; artes plásticas, com o
acervo de artistas alagoanos da Pinacoteca; e mostra de filmes documentários em vídeo
cassete sobre as diversas manifestações populares alagoanas, sob a ótica artística e
etnográfica.
A versão oferecida à Maceió contemplou dois segmentos, o de artes plásticas e o de
filmes documentários. O primeiro buscou expor artistas alagoanos que desenvolvessem uma
linguagem estética já apartada do academicismo e dos temas folclóricos, mais sintonizados
com as vanguardas. Dalton Costa, Maria Amélia Vieira, Reinaldo Lessa e Rogério Gomes
representavam esse grupo. O segundo segmento foi registrado pela câmera de Celso Brandão,
cujas imagens fazem parte do acervo da filmoteca do Museu Théo Brandão. Nas lentes do
cineasta, que foi assistente de direção do filme Bye, Bye, Brasil, de Cacá Diegues, o homem
folk é apresentado em seu cotidiano, no colorido dos folguedos, nas técnicas artesanais.

Fig. 8 – Foto do Catálogo da Exposição Alagoas Hoje
Fonte: Acervo Pinacoteca Universitária

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O crítico de arte alagoano, Romeu de Mello Loureiro, por ocasião da exposição
Alagoas Hoje, realizou mesa-redonda na Pinacoteca Universitária, objetivando assinalar as
novas expectativas dos artistas alagoanos diante do cenário artístico nacional, abrindo espaço
para debate com o tema Novas Propostas Estéticas.
Roberto Ataíde, com sua Coletiva Solitária, expõe dezoito trabalhos em acrílico sobre
tela ou duratex, dando continuidade a pauta do ano de 1989. A explicação em relação ao título
foi dada pelo artista ao tratar do vazio humano em meio às grandes cidades, situação que
sempre parece atual. Comprometido com a pesquisa de novos materiais, transitou bem em
diversas técnicas, como demonstraram suas experiências em pastel, aquarela, carvão e óleo.
Participou também da Cruzada Plástica, movimento originário do Vivarte que, como foi dito
anteriormente, marcou importante momento da vanguarda dos anos 80.
Finalizando o ano, Lily Kapetanakis, artista grega, nascida em Atenas e que a partir da
década de 80 dividia sua vivência entre a terra natal e Maceió, realiza na Pinacoteca
Universitária exposição com a série Corpos, que tem como temática a figura humana em
movimento. Fruto do amadurecimento artístico e já sob reduzida influência do meio ambiente
nordestino, que a princípio lhe inspirou sobremaneira, ficou a sedução pela luminosidade dos
trópicos, seu colorido, além da renovação de uma herança cultural, caracterizando essa
mostra.

Fig. 9 - Sem título – Lily Kapetanakis
Fonte: Acervo Pinacoteca Universitária

O percurso dos últimos meses dos anos 80 assinala, na capital, um clima artístico que
oscilou entre longos períodos de marasmo e outros de agitação. As exposições se alternavam

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em exibição de acervos, amplas coletivas ou escassas individuais de destaque (Célia Campos,
2000). Novos ventos soprariam para a Pinacoteca Universitária, trazendo mudanças de rota.
O primeiro ano da década de 90 marcaria a saída do, até então, diretor Rogério Gomes,
se ausentando para tratar de sua carreira como artista plástico, que demandava de mais tempo,
além das atribuições como professor universitário. A exposição Rogério Gomes – O
Alquimista de Idéias soou como uma despedida do espaço que idealizou e criou, reforçando
também a forte tendência concretista já direcionada a uma cidade do futuro, que caracterizaria
sua obra. Seu espírito em constante busca e experimentação leva-o a se interessar pela
pesquisa de materiais que se unem à pintura, a ponto de desenvolver técnica de colagem com
exímia habilidade, numa perfeita simbiose entre a transposição dos pigmentos de uma gravura
em papel para a superfície de uma tela. Além dessa mostra, o acervo da Pinacoteca, então
intitulado Arte em Alagoas, foi novamente exposto, não havendo registros de exposições
artísticas significativas nesse ano.
A Pinacoteca Universitária, a partir de 1991, sob a direção do artista plástico Pierre
Chalita, inaugura em maio a mostra 8 Pintores em Alagoas, nas comemorações dos trinta anos
da Ufal, com obras pertencentes ao acervo da Fundação Pierre Chalita. Foram expostas vinte
e quatro telas de oito artistas que viveram entre o final do século XIX e século XX, todos eles
atrelados a temática figurativa e paisagística. Chama à atenção nessa exposição à presença de
obra de Jorge de Lima, que tendo obtido grande destaque literário, foi autodidata em pintura
na tendência expressionista. No gênero, o evento foi considerado a reunião do que melhor
existia em Alagoas (Cármen Lúcia Dantas, 1992).
Ao final do ano, a Pinacoteca é reduzida e remanejada de seu espaço físico,
permanecendo, porém, no mesmo prédio. É realizada exposição de sua reabertura em
21.11.1991, ficando até 30.01.1992, porém sem registro dos artistas que participaram, ou
maiores informações, a não ser o número de visitantes, 517, conforme livro de presença do
período.
Fernando Pontes, artista plástico alagoano, abre a pauta de 1992, em 06.02, com sua
primeira mostra individual em Alagoas, com trabalho conceitual e inovador. Tendo estudado
nos Estados Unidos, onde cursou Light as Sculpture na New York Experimental Glass Work
Shop, baseou seu trabalho na luz neon, em conjunto com outros elementos como o metal
prateado e o plástico. A exposição, que recebeu o nome de Instalação e que teve seu
encerramento em 21.02, obteve uma expressiva visitação, 331 pessoas, considerando o curto
período de permanência.

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No decorrer do ano é realizado concurso e consequente exposição, por ocasião das
comemorações do centenário de nascimento do escritor Graciliano Ramos, eventos que
fizerem parte de simpósio internacional. O concurso, sob a responsabilidade da Secretaria de
Cultura, teve como participantes Lula Nogueira, Ivson Monteiro, Paulo Caldas, Dinah Souza
e Silva, Suely Palmeira Bandeira, Carmem Lúcia Omena, Paulo Jorge Freire de Melo,
Terezinha Setton, Marcos Aurélio, Gerson Bezerra, Ednilson Salles, Elba Gazzaneo, Antonio
Teodósio dos Santos, Fernando Pontes e Delson Uchôa, este não oficializado devido a não
entrega em tempo hábil da documentação exigida para a participação. O evento demonstra
ainda, nessa fase, a tendência para o costume da exposição temática na produção pictórica
alagoana, seguindo também a premiação em direção às obras figurativas, em detrimento de
trabalhos mais de vanguarda como o de Fernando Pontes (Célia Campos, 2000).

Fig. 10 - Instalação – Fernando Pontes
Fonte: Célia Campos, 2000

Os anos que se sucederam até 1995 foram marcados por mostras de pequena duração,
espaçadas, relacionadas a temas sobre literatura, a mulher, cultura francesa, ciência e política.
Os registros existentes do período são insuficientes para outros esclarecimentos acerca de
acontecimentos artísticos, à exceção da exposição de Zafi, Antonio de Souza Filho, com a
série Fragmentos, comentada através de texto de Romeu de Mello Loureiro, de dezembro de
1992, que considerou seu trabalho uma abstração figurativa, dentre outras classificações por
ele citadas. Essa etapa da Pinacoteca prenunciava mais uma mudança de rumo, ou a retomada
de um caminho inicialmente traçado, como poderemos conferir na segunda fase proposta.

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6 – Segunda fase – 1996 a 2010

A fase que se passa a relatar inicia com o retorno à direção da Pinacoteca do fundador
e ex-diretor, Prof. Rogério Gomes, a convite do Reitor Rogério Moura Pinheiro e da Próreitora de Extensão, Margarida Maria Silva Santos, para conduzi-la a partir de então. Porém,
nesse período a expectativa de Gomes em relação à instituição havia se expandido e, em seu
reinício, almejou ver crescer e se consolidar aquele sonho dos anos 80, em analogia a um pai
que busca contribuir para o amadurecimento de seu filho, a fim de vê-lo apto para os desafios
da vivência humana. Portanto, era necessário dotar a Pinacoteca de meios que levassem à sua
expansão e consolidação. Foram mais de três anos perseguindo esses intentos: o retorno ao
andar superior do prédio da Praça Visconde de Sinimbu, ocupado quando da sua mudança
para o Espaço Cultural Universitário, até a reforma que ampliou suas dependências para
exposições em dois grandes salões e um de porte médio, além de área administrativa. Seus
objetivos iniciais foram incrementados no redimensionamento do espaço físico para o circuito
museográfico, também no propósito do diálogo com instituições congêneres no estado, no
país e, se possível, exterior; no enriquecimento e preservação do acervo da instituição,
reiterando a divulgação e incentivo ao potencial artístico de Alagoas.
Algumas ações administrativas foram propostas para a reorganização da Pinacoteca
como a constituição de Comissão, por meio da Portaria nº 060/96GR, de 22 de março de
1996, para receber e avaliar o patrimônio/acervo. No tocante ao intercâmbio entre instituições
foram realizados levantamentos visando identificação dessas no estado e no país, além dos
artistas atuantes em Alagoas, com conseqüente elaboração de mala direta.
Durante o período em que esteve fechada para reforma física e planejamento da
exposição de reabertura a Pinacoteca participou de ações correlatas ao fazer artístico, em
apoio ao Departamento de Artes, além da Pró-reitoria de Extensão, em projetos como o
Janeiro no Campus, que buscava realizar eventos diversos no mês de férias acadêmicas, no
Campus Universitário, como exposições fotográficas e plásticas, dentre outras participações.
Paralelamente às atividades para as quais era solicitada, em 1999 a direção da
Pinacoteca desenvolvia as tarefas pertinentes à mostra inaugurativa que se avizinhava,
convidando inicialmente para a curadoria a professora Célia Campos, responsável pela
disciplina História da Arte, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Ufal, além de
estudiosa e envolvida com as questões artísticas locais. Em virtude de compromissos
assumidos anteriormente a mestra declinou do convite, não se furtando, no entanto, em
contribuir com nomes que, a pedido de Rogério Gomes, foram solicitados a ela para

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participação em encontro com o curador Marcus de Lontra Costa, à época diretor do Museu
de Arte Moderna Aloísio Magalhães, em Recife. Célia Campos desenvolvia com alunos
bolsistas e não bolsistas projetos a exemplo da Análise da Produção Artística Contemporânea
em Alagoas, que geraram subprojetos como o Núcleo de Arte e Cultura Contemporânea,
memória e fonte de dados, o que possibilitou um maior enriquecimento do panorama
necessário ao leque de opções artísticas que o curador já dispunha e conhecia. Outra
ferramenta utilizada para alcançar maior número de artistas foi a divulgação em jornal de
grande circulação local de nota da Pinacoteca Universitária sobre o encontro com o curador,
convidando os interessados a comparecer à reunião.
Em setembro desse ano iniciaram-se as visitas de Marcus Lontra à Maceió, mais
especificamente aos ateliês dos artistas, buscando contato pessoal e o conhecimento da
produção então recente, concomitante às palestras, reuniões e discussões acerca dos
parâmetros a serem adotados para a seleção dos trabalhos, com vistas à vertente
contemporânea que norteava o enfoque da Pinacoteca Universitária.

Fig. 11 - Enquanto isso, no Universo Paralelo do Mal – Suel
Fonte: Acervo Pinacoteca Universitária

Os meses que se sucederam culminaram com sua reabertura e com a exposição que foi
intitulada Olhar Alagoas, em 25 de novembro de 1999, com obras de vinte artistas alagoanos,
ou radicados no estado, a saber: Augusta Martins, Bárbara Lessa, Beto Normande, Celso
Brandão, Delson Uchôa, Dalton Costa, Eva Le Campion, Fernando Honaiser, Glauber Xavier,
Lula Nogueira, Kalinka Bueno, Maria Amélia Vieira, Marco Aurélio, Marta Araújo, Reinaldo
Lessa, Rogério Liberal, Rosa Maria Piatti, Rosivaldo Reis, Suel e Vera Gama. A seleção dos

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artistas procurou oferecer ao público as mais variadas tendências da cena contemporânea da
época, valorizando a diversidade de estilos e, mesclando a nomes mais reconhecidos, novos
talentos que surgiam.
Foram decisivos os fatores que contribuíram para que essa exposição permanecesse
praticamente um ano aberta à visitação, como o sucesso alcançado pela mostra, que resgatou
para a comunidade um espaço vital às artes plásticas, disponibilizando um panorama
embasado no fazer artístico alagoano. Também o investimento financeiro feito pela
Universidade Federal de Alagoas, tanto na ampliação e reforma do espaço físico, dotando-o
de iluminação apropriada, climatização dos ambientes, além dos custos pertinentes à
realização da exposição (curadoria, montagem, catálogo, etc.) justificaram a permanência.

Fig. 12 - Voo Livre para uma
Leitura Pessoal – Bárbara Lessa
Fonte: Acervo Pinacoteca Universitária

A exposição O Universo de Três Mulheres e Seu Reflexo na Arte Contemporânea abre
a pauta de 2001, em 25.01, apresentando os trabalhos de Vera Arruda, estilista, Daniela
Aguilar, design e artista plástica, e Jeanine Toledo, artista plástica. A inserção as
moda/vestuário como objeto artístico adentra aos salões da Pinacoteca, através de Vera, uma
alagoana que foi para Sampa, ampliando para muitos o conceito de arte. A estilista traz para
as roupas o mundo colorido das tradições populares do nordeste, do folclore regional, com
seus materiais inerentes, como as fitas e fitilhos, o fuxico e as rendas, carregando de
brasilidade a concepção estética. Daniela Aguilar, uma mineira que veio para Maceió, em
suas criações elaboradas com materiais considerados inservíveis, refugo, como blister de
remédios, por exemplo, transforma o inútil em vestidos, casacos e outras vestimentas na

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esteira de seu trabalho para figurinos de teatro. Apesar de não tratar da temática que, de certa
forma, uniu as outras artistas, Jeanine Toledo, com suas pinturas e máscaras, representou um
elo de identidade teatral na expressão dramática de suas composições, no expressionismo
revelador da alma humana em suas questões existenciais. A mostra fez parte das solenidades
comemorativas do aniversário de 40 anos de criação da Ufal.
Barro Oco, de Eva Le Campion, veio a seguir em abril, exercitando as possibilidades
múltiplas de experiências e recursos possíveis com o barro, em pintura-escultura, e remetendo
à intemporalidade dessa matéria prima em nossa cultura. A exposição também oferecia aos
visitantes a experimentação com o barro, disponibilizado em uma bancada para moldagem de
formas e figuras, onde as “esculturas” eram colocadas para secagem e observação. A
interatividade foi um dos pontos altos, visto que uma escola de deficientes visuais da capital
visitou a mostra com seus alunos que, através do tato, puderam sentir as obras e também
manusear o barro.
O design contemporâneo, alçado ao posto de obra de arte, é o tema da exposição
Arquitetos e Designers que ocupou, a partir de agosto, o espaço da Pinacoteca, em mais uma
demonstração da abrangência do fazer artístico em tempos de contemporaneidade. Nesse
contexto dezessete arquitetos alagoanos elegeram peças criadas por dez designers, entre
brasileiros e estrangeiros, e as apresentaram de forma criativa e diferenciada, apropriada à
observação de um objeto de arte. O período da exposição foi enriquecido por um ciclo de
palestras sobre o tema, a exemplo de Eco/design, Design no Artesanato e Empreendedorismo
em Design, dentre outras.
A pauta do ano de 2002 inicia-se em abril, com a mostra em memória de Jadir Freire,
intitulada O Passageiro da Luz. Baiano de nascimento e andarilho por natureza, Freire, após a
infância e adolescência em Salvador, onde absorveu as cores intensas e as festas populares,
descobriu no Rio de Janeiro a velocidade da urbe de transformações rápidas. Frankfurt,
Berlim, Calcutá, Maceió ou Londres fizeram parte de seu itinerário artístico, tendo procurado
falar do mundo em sua breve existência. As obras que compuseram a exposição, telas em sua
maioria, foram emprestadas por colecionadores.
Em maio, Fernando Pontes apresenta Bagagem de Mão – Entre o Ir e o Ficar, com
texto de apresentação de Célia Campos, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte
e da Associação Internacional de Críticos de Arte. Na mostra predominou a poética do
exercício fotográfico, a percepção do movimento, da luz, do espaço urbano e suas cores.
Houve a exibição nas paredes da Pinacoteca de locais, como uma estação de metrô em
Londres, onde se tinha a impressão/sensação de proximidade na cena e inserção do indivíduo

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junto à imagem. Na abertura o artista realizou uma performance utilizando-se da projeção de
imagens luminosas no seu corpo em movimento, com uma vestimenta branca, sem nenhuma
outra interferência de luz. Apoteótico.
Gilvan Samico, consagrado xilogravurista pernambucano, de longa caminhada, teve
suas obras apresentadas ao público nos meses de julho a gosto. O artista, considerado o mais
expressivo talento da gravação em madeira no país, desde os mestres Goeldi e Lívio Abramo,
contribuiu com o desenvolvimento de uma linguagem plástica, na tradução da arte popular
para o código erudito, na passagem do regional ao universal, com alto padrão estético. Afeito
às simetrias, seus pavões, bois, ninfas, extraídos das ilustrações dos cordéis nordestinos, são
relidos por sua imaginação e obra.
As séries Fachadas e A Casa Acesa, do artista Roberto Lúcio, paraibano radicado em
Recife, adentraram aos salões da Pinacoteca em outubro, com texto de apresentação de
Marcus de Lontra Costa, tendo sido a primeira citada apresentada no Centro de Arte Hélio
Oiticica, Rio de Janeiro, e no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, Recife. Os
trabalhos, pinturas sobre telas em grandes formatos, tratam de estética construtivista-tosca
comum às casas populares, no interior do estado. A série A Casa Acesa, ao contrário de
Fachadas, que como o nome denota foca o exterior, penetra no âmago dessas casas, com suas
lembranças, brinquedos, objetos utilitários. O ponto de partida foi a última visita feita à
residência em que morava quando pequeno, em João Pessoa, levando-o aos elementos que
fizerem parte de sua vida, assim como de tantos nordestinos. A mesa posta, a meia-luz, no
segundo salão da Pinacoteca, forrado de um tapete de folhas secas, representou para o artista
um lugar sagrado da sua memória.
A última mostra do ano de 2002 trouxe a alagoana Marta Araújo, com Entrópicos, e a
reflexão sobre o processo de decomposição que rege o universo, dando continuidade ao seu
trabalho marcado pela pesquisa sensorial-tridimensional na arte-objeto. A artista se apropriou,
na experiência da temporalidade, de chapas de ferro oxidadas pela maresia, de gordura animal
e peças defumadas de porco, fazendo o espectador atento refletir, além dos prazos de
validade, sobre a duração de uma obra artística. A combinação dos elementos utilizados, pela
sua natureza, propiciou a apreciação de uma arte em metamorfose, assim como pode ser o
observador que a observa , reage de formas diversas, podendo também ser mutante.
Hércules Mendes, desenhista, chargista, cartunista, caricaturista, dentre outros
talentos, abre a pauta de 2003 com a exposição Hércules, a Força do Humor. Trabalhos em
bico-de-pena e tridimensionais trataram de temas políticos e sociais brasileiros e estrangeiros,
com o humor e crítica peculiares a seu espírito perspicaz e aguçado. O texto de apresentação

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coube ao jornalista e chargista, Ênio Lins, que no período da mostra apresentou a palestra O
Humor Contra a Guerra.
Em maio é a vez de Suel e Bárbara Lessa dividirem os salões da Pinacoteca, com
Olhar Expandido, apresentando suas obras mais recentes. Aparentemente distintos os
trabalhos

realizados

pelos

artistas

se

aproximam

conceitualmente na

linguagem

contemporânea proposta por cada um em seus projetos: Suel e suas telas magníficas em
temas, cores e técnica; Bárbara com suas esculturas em ferro/metal/cimento, além de telas, e
uma instalação que representava o mapa brasileiro, com pratos disponibilizados nas cinco
regiões, com a quantidade presumida de pujança social que a cada uma correspondia, segundo
ela. A interseção física da mostra deu-se no segundo salão com o registro da montagem
através de fotos, recados, avisos, recortes de jornais e textos alusivos ao processo, colados nas
paredes.
A primeira individual de Vera Gama traz Mola aos três salões em outubro, espaço
propício aos três módulos propostos pela artista: nascimento, movimento e estado de graça.
Esses subtendiam uma sequência, assim como a mola sugere em seu contínuo volteio, como a
vivência humana com suas idas e vindas. Através do machê, técnica bem familiar à Vera, e da
madeira peças-círculos foram construídas e dispostas no chão e nas paredes, culminando com
uma grande esfera branca que, no dia da abertura da exposição, em meio ao efeito do gelo
seco remetia os visitantes a uma atmosfera ao mesmo tempo surreal e mágica.
Reinaldo Lessa, outro alagoano em um ano onde os da terra predominaram, encerra a
pauta com Paisagens Gerais, tendo texto de apresentação de Marcus de Lontra Costa. A
mostra foi composta por pinturas em telas de grandes formatos e um extenso mural de resina
acrílica sobre carpete de lã de nylon que recobriu uma das paredes igualmente extensa do
terceiro salão. Lessa é considerado um moderno por essência, mas sem se deter em rótulos,
escolas e tendências, sendo suas paisagens traduzidas pelo gestual, por formas e texturas
aleatórias e orgânicas.
O retorno de Rogério Gomes, que deixa a Pinacoteca Universitária, ao final do ano de
2003, para se dedicar exclusivamente a sua carreira artística, também deixou frutos em dois
projetos criados no seu período, mais especificamente em 2000. A Escola Vai à Pinacoteca,
então sob a responsabilidade do técnico Maria Christina Cavalcanti Rabelo, visava atender à
comunidade estudantil nos diversos graus de ensino, buscando, também, ser uma opção às
escolas e seus currículos, no tocante às disciplinas relacionadas à arte, oferecendo espaço
apropriado para a complementação da teoria por intermédio da prática. O estímulo ao hábito

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de visitação a museus, galerias e espaços afins nortearia esse projeto, aproximando a
Pinacoteca de importante público-alvo.

Fig. 13 – Projeto A Escola Vai à Pinacoteca
Fonte: Acervo Pinacoteca Universitária

O projeto Amigos da Pinacoteca (Fig. 13), a cargo da servidora Adélia Amorim,
investia-se de um caráter de divulgação das artes em geral, proporcionando à comunidade
manifestações artísticas diversas como música, teatro, dança, estimulando, dessa feita, a
assistência a outras formas de expressão. As apresentações ocorriam durante as exposições,
incrementando a visitação, ao tempo em que expandia sua atuação.

Fig. 14 – Projeto Amigos da Pinacoteca
Fonte: Acervo Pinacoteca Universitária

O ano de 2004, sob o novo reitorado da professora Ana Dayse Rezende Dorea, assume
a direção da Pinacoteca Universitária Verônica Barros Florêncio, servidora da Ufal, que
trabalhou muitos anos com seu antecessor, exercendo função de assessoramento
administrativo e artístico junto ao diretor. Na ocasião convida Maria Christina Cavalcanti
Rabelo como vice-diretora, funcionária que atuava na Pinacoteca desde o ano 2000.

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A pauta das mostras do ano de 2004 já havia sido trabalhada por Rogério Gomes, no
ano anterior, cabendo a nova administração as providências no tocante a sua realização. Nesse
ano passaram pelo espaço o pernambucano Marcelo Silveira, março/abril, cujo encerramento
da exposição contou com a presença do crítico de artes Moacir dos Anjos, em um Bate-Papo
com artistas e interessados; Maria Amélia Vieira, maio/junho, com... e do Barro Foi Feito,
trazendo, dentre outras obras, uma velha embarcação barrocamente adornada com rosáceas,
estrelas, figuras, além de seus totens; Siloé Amorim, antropólogo e fotógrafo, que
transformou sua pesquisa sobre a população indígena no estado em proposta contemporânea,
onde não faltaram registros fotográficos, pintura, projeção e até a tradicional dança do Toré,
em julho, na mostra Auto- Imagem – Resistência Indígena em Alagoas. Dorian Gray, Selma
Bezerra, Isaías Ribeiro e César Revorêdo, quatro artistas potiguares de várias gerações,
trabalharam, cada um a seu modo e conforme suas tendências, em Permanência da Paisagem,
que ficou em cartaz durante o mês de agosto. Fotografias da alagoana Ana Glafira e poemas
do catarinense Tchello D’Barros dialogaram nos salões da Pinacoteca em setembro/outubro,
em Indivisuais: Diálogos Foto-Poéticos, realizando durante seu período mesa-redonda com a
participação de artistas e professores. A mostra Pinacoteca Universitária – Uma Trajetória, a
partir de dezembro até fevereiro de 2005, proporcionou ao público a exibição das obras do
acervo que a instituição vem incorporando, desde os anos 80, por meio de aquisições com
recursos da Ufal, convênios e doações, representando a realização de um projeto acalentado
de compartilhamento com a comunidade da arte sob sua guarda.
A composição de um Conselho Curador, que assessorasse nas questões artísticas, foi
idealizado pela nova direção, sendo formado por Maria Amélia Vieira, artista plástica;
Francisco Oiticica, professor e crítico de arte; Ivy Pessôa e Ana Caroline Cavalcanti de
Gusmão, arquitetas e professoras de História da Arte; Guido Lessa, Coordenador de Assuntos
Culturais/Ufal; Adélia Amorim, misto de cantora e escritora, integrante do quadro da
Pinacoteca; Matheus Florêncio, estagiário da área; além da diretora e da vice. A princípio a
constituição do Conselho deu-se de maneira informal, o que não representou prejuízo ao seu
funcionamento, tendo sido formalizado em 15 de maio de 2006, pela Reitora Ana Dayse
Dorea, por meio da Portaria n° 463.
Valdeneis Lopes, aluna da renomada Escola de Artes Visuais Parque Laje, trouxe à
Maceió exposição de seus trabalhos em março/abril de 2005, quando propôs também
apresentar os rumos percorridos pela EAV em registro fotográfico. O diretor da instituição,
Reynaldo Roels Jr, esteve presente ao evento, proferindo palestra na ocasião. Além de telas, a

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artista apresentou seus livros, composições tridimensionais, fruto da reflexão e não apenas do
simples fazer, atitude estimulada pela escola, que visa não apenas formar pintores.
O ano de 2005 traria uma interrupção nas atividades da Pinacoteca, após a exposição
de Lopes. Foram detectadas fissuras no teto de gesso, o que poderia ocasionar acidente e
mesmo insegurança quanto ao trânsito de visitantes e funcionários. Diante do fato, a
Universidade deu encaminhamento às providências para a obra, que também instalaria os
sistemas acústico e de iluminação dimerizável nos três salões, modernizando, dessa forma, o
espaço. Apesar do empenho da Reitora e da direção da Pinacoteca para a rapidez no
procedimento, a obra avançou por todo o ano, tendo em vista imprevistos ocorridos
decorrentes do próprio serviço, além do tempo que habitualmente demanda para compra de
materiais/equipamentos na esfera pública.
O período, no entanto, foi útil como termômetro para a avaliação positiva do trabalho
que vinha sendo desenvolvido pela Pinacoteca, junto à comunidade e aos meios de
comunicação, na realização e divulgação dos eventos, visto que matéria foi veiculada, em
jornal de grande circulação no estado, sobre a reforma comprovadamente necessária, a lacuna
que havia se instalado pela ausência temporária da programação, e a perspectiva da abertura
para o cenário artístico e seu público.
Em março de 2006, após a conclusão da obra, com a consequente revitalização do
espaço físico, ocorre a abertura da mostra da pernambucana Julieta Pontes, sob o título
Matéria Natural, com curadoria de Ivy Pêssoa. O evento, como esperado, movimentou a cena
das artes plásticas, com a reinserção da Pinacoteca no circuito da cidade.
As exposições realizadas a partir desse ano passaram a ser selecionadas pelo Conselho
Curador, por meio de edital elaborado pelos membros que o compunham, com critérios e
orientações para apresentação dos projetos, facultado ao Conselho o convite, a um ou mais
artistas, para expor na pauta anual.
Ocorreram nesse ano mais quatro mostras, tendo sido Rogério Gomes, com InOut –
Vermelho Dominante, agosto/setembro, e Dalton Costa, com Entre Sombras...., outubro e
novembro, os artistas convidados. As cerâmicas de Beatriz de Gusmão, e as pinturas/colagens
de Cecília Barreiros, em Figurações do Tempo, junho/julho, além da última mostra do ano,
Ermo/Desenhos, com impressionante trabalho de Alexandre Pinto Garcia, executado com
caneta esferográfica, e as telas de Elon Constantino, onde o preto e o branco predominavam
com suas nuances, em resultado aparentemente simples, porém sofisticado, deram o tom do
reinício vigoroso da Pinacoteca Universitária.

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Concomitante às exposições foram realizados eventos como o debate sobre o
Comércio de Arte em Alagoas, reunindo artistas, críticos e designers, que tratou de vários
aspectos relativos ao tema, inclusive da qualidade dos trabalhos adquiridos por órgãos
públicos. Também, o I Encontro de Pinacotecas e Núcleos de Arte das Universidades Federais
do Nordeste aconteceu em agosto de 2006, nos dias 15 a17, reunindo em Alagoas os estados
de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí, objetivando uma maior
aproximação e conhecimento mútuo, com troca de experiências. Na ocasião houve
apresentação de trabalhos, mesa redonda, debates e a elaboração de documento que registrou
a situação das instituições envolvidas, acertos, dificuldades, com propostas de melhoria na
execução das atividades. Os participantes tiveram oportunidade de visitar museus e ateliês de
artistas da terra, em um circuito cultural.
Em decorrência da mudança do Estatuto e do Regimento da Ufal não foi mais possível
a existência formal do Conselho Curador, sendo revogada, em 30.10.2006, a portaria que o
instituiu. No entanto, era viável continuar a seleção das mostras por intermédio de um grupo,
formado por artistas, professores, críticos e pessoal da Pinacoteca, convidado a compor, a
cada ano, o que passou a se chamar Comissão de Pauta, formato adotado até os dias atuais.
Delson Uchôa, artista que rompeu com sua arte os limites territoriais alagoanos, abriu
o ano de 2007, em março, como convidado, após dez anos sem expor no estado. Em seguida,
deu passagem, em maio, à dupla Suel e Viviane Duarte; aos paraibanos Chico Pereira e Raul
Córdula, em agosto; e aos voos-solo da convidada Maria Amélia Vieira, outubro; e do
alagoano radicado no Rio de Janeiro, Carlos Otávio Fiúza, em novembro.
Em agosto desse ano realizou-se na Pinacoteca Universitária um curso de História da
Arte, promovido em parceria com o Itaú Cultural, produto do Projeto Rumos Itaú Cultural
Artes Visuais. Durante três dias foram abordados assuntos relacionados aos antecedentes da
arte moderna, das vanguardas às primeiras bienais, e sobre a arte contemporânea, pelos
palestrantes Jorge Coli, Stella de Barros e Fernando Cocchiarale. O público inscrito abrangia
estudantes, professores, artistas e atingiu seus objetivos pelo nível de interesse e frequência.
Eventos como esse e outros, que fizeram parte do histórico da instituição, reafirmaram a
importância e seriedade do trabalho realizado pela Pinacoteca, ao longo dos anos, contando,
inclusive, com o apoio permanente de empresas locais, como as Casas Jardim, do ramo de
tintas e seus derivados, que fornece o material necessário a cada exposição, desde 1999, para
a pintura das paredes, conforme a indicação do artista que irá expor.
Ao final de 2007 a Pinacoteca Universitária seria informada, pela Fundepes, que o
projeto submetido ao Banco do Nordeste para Adaptação do Espaço para Reserva Técnica

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havia sido contemplado no Programa BNB de Cultura – Edição 2008. A notícia trouxe grande
satisfação à equipe, visto que a obra proporcionaria a adequada guarda e manutenção do
acervo artístico, evitando possíveis danos e deterioração, representando a realização de mais
um dos objetivos para a modernização do espaço.
O pernambucano Paulo Bruscky, convidado de 2008, iniciou a pauta em março com a
mostra Work in Progress e Objetos Inúteis, que trazia sua produção dos anos 70 até então. A
fotografia foi a técnica utilizada nas duas exposições que se seguiram, reforçando o seu papel
no fazer artístico contemporâneo: Labor, maio/junho, de Nímia Braga, paraguaia que veio
para Maceió em 1976; e Lugares Comuns ou Vazios Encenados, agosto/setembro, de Renata
Voss. Após, em outubro/novembro, Fernando Gurgel e sua série Nós trazem à Maceió seus
trabalhos marcados pelo branco, preto e cinza, com o apuro técnico de seus recortes e
colagens. Nossa História, segunda exposição do acervo, na gestão de Verônica Florêncio, e
última do ano, marcou também sua despedida da Pinacoteca, em virtude de aposentadoria na
Ufal, encerrando ciclo que se destacou pela valorização do servidor técnico à frente deste
equipamento cultural, antes só administrado por artistas.
A partir de 2009, até os dias atuais, assume como diretora Geísa Brayner, arquiteta e
professora aposentada do curso de Arquitetura da Ufal, mantendo como vice-diretora Maria
Christina Cavalcanti. Também vem se incorporar à equipe, formada por Dênia Maria Costa de
Lucena, Nélia Alcy Rocha e Maria Andréa Lopes Duarte, a museóloga Tatiana Almeida, que
passou a ser responsável pela organização do acervo, área da sua competência.
O curso de Artes Visuais Contemporâneas e Políticas Públicas, resultado do projeto da
Pinacoteca em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura – Secult, selecionado pela
Funarte/Minc, por meio do Edital Rede Funarte de Artes Visuais – 2008, ocorreu no período
de 18 de março a 09 de abril de 2009, embora, a princípio, seu período fosse de 17 de
novembro a 03 de dezembro de 2008. O público-alvo, formado por professores da rede
pública e privada, dos diversos níveis, assistiu a palestras, aulas e participou de debates a
cargo dos professores Ana Caroline de Gusmão, Francisco Oiticica, Rogério Gomes (AL), e
Francisco Pereira (PB), sob a responsabilidade da Pinacoteca; e Oswaldo Viégas, Secretário
de Cultura, Álvaro Otacílio, Sub-Secretário e Maria do Socorro Lamenha, arquiteta e
professora de História da Arte, pela Secult.
A mostra fotográfica dos 50 anos da Comissão Fullbright no Brasil, extra-pauta,
ocorreu no período de 11 a 28 de fevereiro, por solicitação de seus representantes, nos salões
da Pinacoteca. Após, a nova gestão, respaldada na seleção das exposições pela Comissão de
Pauta para o Edital 2009 e nos convites feitos, apresentou a individual de Lula Nogueira e sua

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Arte Naif, em março, à convite e um dos recordes de público; as simultâneas de Francisco
Oiticica, com um trabalho de fotógrafo, pintor, documentarista, segundo texto da mostra, e da
matogrossense Ana Ruas e suas intervenções urbanas, em maio; de Felipe Camelo e Ana
Rosa, em julho, fotografando a urbe em sutilezas, belezas e também mazelas. A
pernambucana Alice Vinagre e seus módulos intercambiáveis chegam, em setembro, dando ao
espaço expositivo a sua configuração local.
A coletiva dos artistas convidados Ddaniela Aguilar, com nova grafia, Rogério Gomes
e Vera Gamma, com os dois m, Essa Rua é Nossa, trazia para o público, em novembro, os
frutos da experiência vivida pelo três no atelier Galpão 72, em um trabalho de reciprocidade e
de inclusão social pela arte, com jovens e crianças da comunidade do verde, no bairro de
Jaraguá.
No decorrer do ano foi executado o projeto de Adaptação da Reserva Técnica,
aprovado pelo BNB em 2007, mas que, em virtude de questões burocráticas do financiador, só
teve a verba disponibilizada em 2009. A reformulação do projeto também se fez necessária
para atender de forma mais satisfatória a guarda das obras, que variam entre pinturas,
desenhos, instalações, fotografias e esculturas, tendo sido concluído o espaço em novembro.
Vale ressaltar que o acervo foi constituído, além das aquisições e convênios, com doações dos
artistas expositores.
O ano de 2010 iniciava-se promissor, tanto para as exposições que seriam realizadas,
quanto em relação aos projetos que já vinham sendo gestados, ou fruto de planos inovadores
para a Pinacoteca; um desses, o planejamento de um salão de exposição permanente para o
acervo, acalentado desde o início da nova gestão. O marco inicial de sua realização deu-se
com a visita da professora da Universidade Federal da Bahia, a arquiteta Alejandra Muñoz,
para a consultoria sobre o projeto expográfico e, oportunamente, curadoria da mostra.
A elaboração de um catálogo, inicialmente contendo as exposições compreendidas
entre os anos de 2001 a 2007, e que havia sido pleiteado anteriormente, tomou corpo com a
obtenção do patrocínio da Brasken, para a publicação de mil exemplares, contendo fotos e
textos curatoriais das mostras, agrupadas anualmente. Durante esse processo, que tomou todo
o ano, tornou-se possível a inclusão dos anos de 2008 e 2009, enriquecendo a publicação.
A Comissão de pauta selecionou para o período os grupos O Coletivo, que reunia
participantes de Maceió, São Paulo e Bogotá e o alagoano Taba-êtê, com as exposições
Paisagem e Gesto, respectivamente, em junho/julho; as individuais simultâneas de José Paulo,
Para Nunca Mais me Esquecer; Paulo Meira, O Marco Amador; e Rodrigo Braga, Desejo

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Eremita, apresentadas pela Galeria Amparo 60, de Recife, agosto/setembro; e Eva Cavalcante
que, finalizando a pauta inaugura, em novembro, Um Certo Olhar Cavalcante.
Quanto a outras atividades, a Pinacoteca promoveu com a professora doutora Raquel
Movskowitz, da UFRJ, em 05 de novembro, a palestra Suspiros e Mistérios de uma Filosofia
da Arte, aberta ao público interessado; e o curso O Mundo das Redes e das Cibermarés: 4
reflexões sobre a internet na vida cotidian@, ministrado pelo professor doutor Dilton
Maynard, da UFS. O referido curso foi resultado da parceria com a Fundação Joaquim
Nabuco, ocorrendo no período de 23 a 26 de novembro.
No tocante aos convites, a Pinacoteca Universitária convocou Clarissa Diniz e Bitu
Cassundé a fim de realizar a curadoria da exposição, que viria a se chamar Refrações, abrindo
a pauta em 30 de março, apresentando um panorama da contemporaneidade em Alagoas. Para
tanto, os curadores se debruçaram sobre a arte alagoana, por intermédio da literatura existente,
visitas aos artistas em seus ateliês, e entrevistas nas vindas à Maceió. Artistas talentosos e de
gerações distintas como Francisco Oiticica, Renata Voss, Lucas Barros (apt.401),Marta
Emília, Suel,Vera Gamma, Ddaniela Aguilar, Paulo Santo, Pedro Lucena, Saudáveis
Subversivos (coletivo), Ana Glafira, Tchello D’Barros e Eva Cavalcante se entrelaçaram em
ambientes conceitualmente agrupados, tendo como matrizes refratárias os veteranos Celso
Brandão, Delson Uchôa, Martha Araújo e Rogério Gomes. A mostra repercutiu de forma
bastante satisfatória junto ao público, não tendo a pretensão de uma retrospectiva e, sim,
oferecer um paralelo entre convergências e trajetórias.

Fig. 15 – Exposição Refrações
Fonte: Acervo Pinacoteca Universitária

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7 – Considerações finais

A Pinacoteca Universitária, que completou seus trinta anos em 2011 em pleno
processo de consolidação, vem cumprindo seu papel de divulgar a arte contemporânea,
buscando oferecer ações correlatas como cursos, debates, visitas agendadas e outros eventos
que contribuam para o enriquecimento do fazer artístico e do papel educativo que lhe cabe.
Em comemoração às três décadas de existência lançou o catálogo Pinacoteca
Universitária na Arte do Século XXI, que acompanha esta monografia a título de
complementação ilustrativa, contendo o conjunto das mostras compreendidas entre 2001 e
2009, registrando as exposições havidas na primeira década do século, com os recursos
disponíveis pelo patrocínio da Braskem. Ainda na esteira das comemorações proporcionou
uma mesa-redonda, aberta ao público, com os fundadores da Pinacoteca, ex-diretores e atual
gestão, para troca de relatos e experiências vivenciadas, tendo sido gravados depoimentos dos
gestores sobre acontecimentos e expectativas de suas respectivas administrações.
A necessária informação do que ocorre no tocante à arte contemporânea levou a
Pinacoteca, representada pela atual direção e vice-direção, às duas últimas bienais
internacionais de São Paulo, com o intuito de observar e conhecer obras e artistas que
representam o atual momento artístico. Na ocasião da 29ª Bienal estiveram presentes à
abertura da exposição do artista alagoano Rogério Gomes, no Memorial da América Latina,
bem como visitaram a Pinacoteca do Estado e o Instituto Tomie Otake.
O acervo composto por cento e trinta e oito obras, até o momento, prossegue sendo
organizado, preservado e acrescido, a cada exposição, pelos trabalhos dos artistas
selecionados por intermédio da Comissão de Pauta. O salão para exposição de longa duração
encontra-se em fase de preparação e adequação física, com previsão de abertura até o final de
2013. Porém, parte deste acervo foi exposto ao público no evento da Universidade Federal de
Alagoas – Congresso Acadêmico Integrado – em parceria com a Galeria de Arte do Centro de
Estudos Superiores de Maceió – Cesmac, no Centro de Convenções e Exposições Ruth
Cardoso, em abril.
A pauta do ano em curso se iniciou com certo atraso, em 25 de abril, devido à reforma
de alguns setores da Pinacoteca, em virtude da acessibilidade que os espaços, principalmente
públicos, devem oferecer. As instalações administrativas também passam por melhorias, a fim
da modernização do setor. A mostra de abertura foi Totem e Cetim, do artista convidado
Roberto Lúcio, paraibano radicado em Recife. Dono de extenso percurso artístico, após dez

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anos de A Casa Acesa na Pinacoteca, o artista traz as obras que fizeram parte da mostra no
Santander Recife, adequando-as ao espaço alagoano.

Fig. 16 – Exposição Totem e Cetim
Fonte: Acervo Pinacoteca Universitária

O empenho da equipe permanece focado, dentre outros propósitos, em tornar a
Pinacoteca cada vez mais conhecida e frequentada, até por representar, praticamente, o único
espaço disponível à arte contemporânea em um estado em que muitos ainda a desconhecem
por questões socioculturais, desinteresse ou desinformação, apesar do trabalho de divulgação
ser feito, a cada mostra, junto aos meios de comunicação, redes sociais, emails, além de uma
mala direta com a expedição de mais de oitocentos convites. Apesar das dificuldades
inerentes a quem lida com cultura e educação no país, a visitação em 2012, abrangendo
estudantes, professores, artistas, e público em geral, chegou à marca de cinco mil cento e
dezesseis visitantes, em cinco mostras realizadas.
O tempo não para, como bem falou o compositor Cazuza em sua canção, e os projetos
e planos para a Pinacoteca pretendem continuar percorrendo esses tempos, sempre buscando
uma instituição inserida na vida da cidade e das pessoas, sólida, atualizada, democrática,
artística e educacionalmente. O papel da arte, embora tenha sido diferenciado em diversas
etapas da humanidade, é hoje, substancialmente, o da reflexão, embora a beleza e a emoção
nunca venham ser excludentes. Achar o belo e o sentimento, da forma que cada um percebe, é
tarefa que cabe a todos, educadores, artistas, crianças e jovens, adultos ou idosos,
humanizando o mundo, dentro de nós, em cada obra de arte.

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REFERÊNCIAS

BERNARD, Ben-Hur. Os ramos da arte contemporânea em Alagoas.Gazeta de Alagoas,
Maceió, 05 nov.2011. Caderno Saber, p.08
CAMPOS, Célia. Uma Visualidade: trajetória e crítica da pintura alagoana: 1892-1992.
Escrituras Editora. São Paulo, 2000. 167p.
DANTAS, Cármen Lúcia. Pinacoteca Universitária: uma trajetória de arte: 1981-1991.
Universidade Federal de Alagoas. Maceió, 1992. 48p.
INSTITUTO DE GESTÃO EDUCACIONAL SIGNORELLI. Arte, Mídia e Fundamentos da
Comunicação. Rio de Janeiro, 2008. 45p.
________. Didática do Ensino Superior. Rio de Janeiro, 2008. 81p.
________. Estética e História da Arte. Rio de Janeiro, 2008. 73p.
________. Fundamentos da Educação e Arte Terapia. Rio de Janeiro, 2008, 52p.
________. Metodologia da Pesquisa Científica. Rio de Janeiro, 2008. 81p.
________. Oficina de Artes. Rio de Janeiro, 2011. 51p.
OLIVEIRA, Clevis.Novo fôlego para a vanguarda.O Jornal, Maceió, 12 fev.2006. Caderno
Dois, p. B1.
PINACOTECA UNIVERSITÁRIA. Catálogo da Exposição: Olhar Alagoas – Arte
Contemporânea. Maceió, 2000. 40p.

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ANEXOS