DISSERTAÇÃO - A EDUCAÇÃO EM MUSEU E A PINACOTECA UNIVERSITÁRIA DA UFAL UM ESTUDO DE CASO PARA A PROPOSTA DE PLATAFORMA INTERATIVA IMERSIVA

Autoria: RAFAELLA MONTENEGRO DO AMARAL COSTA

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dissertação da servidora - Rafaella M ontenegro do Amaral Costa.pdf
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                    Christian Business School
40 Rue Alexandre Dumas Acheminement 75011 PARIS
www.cbsead.com
Identifiant : 0756680D - ISNI 0000 0005 1674 7608

CHRISTIAN BUSINESS SCHOOL
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO
MESTRADO EM CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO

RAFAELLA MONTENEGRO DO AMARAL COSTA

A EDUCAÇÃO EM MUSEU E A PINACOTECA UNIVERSITÁRIA DA UFAL
UM ESTUDO DE CASO PARA A PROPOSTA DE PLATAFORMA INTERATIVA
IMERSIVA

PARIS, 2026

Christian Business School
40 Rue Alexandre Dumas Acheminement 75011 PARIS
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RAFAELLA MONTENEGRO DO AMARAL COSTA

A EDUCAÇÃO EM MUSEU E A PINACOTECA UNIVERSITÁRIA DA UFAL
UM ESTUDO DE CASO PARA A PROPOSTA DE PLATAFORMA INTERATIVA
IMERSIVA

Dissertação apresentada ao Programa de
Pós-Graduação Mestrado em Ciências da
Educação da CHRISTIAN BUSINESS
SCHOOL, como requisito parcial para
obtenção do título de mestre em Ciências
da Educação. Área de concentração:
Educação.
Linha de pesquisa: Formação
professores e práticas pedagógicas.

de

Orientador (a): Profa. Dra. Rozineide Iraci
Pereira da Silva

PARIS, 2026

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Costa, Rafaella Montenegro Do Amaral.
A Educação em Museu e a Pinacoteca Universitária da UFAL um Estudo de
Caso para a Proposta de Plataforma Interativa Imersiva. Rafaella Montenegro
Do Amaral Costa/ Christian Business School, Paris, 2026.
108f
Dissertação (Mestrado em Ciências da Educação) – Christian Business
School, Paris, 2026.
1. Educação em museu. 2. Pinacoteca Universitária da UFAL. 3. Inovação. 4.
Acessibilidade. I. Silva, Rozineide Iraci Pereira da. orient. II. Christian
Business School. III. A Educação em Museu e a Pinacoteca Universitária da
UFAL um Estudo de Caso para a Proposta de Plataforma Interativa Imersiva.
Paris/FR/Biblioteca CBS

Elaborado por Miriam Portela Wanderley de Medeiros – CRB-4/1183

Christian Business School
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RAFAELLA MONTENEGRO DO AMARAL COSTA

A EDUCAÇÃO EM MUSEU E A PINACOTECA UNIVERSITÁRIA DA UFAL
UM ESTUDO DE CASO PARA A PROPOSTA DE PLATAFORMA INTERATIVA
IMERSIVA

Dissertação apresentada ao programa de Pós-Graduação em Ciências da Educação da
Christian Business School, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre.
Orientadora: Profa. Dra. Rozineide Iraci Pereira da Silva

Data de aprovação: 02/06/2026

__________________________________________
Dra. Rozineide Iraci Pereira da Silva
Orientadora

_____________________________________
Dr. Elton Gomes dos Reis

______________________________________
Dr. Nilton Soares Formiga

PARIS, 2026

Dedico
A Deus, pela luz e pela força que me
sustentaram em cada etapa desta
caminhada.
Ao meu esposo e à minha filha, pelo
carinho, compreensão e apoio incansável,
que tornaram possível a concretização
deste sonho.
À Pinacoteca da UFAL, instituição da qual
tenho orgulho em fazer parte, com o
desejo de que este trabalho contribua
para o enriquecimento de seu acervo e
sirva
de
referência
para
futuras
pesquisas.
A todos que, de forma direta ou indireta,
estiveram presentes nesta trajetória,
expresso
minha
gratidão
e
reconhecimento.

AGRADECIMENTOS

À minha orientadora, professora Dra. Rozineide Iraci Pereira da silva, pela
orientação firme e generosa, pelas sugestões sempre pertinentes e pelas ideias
valiosas que foram fundamentais para a construção bem-sucedida desta
dissertação.
Aos

servidores

da

Pinacoteca

e

à

designer

Janaína

Araújo,

que

acompanharam de perto o processo de elaboração deste trabalho, contribuindo com
apoio, reflexões e direcionamentos que enriqueceram minha trajetória acadêmica.
Aos colegas do mestrado, pela parceria, pelas trocas de experiências e pelo
companheirismo que tornaram esta caminhada mais leve e enriquecedora.
E, por fim, aos amigos e familiares, cuja torcida constante, incentivo e
presença foram essenciais para que eu chegasse até aqui.

Obrigada!

RESUMO
Esta dissertação fomenta novas discussões sobre o estudo de caso da Pinacoteca
Universitária da UFAL aborda a gama de desafios relacionados à visibilidade de
acervo e à construção de vínculos com a comunidade, considerando o cenário da
educação em museus nacional e regional. A Pinacoteca Universitária da UFAL ficou
fechada de 2019 até a previsão de reabertura em 2026 e a ausência de estratégias
eficazes, com a proposta de experiências imersivas, interativas e acessíveis,
limitaram o potencial do museu como espaço de aprendizagem, comprometendo a
difusão de arte e cultura, reduzindo oportunidades de engajamento da proposta da
instituição com diferentes públicos. O objetivo geral da presente pesquisa foi
Investigar de que forma as tecnologias digitais imersivas podem fortalecer a função
educativa para a ampliação da visibilidade da Pinacoteca Universitária da UFAL.
Portanto, foi necessário diagnosticar os fatores que limitam a visibilidade do acervo e
do engajamento do público; estipular proposta para o desenvolvimento de uma
plataforma digital interativa que possa promover experiências de aprendizado e a
curadoria virtual do acervo; e avaliar o impacto da proposta da plataforma de acordo
com as necessidades e expectativas dos indivíduos que fazem parte do público-alvo.
Foi utilizado no percurso metodológico os procedimentos bibliográfico, documental e
estudo de caso com uma abordagem qualitativa e quantitativa de natureza básica
com os objetivos exploratório e investigativo. Conforme resultados obtidos através
da aplicação de questionário com a colaboração de 107 participantes; análise
comparativa entre as características museológicas entre a Pinacoteca Universitária
da UFAL e o Centro de Cultura e Memória, ambos em Maceió, Alagoas; e a
contribuição de entrevista do diretor da instituição, Victor Sarmento Souto; foi
possível construir um quadro de diretrizes que podem nortear a construção de uma
plataforma interativa e imersiva para a Pinacoteca Universitária da UFAL. As
considerações apontou que é do interesse não apenas da comunidade universitária,
mas também da sociedade de modo geral, considerando a etnicidade e as
manifestações artísticas de um povo que advém de uma região em que ainda não
existe nenhum circuito de visita aos museus, ou programação oficial preparada para
visitantes de modo que a rede hoteleira da cidade está focada no litoral e no
entretenimento através de visitas a pontos de difusão do artesanato, mas não da
memória e do patrimônio local.
Palavras-chave: Educação em museu, Pinacoteca Universitária da UFAL, Inovação,
Acessibilidade.

ABSTRACT
This dissertation fosters new discussions on the case study of the UFAL University
Art Gallery, addressing the range of challenges related to the visibility of its collection
and the building of links with the community, considering the national and regional
museum education scenario. The UFAL University Art Gallery was closed from 2019
until its planned reopening in 2026, and the absence of effective strategies, with the
proposal of immersive, interactive, and accessible experiences, limited the museum's
potential as a learning space, compromising the dissemination of art and culture and
reducing opportunities for engagement with the institution's proposal with different
audiences. The general objective of this research was to investigate how immersive
digital technologies can strengthen the educational function to increase the visibility
of the UFAL University Art Gallery. Therefore, it was necessary to diagnose the
factors that limit the visibility of the collection and public engagement; to stipulate a
proposal for the development of an interactive digital platform that can promote
learning experiences and the virtual curation of the collection; and to evaluate the
impact of the proposed platform according to the needs and expectations of the
individuals who are part of the target audience. The methodological approach used
bibliographic, documentary, and case study procedures with a basic qualitative and
quantitative approach, with exploratory and investigative objectives. Based on the
results obtained through the application of a questionnaire with the collaboration of
107 participants; a comparative analysis between the museological characteristics of
the UFAL University Art Gallery and the Center for Culture and Memory, both in
Maceió, Alagoas; and the contribution of an interview with the institution's director,
Victor Sarmento Souto; it was possible to construct a framework of guidelines that
can guide the construction of an interactive and immersive platform for the UFAL
University Art Gallery. The considerations pointed out that it is in the interest not only
of the university community, but also of society in general, considering the ethnicity
and artistic expressions of a people who come from a region where there is still no
circuit for visiting museums, or official program prepared for visitors, so that the city's
hotel network is focused on the coast and entertainment through visits to points of
dissemination of handicrafts, but not on the memory and local heritage.
Keywords: Museum education, Pinacoteca Universitária da UFAL, Innovation,
Accessibility.

LISTA DE SIGLAS/ABREVIATURAS
ICOM

Conselho Internacional de Museus

IPHAN

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

UFAL

Universidade Federal de Alagoas

CNM

Cadastro Nacional de Museus

Ibram

Instituto Brasileiro dos Museus

UNEAL

Universidade Estadual de Alagoas

MUPA

Museu Palácio Floriano Peixoto

PROEXC-

Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Universidade Federal de

UFAL

Alagoas

MISA

Museu da Imagem e do Som de Alagoas

FUNTED

Fundação Teatro Deodoro

SECULT

Secretaria de Estado da Cultura

MàR

Memorial à República

MTV

Memorial Teotônio Vilela

MAPC

Museu de Arte Sacra Pierre Chalita

MTB

Museu Théo Brandão

CCM

Centro de Cultura e Memória

MUCOM

Museu do Comércio de Alagoas

TRE-AL

Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas

PMAL

Polícia Militar do Estado de Alagoas

IHGAL

Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas

HUPAA/UFAL

Hospital Universitário Professor Alberto Antunes

SAM

Sistema Alagoano de Museus

OMT

Organização Mundial do Turismo

ICOMOS

Conselho Internacional de Monumentos e Sítios

TIC

Tecnologias da Informação e Comunicação

LGPD

Lei Geral de Proteção de Dados

PCD

Pessoa com deficiência

VR

Realidade Virtual

LISTA DE FIGURAS
Figura 1 -

Fotografia do centro histórico de Penedo, Alagoas..................

25

Figura 2 -

Fotografia de uma das praças de Marechal Deodoro,
Alagoas.....................................................................................

25

Figura 3 -

Fotografia aérea do município de Piranhas, Alagoas...............

26

Figura 4 -

Mapa da disposição de instituições museais em Alagoas........

39

Figura 5 -

Fotografia do Museu do Instituto Histórico e Geográfico de
Alagoas.....................................................................................

40

Figura 6 -

Fotografia interna do Museu do Instituto Histórico e
Geográfico de Alagoas..............................................................

40

Figura 7 -

Fotografia do Museu Théo Brandão em Maceió, Alagoas........

42

Figura 8 -

Fotografia do Espaço Cultural Universitário Prof. Salomão A.
de Barros Lima, em Maceió, Alagoas.......................................

43

Figura 9 -

Fotografia do material impresso de divulgação da exposição
Vozes (1988) na Pinacoteca da UFAL......................................

44

Figura 10 -

Fotografia da exposição Olhar Alagoas: Arte Contemporânea
(1999) na Pinacoteca da UFAL.................................................

45

Figura 11 -

Fotografia da exposição Barro Oco (2001) na Pinacoteca da
UFAL.........................................................................................

46

Figura 12 -

Fotografia da exposição Jardim Suspenso (2017) na
Pinacoteca da UFAL.................................................................

46

Figura 13 -

Imagem da proposta em modelagem 3d para a nova
Pinacoteca da UFAL, no Espaço Cultural.................................

48

Figura 14 -

Imagem da entrada da Pinacoteca na proposta em
modelagem 3d para a nova Pinacoteca da UFAL, no Espaço
Cultural......................................................................................

49

Figura 15 -

Imagem do espaço da Exposição Permanente na proposta
em modelagem 3d para a nova Pinacoteca da UFAL, no
Espaço Cultural.........................................................................

50

Figura 16 -

Imagem do espaço da Reserva Técnica na proposta em
modelagem 3d para a nova Pinacoteca da UFAL, no Espaço
Cultural......................................................................................

50

Figura 17 -

Imagem da Área Administrativa na proposta em modelagem
3d para a nova Pinacoteca da UFAL, no Espaço
Cultural...................................................................................

51

Figura 18 -

Fotografia aérea do litoral da cidade de Maceió, Alagoas........

53

Figura 19 -

Fotografia da roda gigante, na cidade de Maceió, AL...............

54

Figura 20 -

Fotografia do acervo da história da escrita, disposto no
Centro de Cultura e Memória do Tribunal de Justiça de
Alagoas, em Maceió, Alagoas...................................................

57

Figura 21 -

Fotografia do interior do museu Exploratorium, em São
Francisco, nos Estados Unidos da América..............................

59

Figura 22 -

Museu Catavento em São Paulo, no estado de São Paulo......

61

Figura 23 -

Exposição Aventura no Sistema Solar no Museu Catavento
em São Paulo, no estado de São Paulo...................................

62

Figura 24 -

Museu da Gente Sergipana, em Aracaju, Sergipe....................

63

Figura 25 -

Seção Seu Cordel, no Museu da Gente Sergipana, em
Aracaju, Sergipe........................................................................

63

Figura 26 -

Qual a sua faixa etária, gênero e nível de escolaridade...........

73

Figura 27 -

Dados da demografia geográfica e acessibilidade dos
participantes..............................................................................

74

Figura 28 -

Dados sobre a frequência de visitas dos participantes a
museus......................................................................................

75

Figura 29 -

Dados sobre a tipologia de museus que os participantes
preferem....................................................................................

77

Figura 30 -

Dados sobre o conhecimento prévio dos participantes sobre a
Pinacoteca Universitária da UFAL............................................

83

Figura 31 -

Dados sobre os museus possivelmente visitados pelos 107
participantes do questionário aplicado......................................

84

Figura 32 -

Imagem retirada da exposição de acesso virtual
disponibilizada pelo próprio Centro de Cultura e Memória de
Alagoas.....................................................................................

86

Figura 33 -

Aplicativo do Centro da Cultura e Memória do Tribunal de
Justiça de Alagoas....................................................................

88

Figura 34 -

Fotografia apresentando como a Realidade Virtual, VR, é
utilizada por headset em visitante no Centro da Cultura e
Memória....................................................................................

89

Figura 35 -

Foto da visita técnica realizada pela autora ao Centro da
Cultura e Memória, evidenciando a estrutura de exposição
dos itens do acervo do espaço..................................................

90

Figura 36 -

Foto da visita técnica realizada pela autora ao Centro da
Cultura e Memória, evidenciando a estrutura dos totens
digitais.......................................................................................

91

Figura 37 -

Figura representando a Estrutura dos Pilares Estratégicos: Inovação,
Superação de Limites e contextualização...............................

96

LISTA DE QUADROS

Quadro 1

Quadro 2

Museus

catalogados

em

Alagoas,

levantamento

em

2026......................................................................................
Análise comparativa entre a Pinacoteca Universitária da UFAL e
o Centro da Cultura e Memória......................................................

27

91

SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO.......................... .......................................................................... 15
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .......................................................................... 21
2.1. Educação patrimonial ...................................................................................21
2.2. O que é a Pinacoteca ...................................................................................41
2.3. Turismo em Alagoas.....................................................................................51
2.4. Plataformas digitais interativas de equipamentos culturais .......................... 58
2.5. Os desafios e tendências no Brasil diante da inovação e da acessibilidade
das plataformas digitais interativas ..................................................................... 64
3. METODOLOGIA.................. ............................................................................... 68
3.1. Descrição das etapas....................................................................................69
3.2. Análise qualitativa e quantitativa .................................................................. 69
3.3. Análise comparativa

..................................................................................70

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO .......................................................................... 72
4.1. Perfil do público alvo.....................................................................................72
4.2. Consumo de conteúdo e visitas a museus ................................................... 74
4.3. Conhecimento sobre a Pinacoteca Universitária da UFAL........................... 82
4.4. A Pinacoteca e o Centro da Cultura e Memória ........................................... 84
4.5. Entrevista com o Diretor da Pinacoteca (2024-atual) ................................... 92
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................ 98
REFERÊNCIAS .................................................................................................... 101
APÊNDICES......................................................................................................... 104

15

1. INTRODUÇÃO
Com o progresso tecnológico, a produção, a disseminação e o acesso ao
conhecimento e à informação mudaram bastante. A tecnologia está cada vez mais
presente no dia a dia, mudando comportamentos e incentivando novas práticas de
comunicação. Assim, as organizações precisam se adaptar à rapidez da era digital,
entrando em uma corrida tecnológica. Essa mudança também é perceptível nos
espaços culturais, como os museus. Em um cenário mais contemporâneo, os
sujeitos buscam mais do que apenas conhecer o lugar ou sua história; eles desejam
experiências interativas e divertidas (Soares, 2025).
Ainda de acordo com Soares (2025), os museus, como importantes
divulgadores culturais, são mediadores de um saber antigo e auxiliam de forma
significativa no desenvolvimento da sociedade e na formação da identidade cultural,
usando memórias coletivas para contar histórias e proteger bens do passado. É
importante também enfatizar que esses espaços conseguem ser atrativos para
turistas, o que ajuda a promover e valorizar o patrimônio e a cultura local.
De modo geral, as experiências oferecidas pelos museus contemporâneos
estão diretamente relacionadas à presença e à variedade de instrumentos
tecnológicos, associadas aos saberes da memória social no âmbito do patrimônio
cultural. Esse fenômeno ocorre porque, desde o início dos anos 2000, observa-se o
crescimento e fortalecimento do uso das tecnologias digitais no cotidiano da
sociedade, o que também pode ser compreendido como o surgimento de uma
cibercultura (Lisboa, 2019). Neste contexto, os museus passaram e passam por
mudanças e ajustes visando alcançar ao público, contemplando o olhar de novas e
antigas gerações. Desta forma, novos projetos passam a ser elaborados visando a
adaptação do ambiente convencional analógico para alternativas correspondentes
digitais.
O conceito de museu transformou-se ao longo dos séculos a fim de
acompanhar as mudanças socioculturais da organização humana. Para entendê-lo,
é necessário considerar suas origens, tipologias e institucionalização. Musēum (Cf.
Equipe editorial de Conceito, 2013), do latim, trata-se de um espaço de guarda e
exposição de objetos de interesse artístico, cultural, científico ou histórico, motivado
pela necessidade humana de preservar o que possui valor.

16

Segundo Silva (2024), em 2019, durante a 25ª Assembleia Geral do ICOM
(Conselho Internacional de Museus) em Kyoto, foi adotado o que os pesquisadores
chamaram de ―nova definição de museu". Esta definição foi adotada para refletir
uma visão mais inclusiva e atual, compreendendo museus como espaços
democráticos, inclusivos e polifônicos. Museus são, portanto, espaços de diálogo
crítico sobre o passado e o futuro; neles, a sociedade é estimulada a reconhecer e
abordar controvérsias e desafios do presente. Segundo o autor, esta nova definição
de museu considera estes espaços como ambientes que preservam coleções para a
sociedade, garantindo a diversidade e igualdade de acesso ao patrimônio, tanto para
gerações presentes quanto futuras.
Os museus, segundo Soares (2025), também são instituições culturais de
grande êxito em nosso tempo, dedicadas à arte, às ciências e/ou à história. As
coleções e exposições organizadas no ambiente museal atraem e atendem a um
número cada vez maior de pessoas em todo o mundo. Cumprindo função essencial
na proteção e difusão do patrimônio cultural, espaços como a Pinacoteca
Universitária da UFAL oferecem aos visitantes a chance de interagir diretamente
com peças que remetem a distintos períodos e manifestações históricas, sejam elas
antigas ou contemporâneas.
Assim, ao mesmo tempo que preservam memórias e bens do passado, os
museus também são locais de experimentação e diálogo com produções artísticas
do presente. A arte contemporânea ganha importância ao expandir a função do
museu, aproximando o público de novas formas de expressão e exames críticos
sobre a realidade que vivenciam.
Segundo Mathias (2015), a arte contemporânea nos museus assume um
papel primordial, com foco nas práticas artísticas produzidas no presente,
caracterizadas pela dependência do objeto e pelo questionamento da autoria. Esta
abordagem crítica amplia as oportunidades de análise e vivência estética,
considerando que o objeto material como obra de arte divide sua posição com
ideias,

performances,

registros

fotográficos,

videográficos,

projetos

e/ou

intervenções, entre outras alternativas de exposição e manifestações culturais.
Neste contexto, a Pinacoteca Universitária da UFAL, fechada desde 2019 e
com reabertura prevista para 2026, passou pelo enfrentamento de obstáculos
relacionados a sua própria capacidade de visibilidade e engajamento, tanto com o
público local quanto com os turistas. Embora a Pinacoteca Universitária da UFAL

17

possua acervo de grande valor cultural e artístico para o cenário alagoano, sua
exploração, em termos educativos, permanece limitada, comprometendo o
desenvolvimento de experiências de aprendizagem não formal, no que tange a
discussão crítica e a troca de experiências ao contemplar o acervo da instituição e o
contexto por trás de sua criação. É urgente, portanto, o planejamento de estratégias
que transcendam o espaço físico e ampliem o acesso ao acervo em um ambiente
alternativo, como é o digital.
Segundo Bargmann Netto (2023), as mudanças tecnológicas e a crescente
presença da sociedade no universo digital evidenciam a necessidade de adaptação
das práticas culturais e educativas. O fechamento temporário de museus, por
exemplo, limita o acesso presencial, mas a digitalização de seus acervos possibilita
que o público continue a interagir com estes, mantendo ativas as funções educativas
e culturais. Deste modo, a adoção de plataformas digitais surge como alternativa
para ampliar o acesso às obras e integrar diferentes públicos à proposta de
exposição do conteúdo dos museus.
De acordo com o que afirmam Silva e Esteves (2024), museus que adotam
ferramentas digitais como aplicativos, exposições virtuais e plataformas interativas
ampliam significativamente seu alcance, superando barreiras físicas e geográficas.
Os autores também destacam que, além de favorecer a acessibilidade, tais recursos
podem agregar legendas, audiodescrição e interfaces adaptativas, garantindo a
inclusão de públicos com diferentes necessidades. Desta forma, versões digitais de
exposições e museus fortalecem, não apenas a dimensão cultural da experiência
dos indivíduos, mas também a função educativa das instituições.
Silva (2024) aponta que a ausência de um planejamento para a adaptação ao
digital bem elaborado limita a participação dos indivíduos no processo, e reduz as
chances de aprendizagem que os museus podem oferecer, ao não proporcionar
experiências acessíveis a todos. Segundo o autor, as formas tradicionais de
interação, focadas unicamente em visitas físicas, não atendem mais às
necessidades

de

acesso

facilitado,

experiências

interativas,

conteúdos

personalizados e maior envolvimento do público com o acervo e a experiência
cultural.
Desta maneira, pode-se considerar que a adoção de soluções digitais é
essencial para ampliar o alcance das instituições, como a Pinacoteca Universitária

18

da UFAL, incentivando a inclusão e a democratização do acesso ao patrimônio
cultural, fortalecendo o papel educativo e social desta.
De acordo com Fernandes (2023), com o avanço das tecnologias digitais, os
museus enfrentam a necessidade de se adaptar às novas demandas do público.
Conforme afirma o autor, o uso de tecnologias como visitas virtuais em 3D, realidade
aumentada e aplicativos móveis tornaram-se alternativas cada vez mais viáveis para
a criação de experiências interativas e imersivas. Essas ferramentas não apenas
incentivam a curiosidade e o aprendizado, mas também fortalecem o papel
educativo do museu, permitindo que os visitantes interajam com o acervo de uma
maneira inovadora. Segundo Fernandes (2023), a implementação de tecnologias
digitais é essencial para garantir que os museus permaneçam relevantes e
acessíveis na era digital.
Corroborando com o pensamento apresentado, Silva e Esteves (2024)
destacam que, no campo da educação, o uso de ferramentas digitais nos museus
exige planejamento cuidadoso e seleção apropriada dos recursos para que a
experiência educativa seja eficaz e significativa. De acordo com os autores, a
relação entre as tecnologias e as atividades museológicas deve considerar objetivos
claros de ensino e promover aprendizagens que envolvam diferentes perfis de
visitantes. Além disso, a implementação de plataformas digitais deve considerar o
aumento do engajamento do público, estimulando a interação, curiosidade e
fortalecimento do papel social e educativo dos museus.
Andrade (2022) também chama a atenção da comunidade de pesquisadores
no campo da educação patrimonial para o fato de museus que investem em
plataformas interativas são capazes de aumentar o tempo de engajamento e
interação do público com o acervo. Este processo, portanto, auxilia os museus a
consolidarem seu papel enquanto lugar de inovação para o ensino-aprendizagem,
oferecendo valor a novas experiências culturais proporcionadas pelos acervos dos
museus.
No caso da Pinacoteca Universitária da UFAL, criar uma plataforma interativa
é a possibilidade de oferecer uma nova forma de experienciar o acervo desta,
estimulando o público a conhecer e visitá-la; assim como também proporcionar
novos tipos de acesso, considerando as limitações físicas e comportamentais que o
público pode apresentar.

19

A hipótese apresentada pela presente investigação propõe que a criação de
uma plataforma interativa imersiva pode proporcionar alternativa para o problema de
carência da educação em museu da Pinacoteca Universitária da UFAL com a
sociedade alagoana e brasileira, considerando não apenas usuários locais, mas
também o público de turistas que não reside em Alagoas.
Como foi possível observar através das considerações dos autores
apresentados, o desenvolvimento de uma plataforma digital interativa e imersiva,
baseada em princípios da educação em museu, pode ampliar o acesso, a
participação e o engajamento do público com o museu. Desse modo, a questão que
buscou-se responder é se a proposta de criação de uma plataforma assim pode ser
capaz de fortalecer o papel educativo, social e cultural na Pinacoteca Universitária
da UFAL, promovendo experiências inclusivas, interativas e significativas para
diferentes perfis de visitantes.
A Pinacoteca Universitária da UFAL enfrenta desafios quanto à visibilidade de
seu acervo e à construção de vínculos com a comunidade, tanto local quanto
nacionalmente. O período no qual o espaço ficou fechado, de 2019 até a previsão de
reabertura em 2026; e a ausência de estratégias eficazes, com a proposta de
experiências imersivas, interativas e acessíveis, limitaram o potencial do museu
como espaço de aprendizagem, comprometendo a difusão de arte e cultura,
reduzindo oportunidades de engajamento do mesmo com diferentes públicos.
De acordo com o contexto apresentado, a proposta de uma plataforma digital
interativa através da Pinacoteca Universitária da UFAL, baseada em princípios de
educação em museu digital, acessibilidade e mediação centrada no visitante, pode
ampliar o acesso ao acervo e fortalecer o engajamento de públicos diversos.
Espera-se, portanto, ao oferecer experiências personalizadas e participativas,
que os visitantes possam assumir papel ativo na construção do conhecimento,
tornando-se receptores e coprodutores da experiência educativa.
O objetivo geral da presente pesquisa foi Investigar de que forma as
tecnologias digitais imersivas podem fortalecer a função educativa para a ampliação
da visibilidade da Pinacoteca Universitária da UFAL. Os objetivos específicos foram:


Diagnosticar os fatores que limitam a visibilidade do acervo e o engajamento
do público com a Pinacoteca Universitária da UFAL;

20


Propor o desenvolvimento de uma plataforma digital interativa que possa
promover experiências de aprendizado e a curadoria virtual do acervo da
Pinacoteca Universitária da UFAL;



Avaliar o impacto da proposta da plataforma de acordo com as necessidades
e expectativas dos indivíduos que fazem parte do público-alvo da Pinacoteca
Universitária da UFAL.
A permanência do acesso à informação, à cultura e ao entretenimento

oferecido por espaços como museus, em Alagoas, especificamente na capital, é um
problema que todos os equipamentos culturais da Universidade Federal de Alagoas
(UFAL) enfrentam. Ao tratarmos pontualmente dos aspectos que permeiam este
acesso de modo prático, como a infraestrutura oferecida pelo local, acessibilidade
para diferentes públicos e condições de guarda e manutenção do acervo, é
compreensível que a procura por estes espaços, tanto pelo público local quanto por
turistas, seja escassa.
É diante de tais condições que a presente pesquisa está inserida. À procura
de soluções que considerem o melhor custo-benefício para estes espaços do poder
público, busca-se criar a proposta de um espaço virtual que possa tornar o acervo
da Pinacoteca Universitária da UFAL e informações sobre ele salvas e acessíveis
para todos os públicos; além de ser uma oportunidade de melhorar a qualidade
deste acesso, tornando-o passível de interação e feedback, promovendo o
engajamento dos visitantes com o espaço.

21

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1.

Educação patrimonial

A fim de melhor compreender a relevância dos museus e de seus acervos,
como é o caso da Pinacoteca Universitária da UFAL, faz-se necessário, primeiro,
entender o que é a educação patrimonial.
Em 1983, o termo ―educação patrimonial" foi apresentado durante o 1º
Seminário sobre o uso Educacional de Museus e Monumentos, realizado no Brasil.
Entre as décadas de 80 e 90, o método de reconhecimento sobre a educação
patrimonial foi incorporado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(IPHAN). A educação patrimonial foi, posteriormente, difundida pelo país, orientando
trabalhos e pesquisas inicialmente nos campos de estudos e preservação ambiental,
assim como na arqueologia.
O conceito de educação patrimonial compreende o conjunto de ações que
tem por objetivo valorizar, proteger e promover o patrimônio cultural, material e
imaterial; assim como atuar na formação de consciência crítica a fim de enfatizar sua
importância.
Segundo Carvalho (2005), a educação patrimonial corresponde a uma das
formas mais eficazes para preservar o patrimônio. Tal afirmação é possível, pois é a
educação patrimonial, segundo o autor, que é capaz de promover a compreensão da
importância do patrimônio para a sociedade.
A educação patrimonial trata-se de uma forma de conscientização e
monitoramento da sociedade no que tange à preservação do patrimônio cultural.
Este, por sua vez, corresponde a um bem coletivo, sendo também um direito de
todos. A educação patrimonial, portanto, pode ser feita em espaços distintos: desde
escolas a museus, bibliotecas e outros.
Também compreendida como uma forma de alfabetização cultural, a
educação patrimonial é capaz de incentivar sujeitos a realizarem interpretações do
mundo no qual estão inseridos, estimulando-os a melhor compreender o cenário
social e cultural, assim como o contexto histórico no qual estão inseridos.
De acordo com Gazzóla (2009), é o trabalho da educação patrimonial buscar
atender toda a comunidade, através de um processo ativo de conhecimento e
valorização da herança cultural desta. A educação patrimonial, de acordo com o
autor, parte do contato direto entre os sujeitos e as manifestações culturais,

22

promovendo o melhor uso destas,

contemplando a produção de

novos

conhecimentos. Portanto, faz-se promover também a preservação da memória
cultural do povo, considerando que a compreensão sobre o que é patrimônio é
essencial para a formação da identidade do povo. A preservação do compromisso
social entre o povo e seu respectivo patrimônio cultural também é passível de
auxiliar na manutenção de bens locais.
Segundo Costa, Santos e Cutrim (2019), a educação patrimonial pode ser
utilizada como indicativo para o reconhecimento de bens patrimoniais e seus
respectivos valores. No entanto, os autores destacam que o maior obstáculo no
cenário da educação patrimonial é o desenvolvimento de atividades passíveis de
correlacionarem o que é estabelecido em teoria com a prática vivenciada pelo povo.
Planejar atividades educativas que possam auxiliar na transmissão do legado
histórico patrimonial, facilitando sua compreensão pelo povo, não é uma tarefa
simples, considerando a diversidade de sujeitos e o recorte do contexto temporal e
sociocultural destes. No contexto contemporâneo, em que a inovação tecnológica
está inserida cada vez mais no cotidiano da população, pensar em integrar novas
formas de transmissão de conhecimento patrimonial é essencial para a manutenção
da valorização dos acervos, material e imaterial, presentes em espaços como a
Pinacoteca Universitária da UFAL.
De acordo com Horta (2017), no processo educativo, há o objetivo de
transmitir aos alunos a prática de utilizarem suas respectivas capacidades
intelectuais a fim de adquirir habilidades e conceitos práticos, aplicados no contexto
de vida deles. Considerando a educação patrimonial, este processo de ensinoaprendizagem trata de instigar situações que estimulam o processo cultural e suas
manifestações, despertando nos sujeitos o interesse para a resolução de questões
importantes para estes. Neste contexto, a metodologia específica utilizada para a
educação patrimonial pode ser aplicada considerando as manifestações culturais
e/ou evidências materiais, expressões que são resultado da relação entre o povo e o
meio ambiente que habitam. Estas manifestações e evidências podem ser um
conjunto de objetos ou bens, paisagens naturais, parques, modos de fazer e saberes
populares, entre outras formas de propagação cultural.
Ainda segundo os autores acima citados, a aplicação de metodologia
adequada para a investigação do processo de descobrimento sobre a realidade
cultural de certo espaço é capaz de facilitar a percepção e o entendimento acerca

23

dos fatos e fenômenos referentes a este. É necessário, portanto, saber interpretar
tais objetos e fenômenos culturais a fim de compreender melhor o mundo no qual se
vive. Trata-se da interpretação do significado, do artístico e simbólico, sobre a
compreensão da expressão do conteúdo. No caso da Pinacoteca Universitária da
UFAL, destaca-se que é imprescindível reconhecer qual é o papel desta na
sociedade e o que seu respectivo acervo de décadas pode representar tanto para o
povo de Alagoas quanto para os visitantes.
De acordo com Caldeira (2008) in Campello & Caldeira (2008), é natural do
ser humano possuir o hábito de colecionar, sendo este por diversos motivos: afeto,
necessidade de poder material, anseio cultural, entre outros. Na Grécia, por
exemplo, era comum que cidadãos colecionarem materiais preciosos, incluindo
objetos de arte. Tal prática foi absorvida pelo povo de Roma, que, ao final de seu
Império, já reunia inúmeras coleções de artefatos provenientes de espólios de
guerra. Estas coleções também costumavam ser expostas em eventos diversos,
como eventos políticos e religiosos. Na Idade Média, foi a Igreja Católica, enquanto
instituição religiosa e um dos poderes, que acabou por ser a principal detentora de
coleções, principalmente por receber muitas doações do povo, estimulado pela
instrução do desprendimento dos bens materiais, uma pregação feita pela própria
Igreja. No final deste período, da Idade Média, foi a realeza que passou a assumir a
posse das grandes coleções e acervos. Após a formação das primeiras coleções
principescas, entre os séculos XIV e XVIII, surgiram os primeiros museus, ainda que
o acesso a estes não fosse permitido a todo tipo de público. Eram espaços
privativos, destinados à apreciação de seus proprietários e aqueles que lhes eram
próximos.
Ainda segundo Caldeira (2008) in Campello & Caldeira (2008), foi somente
após a Revolução Francesa que o acesso ao acervo das coleções nos museus,
antes privativos, tornou-se público. O Louvre, por exemplo, surgiu após a
transferência da coleção do rei Francisco I ser tornada pública por interferência do
governo francês, em 1750. Posteriormente, surgiram os primeiros museus europeus
e estadunidenses.
Segundo Julião in Nascimento (2006), foi através da ação de Dom João VI
que os primeiros museus brasileiros surgiram no século XIX. O monarca foi o
responsável pelo surgimento do primeiro museu brasileiro, o Museu Real, em 1818,
que depois veio a se tornar o Museu Nacional. Este museu deu origem,

24

posteriormente, à Casa de História Natural, ou Casa dos Pássaros, originalmente
em posse de Dom Luís de Vasconcelos. No entanto, o Museu Nacional é
considerado a primeira instituição brasileira que permitiu o amplo estudo de áreas
como etnografia, botânica, zoologia, geologia, mineralogia e antropologia. Até 1930,
já eram registrados cerca de trinta grandes museus brasileiros: o Museu Paraense
Emílio Goeldi, criado em 1866; o Museu Paulista, ou Museu do Ipiranga, criado em
1892; o Museu do Exército, criado em 1864; o Museu da Marinha, criado em 1868; o
Museu do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, criado em 1894; entre outros.
O Brasil possui, atualmente, mais de 3.700 instituições museológicas,
conforme dados do Cadastro Nacional de Museus (CNM, 2006). O Instituto Brasileiro
dos Museus (Ibram) lançou, em 2012, um levantamento estatístico sobre a ausência
do público nos museus no Distrito Federal, cujo objetivo foi subsidiar a formulação
de políticas públicas para o campo museológico. O estudo investigou os principais
motivos apontados pela população para a não frequência aos museus, bem como as
condições sociais e econômicas associadas a essa escolha (Ibram, 2012). Dessa
forma, observa-se que, além do mapeamento institucional, há também uma
preocupação crescente com a relação entre museus e seus públicos.
Ao considerar o panorama nacional, torna-se pertinente direcionar o olhar
para contextos regionais específicos, como o estado de Alagoas, que apresenta
significativa riqueza histórica e cultural, materializada sobretudo em suas cidades
históricas.

25

Figura 1 - Fotografia do centro histórico de Penedo, Alagoas.

Fonte: Foto disponível em <noticias.ufal.br/transparencia/noticias/2023/11/penedo-e-reconhecidacomo-cidade-criativa-pela-unesco>. Acesso em 16 de março de 2026.
Figura 2 - Fotografia de uma das praças de Marechal Deodoro, Alagoas.

Fonte: Foto disponível em <blog.hotelpontaverde.com.br/marechal-deodoro-como-chegar-e-o-quefazer/>. Acesso em 16 de março de 2026.

26

Figura 3 - Fotografia aérea do município de Piranhas, Alagoas.

Fonte: Foto disponível em <vidasemparedes.com.br/piranhas-alagoas-o-que-fazer/>.
Acesso em 16 de março de 2026.

Às margens do rio São Francisco, localiza-se o município de Penedo (Figura
1) (séc. XVI), cujo território abriga um conjunto arquitetônico composto por igrejas,
conventos e palacetes datados dos séculos XVII e XVIII. Esse patrimônio conferiu à
cidade o título de patrimônio histórico e cultural nacional, concedido pelo Instituto do
Patrimônio

Histórico

e

Artístico

Nacional

(IPHAN)

em

1996.

O

mesmo

reconhecimento foi atribuído a Marechal Deodoro (Figura 2), cidade detentora de
relevante acervo arquitetônico; e a Piranhas (Figura 3), que preserva bens históricos
que abrangem desde o período barroco até os séculos XVIII e XIX (Ibram, 2011).
Ainda no contexto histórico alagoano, destaca-se o município de União dos
Palmares, associado à formação de um dos mais emblemáticos movimentos de
resistência quilombola do país. Atualmente, encontra-se na região, o Parque
Memorial Quilombo dos Palmares, instituição museológica de administração pública
federal (Ibram, 2011), evidenciando a relação entre memória histórica, patrimônio
cultural e institucionalização museológica.
No que se refere à estrutura museal alagoana, o Cadastro Nacional de
Museus (CNM, 2006) identificou a existência de 61 instituições museais em Alagoas,
sendo a capital, Maceió, a cidade com maior concentração desses equipamentos
culturais, totalizando 26 unidades. Atualmente, o cadastro conta com 69 instituições
museais.

27
Quadro 1 - Museus catalogados em Alagoas, levantamento em 2026.1

1

Este quadro foi criado com as informações disponíveis no site <cadastro.museus.gov.br/museus>.
No entanto, as informações disponibilizadas estavam incompletas e, portanto, foram complementadas
através de pesquisa da autora nos sites institucionais de cada instituição citada.

28

Fonte: Disponível em <cadastro.museus.gov.br/museus>. Acesso em 25 de março de 2026.

29

Fonte: Disponível em <cadastro.museus.gov.br/museus>. Acesso em 25 de março de 2026.

30

Fonte: Disponível em <cadastro.museus.gov.br/museus>. Acesso em 25 de março de 2026.

31

Fonte: Disponível em <cadastro.museus.gov.br/museus>. Acesso em 25 de março de 2026.

32

Fonte: Disponível em <cadastro.museus.gov.br/museus>. Acesso em 25 de março de 2026.

33

34

35

36

37

38

39

Fonte: Disponível em <cadastro.museus.gov.br/museus>. Acesso em 25 de março de 2026.

A disposição dos museus em Alagoas também está disponível no site do
cadastro de museus do governo brasileiro, apresentada em um mapa (Figura 4).
Figura 4 - Mapa da disposição de instituições museais em Alagoas.

Fonte: Informações disponíveis em cadastro,museus.gov.br/museus.

A primeira instituição museológica fundada em Alagoas foi o Museu do
Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (IHGAL) (Figura 5 e 6), criado em 1869,
dedicado a estudos e pesquisas nas áreas de história, geografia e ciências sociais

40

(CNM, 2006). Seu acervo reúne aproximadamente 2.600 bens culturais, incluindo
coleções etnográficas, históricas e arqueológicas.
Com o intuito de fortalecer a gestão e a articulação dessas instituições, foi
criado o Sistema Alagoano de Museus (SAM), responsável por auxiliar na
manutenção, implementação e atualização do Cadastro Estadual de Museus, além
de incentivar e regulamentar as ações museológicas no estado. Entre as 26
instituições cadastradas, 11 possuem acervos com até 500 itens e 10 contam com
coleções de até 3.000 objetos, o que demonstra que, aproximadamente, 80% dos
museus alagoanos são constituídos por acervos de pequeno e médio porte (CNM,
2011).
Figura 5 - Fotografia do Museu do Instituto
Histórico e Geográfico de Alagoas.

Figura 6 - Fotografia interna do Museu do
Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas.

Fonte: Foto disponível em
Fonte: Foto disponível em
<gazetadealagoas.com.br/caderno-b/214455/150- <culturaeviagem.wordpress.com/2022/01/07/voc
anos-de-muita-historia>. Acesso em 16 de março
e-ja-visitou-o-mais-antigo-maior-e-melhorde 2026.
museu-de-alagoas/>. Acesso em 16 de março de
2026.

Em relação à tipologia dos acervos em Alagoas, predominam os museus de
História, seguidos pelos acervos de Imagem e Som e pelas coleções de Artes
Visuais, categorias que também apresentam maior representatividade em âmbito
nacional. Segundo pesquisa elaborada pelo Ibram, em 2011, verificou-se que a
maior parte das instituições museológicas alagoanas se encontrava aberta ao
público, havendo apenas uma unidade temporariamente fechada. Contudo, o
levantamento também evidenciou limitações estruturais, como o fato de apenas três
museus disporem de recursos voltados ao atendimento do público estrangeiro
(Ibram, 2011).

41

Esse cenário revela que, embora os museus alagoanos possuam trajetória
histórica rica e diversificada, abrangendo desde o período colonial até a
contemporaneidade, ainda enfrentam desafios relacionados à acessibilidade,
infraestrutura e ampliação de públicos.
Entretanto, persistem obstáculos significativos, especialmente no que se
refere à escassez de recursos financeiros e à insuficiência de políticas públicas
voltadas ao setor cultural, fatores que podem restringir o potencial de atuação
dessas instituições e comprometer sua sustentabilidade a longo prazo. Nesse
contexto, torna-se fundamental que sociedade e gestores públicos reconheçam os
museus como espaços estratégicos de preservação, produção e disseminação do
patrimônio cultural.
2.2.

O que é a Pinacoteca

A Pinacoteca Universitária da Universidade Federal de Alagoas (UFAL),
inaugurada em 24 de setembro de 1981, constitui-se como um importante
equipamento cultural vinculado à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proexc),
desempenhando papel significativo na promoção e difusão das artes visuais no
estado de Alagoas (Cf. Universidade Federal de Alagoas, 2024).
Ao completar quatro décadas de atuação, em 2021, a instituição consolidou
uma trajetória marcada pela realização de exposições, ações formativas e iniciativas
voltadas ao fortalecimento do circuito artístico local e nacional, reunindo artistas,
servidores e público em torno da produção artística contemporânea (Cf.
Universidade Federal de Alagoas, 2024).

42

Figura 7 - Fotografia do Museu Théo Brandão em Maceió, Alagoas.

Fonte: Foto disponível em <g1.globo.com/al/alagoas/arquivo/especialpublicitario/confea/noticia/2019/10/17/museu-de-antropologia-amplia-o-acesso-da-populacao-acultura-e-a-arte-em-alagoas.ghtml>. Acesso em 16 de março de 2026.

Criada inicialmente com a proposta de funcionar como galeria de arte, a
Pinacoteca teve suas primeiras atividades instaladas no subsolo do Museu Théo
Brandão (Figura 7), localizado no bairro do Jaraguá, em Maceió. Posteriormente, em
1988, foi transferida para o Espaço Cultural Universitário (Figura 8), situado no
centro da cidade, onde passou a ocupar três salões no primeiro andar do edifício,
configuração que permanece até os dias atuais.

43

Figura 8 - Fotografia do Espaço Cultural Universitário
Prof. Salomão A. de Barros Lima, em Maceió, Alagoas.

Fonte: Foto disponível em <g1.globo.com/al/alagoas/arquivo/especialpublicitario/confea/noticia/2019/10/17/museu-de-antropologia-amplia-o-acesso-da-populacao-acultura-e-a-arte-em-alagoas.ghtml>. Acesso em 16 de março de 2026.

Desde sua fundação, conforme destacou Íris Daniele, diretora da Pinacoteca
de 2019 a 2024, a instituição realizou e recebeu exposições que contemplaram
diferentes técnicas, linguagens e estilos artísticos, abrangendo desde manifestações
da cultura popular até produções contemporâneas, com participação de artistas
alagoanos, nacionais e internacionais.
Além das exposições, a Pinacoteca também desenvolveu cursos e eventos
em parceria com instituições culturais públicas e privadas, como a Fundação
Nacional de Artes (Funarte), na década de 1980, e o Itaú Cultural, nos anos 2000.
Um momento decisivo em sua trajetória ocorreu na década de 1990, quando,
após reforma estrutural, o equipamento cultural passou por redefinição institucional,
adotando maior ênfase na arte contemporânea. Desde então, consolidou-se como
espaço voltado prioritariamente à realização de exposições temporárias, ampliando

44

sua visibilidade nos cenários artístico local e nacional. Ao longo de sua história, a
Pinacoteca sediou exposições de destaque que contribuíram para a consolidação de
sua identidade institucional.
Entre essas iniciativas, destaca-se a exposição Quatro Vozes (Figura 9),
realizada em 1988, que marcou a reabertura do Espaço Cultural Universitário e
reuniu obras dos artistas David Largman, Jadir Freire, Mário Azevedo e Rogério
Gomes, então gestor da Pinacoteca.
Posteriormente, em 1999, a mostra Olhar Alagoas: Arte Contemporânea
(Figura 10) assinalou a inauguração definitiva da Pinacoteca no primeiro andar do
Espaço Cultural da UFAL, inaugurando novas instalações expositivas destinadas às
mostras temporárias. Na ocasião, quinze obras foram incorporadas ao acervo
institucional por meio de doação.
Figura 9 - Fotografia do material impresso de divulgação da
exposição Vozes (1988) na Pinacoteca da UFAL.

Fonte: Foto disponível em <instagram.com/p/CzEzaq9pwgt/?hl=en&img_index=3>.
Acesso em 16 de março de 2026.

45

Figura 10 - Fotografia da exposição Olhar Alagoas:
Arte Contemporânea (1999) na Pinacoteca da UFAL.

Fonte: Foto disponível em <noticias.ufal.br/ufal/noticias/2021/9/pinacoteca-da-ufal-faz-40-anos-dededicacao-as-artes-visuais-em-alagoas>. Acesso em 16 de março de 2026.

Durante os anos 2000, a Pinacoteca continuou a sediar exposições
relevantes, entre elas O universo de três mulheres e seu reflexo na arte
contemporânea (2001), com obras da designer de moda Vera Arruda e das artistas
plásticas Jeanine Toledo e Daniela Aguilar, bem como Barro Oco (Figura 11), no
mesmo ano, com trabalhos de Eva Le Campiom. Em 2009, a exposição Maceiópolis,
Maceioca, Maceiótima, do artista Lula Nogueira, recebeu mais de 1,8 mil visitantes,
enquanto Jardim em Suspenso (Figura 12), de Karla Mellanias, realizada em 2017,
contabilizou quase 1,2 mil visitantes. Esses dados evidenciam o interesse do público
local pelas artes visuais e reforçam a importância da Pinacoteca como espaço de
encontro entre artistas e sociedade.

46

Figura 11 - Fotografia da exposição Barro Oco (2001) na Pinacoteca da UFAL.

Fonte: Foto disponível em <pinacoteca.ufal.br/exposicoes/temporarias/barro-oco>.
Acesso em 16 de março de 2026.
Figura 12 - Fotografia da exposição Jardim Suspenso (2017) na Pinacoteca da UFAL.

Fonte: Foto disponível em <noticias.ufal.br/ufal/noticias/2017/3/programacao-especial-marcaencerramento-da-exposicao-jardim-em-suspenso>. Acesso em 16 de março de 2026.

Outro marco institucional relevante ocorreu em 2006, quando as exposições
passaram a ser

selecionadas por um

Conselho Curador,

posteriormente

denominado Comissão de Pauta após alterações no Estatuto e no Regimento da
UFAL. Formada por artistas, professores e servidores da instituição, a comissão
estabeleceu critérios curatoriais e editais públicos para seleção das exposições,

47

substituindo o modelo anterior baseado em convites diretos ou solicitações
informais, o que contribuiu para maior transparência e profissionalização dos
processos expositivos.
Enquanto equipamento cultural universitário, a Pinacoteca mantém diálogo
constante com a comunidade acadêmica. Ao longo das últimas décadas, estudantes
de diversos cursos de graduação da UFAL participaram de suas atividades,
sobretudo no atendimento ao público e na mediação cultural durante visitas
individuais e em grupo. Essa experiência é compreendida pela gestão da instituição
como elemento formativo relevante, contribuindo para o desenvolvimento pessoal e
profissional dos estudantes ao ampliar suas percepções culturais e possibilidades de
atuação no campo artístico e cultural.
A participação discente também se manifesta na realização de projetos
expositivos organizados pelos próprios estudantes, como a exposição fotográfica
MEU na moda – 2ª edição: Povo Alagoano, resultante dos trabalhos de conclusão de
curso da turma de 2015 de Produção de Moda da Escola Técnica de Artes da UFAL.
De modo semelhante, editais de extensão universitária, como o Proinart,
possibilitaram a realização da mostra Cidades & Signos: um intercurso pela arte
(2018), reunindo estudantes dos cursos de Arquitetura e Urbanismo, Design, Teatro
e Direito, evidenciando o caráter interdisciplinar das ações promovidas pela
instituição.
No contexto de transformações durante 2020, especialmente com a pandemia
de Covid-19, a Pinacoteca enfrentou o desafio de manter suas atividades mesmo
com a suspensão das visitas presenciais, agravada pelas reformas estruturais do
prédio do Espaço Cultural. Como estratégia de aproximação com o público, a equipe
desenvolveu ações digitais voltadas à difusão do acervo, como o Quiz da Pina
UFAL, a divulgação diária de obras nas redes sociais e a criação de jogos
educativos disponibilizados online, buscando ampliar o contato da sociedade com o
patrimônio artístico por meio do ambiente virtual.
Entre as iniciativas realizadas nesse período destaca-se o projeto
desenvolvido em parceria com a Escola Estadual Onélia Campelo, em Maceió,
coordenado pelo professor Luciano Falcão. A ação levou o acervo da Pinacoteca a
estudantes do ensino fundamental e médio durante o mês de outubro de 2020,
culminando na campanha Onélia Pinaconectada: interpretações do acervo da Pina
UFAL. A proposta incluiu atividades educativas, visitas virtuais e produções artísticas

48

realizadas pelos alunos, que interpretaram obras do acervo por meio de pinturas
corporais, arte digital, colagens e desenhos, ampliando o alcance social e
pedagógico da instituição.
A Pinacoteca Universitária mantém suas atividades com equipe composta por
servidores das áreas administrativa e museológica, além da direção. Ainda assim, a
continuidade das ações desenvolvidas evidencia o compromisso institucional com a
democratização do acesso à arte e com a formação cultural da sociedade,
reafirmando o papel da Pinacoteca como espaço de preservação, experimentação
artística e extensão universitária.
Em 2026, a Pinacoteca atravessa um processo de reabertura. O espaço, após
devido acompanhamento arquitetônico e técnico, recebeu proposta de nova
disposição espacial (Figura 13). Segundo esta nova proposta, a pinacoteca está
dividida em: (1) exposição permanente; (2) reserva técnica; (3) museologia; (4) área
administrativa. A nova Pinacoteca também mudou de acesso, disposta no térreo ao
invés de acessível no primeiro andar do prédio, o que facilita a acessibilidade dos
visitantes com limitações de locomoção.
Figura 13 - Imagem da proposta em modelagem 3d para a nova
Pinacoteca da UFAL, no Espaço Cultural.

Fonte: Imagem disponível em acervo próprio.

Como é possível observar nas imagens a seguir, a Pinacoteca da UFAL foi
repensada para, apesar do espaço reduzido, se comparada ao espaço original que a

49

mesma possuía no primeiro andar do prédio, ser um ambiente que oferece conforto
acústico, lumínico e térmico, acessível para os visitantes e para a equipe de trabalho
da instituição. Pode-se observar uma entrada ampla e climatizada (Figura 14), que
antecede o salão principal com a Exposição Permanente da Pinacoteca (Figura 15),
ao lado dos espaços de área administrativa (Figura 16) e reserva técnica (Figura
17), onde são mantidas as obras do acervo que não estão expostas no salão
principal.
Figura 14 - Imagem da entrada da Pinacoteca na proposta em modelagem 3d para a nova
Pinacoteca da UFAL, no Espaço Cultural.

Fonte: Imagem disponível em acervo próprio.

50

Figura 15 - Imagem do espaço da Exposição Permanente na proposta em modelagem 3d para a
nova Pinacoteca da UFAL, no Espaço Cultural.

Fonte: Imagem disponível em acervo próprio.
Figura 16 - Imagem da Reserva Técnica na proposta em modelagem 3d para a nova Pinacoteca
da UFAL, no Espaço Cultural.

Fonte: Imagem disponível em acervo próprio.

51

Figura 17 - Imagem do espaço da Área Administrativa na proposta em modelagem 3d para a
nova Pinacoteca da UFAL, no Espaço Cultural.

Fonte: Imagem disponível em acervo próprio.

A seguir, a fim de explorarmos a natureza turística do estado de Alagoas e da
cidade de Maceió, será aprofundada a investigação sobre o turismo local.
2.3.

Turismo em Alagoas

A Organização Mundial do Turismo (OMT, 2001) define o turismo cultural
como o movimento de pessoas motivado essencialmente por interesses culturais,
incluindo viagens de estudo, participação em festivais e eventos artísticos, visitas a
sítios e monumentos históricos, além de deslocamentos voltados à apreciação da
natureza, da arte, do folclore e das peregrinações. Essa definição evidencia o
caráter experiencial e educativo do turismo cultural, distinguindo-o de modalidades
centradas exclusivamente no lazer ou no consumo recreativo.
De modo complementar, a Carta de Turismo Cultural do Conselho
Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS, 1999) conceitua o turismo cultural
como uma forma de turismo cujo objeto central consiste no conhecimento de
monumentos, sítios históricos e artísticos e demais elementos do patrimônio cultural.
O documento destaca, ainda, a estreita relação entre turismo e preservação
patrimonial, ao considerar que o turismo cultural pode exercer impactos positivos
sobre o patrimônio, contribuindo para sua manutenção, proteção e valorização
social.

52

Nesse sentido, os esforços destinados à conservação do patrimônio
justificam-se não apenas por sua relevância histórica e simbólica, mas também pelos
benefícios socioculturais e econômicos proporcionados às comunidades envolvidas
(ICOMOS, 1999).
O turismo cultural passa a ser compreendido como um aliado estratégico na
conservação patrimonial, na medida em que amplia o conhecimento público sobre
os bens culturais, favorece o acesso da população e estimula processos de
sensibilização e pertencimento, fundamentais para o fortalecimento das práticas de
preservação.
A perspectiva adotada pelo Conselho Internacional de Monumentos e Sítios
amplia o conceito de patrimônio ao integrá-lo ao meio ambiente natural e cultural,
abrangendo paisagens, conjuntos históricos, sítios naturais e construídos,
biodiversidade, acervos culturais, práticas tradicionais e contemporâneas e sistemas
de conhecimento (ICOMOS, 1999). Tal abordagem evidencia a compreensão do
patrimônio como fenômeno dinâmico, constituído tanto por dimensões materiais
quanto imateriais.
No contexto nacional, o turismo cultural tem sido apontado pelas políticas
públicas como alternativa relevante para a geração de emprego e renda,
especialmente em localidades afastadas do litoral, onde o turismo de sol e praia,
predominante no país, apresenta menor potencial de desenvolvimento.
Nessa perspectiva, trata-se de uma modalidade frequentemente associada à
sustentabilidade, por promover a valorização cultural e contribuir para a melhoria da
qualidade de vida das populações locais, posicionando-se em contraposição ao
turismo de massa, reconhecido por seus impactos socioambientais negativos.
Além disso, o desenvolvimento do turismo cultural tem sido compreendido
como estratégia para inserção das cidades em um cenário de competitividade
global. Ao projetarem imagens culturais específicas e investirem em estratégias de
marketing territorial, os centros urbanos buscam ampliar sua capacidade de atração
turística e captar investimentos e fluxos internacionais, atendendo à necessidade de
aumentar a capacidade de atração do produto cidade (Sánchez, 1999).
Em Alagoas, ao procurar por turismo, é comum que o visitante encontre
imagens como a da vista do litoral da cidade de Maceió (Figura 18), com a visão
aérea dos recifes de corais e das praias atrativas da cidade; ou ainda com a mais
nova atração turística, a roda gigante, inaugurada em 2025 (Figura 19).

53

Figura 18 - Fotografia aérea do litoral da cidade de Maceió, Alagoas.

Fonte: Foto disponível em <movimentoeconomico.com.br/economia/2024/08/18/turismo-emalagoas-deve-superar-faturamento-de-r-2-bi-na-alta-temporada/>. Acesso em 16 de março de
2026.

54

Figura 19 - Fotografia da roda gigante, na cidade de Maceió, AL.

Fonte: Foto disponível em <cadaminuto.com.br/noticia/2025/09/18/roda-maceio-inicia-testes-deluz-e-se-aproxima-da-inauguracao-na-orla-da-capital>. Acesso em 16 de março de 2026.

As transformações observadas no turismo contemporâneo reforçam essa
tendência. Diferentemente do turismo massivo característico de meados do século
XX, o turismo do início do novo milênio apresenta mudanças significativas nas
preferências dos visitantes, que passam a buscar experiências significativas em vez
de apenas produtos ou serviços turísticos, ampliando territorialmente o mercado
turístico (Beni, 2004).
Nesse cenário, o Ministério do Turismo brasileiro passou a adotar princípios
vinculados à chamada economia da experiência, abordagem que considera um
consumidor orientado por valores simbólicos, emoções e vivências.
Vivenciar, nesse contexto, significa estabelecer relações sensoriais e
interpretativas com o objeto cultural visitado, seja por meio da compreensão e
valorização do patrimônio, seja pela participação em atividades contemplativas,
educativas ou de entretenimento associadas ao atrativo turístico (Beni, 2004).
As novas demandas do público turístico revelam um visitante mais informado
e exigente, cuja decisão de consumo é influenciada por conteúdos digitais e
interações em redes sociais. Na economia da experiência, conforme afirma Rifkin
(2001), ideias, conceitos e imagens passam a assumir maior valor do que bens

55

materiais, configurando uma mudança estrutural nas dinâmicas econômicas
contemporâneas. Essa tendência global influencia diretamente a atividade turística,
que passa a buscar diferenciação por meio da oferta de experiências memoráveis e
emocionalmente significativas (Rifkin, 2001).
Dessa forma, o turismo cultural consolida-se como nicho específico de
mercado, no qual as motivações dos visitantes estão associadas à atratividade dos
sítios culturais, eventos e experiências simbólicas oferecidas. Contudo, seu
desenvolvimento depende de processos estruturados de planejamento interpretativo
capazes de transformar o patrimônio cultural em experiência significativa para o
visitante (Rifkin, 2001).
Entre os principais entraves ao desenvolvimento do turismo cultural destacase a tendência de restringi-lo apenas à restauração e conservação física do
patrimônio, desconsiderando aspectos relacionados à gestão e à construção do
produto turístico.
Conforme observa Goodey (2002) in Murta & Albano (2002), a simples
abertura de atrações patrimoniais não garante a atração e o engajamento dos
visitantes, tornando necessário repensar os usos sociais e comunicacionais do
patrimônio cultural. No caso da Pinacoteca da UFAL, é necessário considerar
também os aspectos que impulsionam os visitantes a conhecer o espaço físico da
instituição, tornando-a interativa e interessante, enquanto experiência, para o
público.
Nesse contexto, a compreensão dos gestores e profissionais de planejamento
acerca das especificidades do turismo cultural torna-se elemento central para a
sustentabilidade da atividade. Para que bens patrimoniais recebam valor no circuito
turístico, é necessário que sejam interpretados e ressignificados, permitindo
múltiplas leituras e experiências capazes de gerar conhecimento, emoções e
atitudes dos visitantes.
A interpretação do patrimônio é entendida como a arte de tornar acessível o
significado dos bens culturais e dos modos de vida humanos, constituindo-se como
ato comunicativo que transforma o patrimônio cultural em ativo de interesse social e
turístico (Goodey, 2002, in Murta & Albano, 2002). Assim, a interpretação assume
papel fundamental na ativação simbólica do patrimônio.
O desenvolvimento do turismo cultural depende, portanto, de planejamento
interpretativo estruturado, que envolve inventariação dos recursos culturais, análise

56

de mercado e público-alvo, definição de métodos interpretativos adequados à
realidade local, além de estratégias de promoção e gestão. Esse processo deve ser
conduzido por equipes multidisciplinares sensíveis às especificidades culturais e às
demandas dos visitantes (Goodey, 2002, in Murta & Albano, 2002).
A participação conjunta do poder público e da população local constitui
condição essencial para a efetividade desse planejamento. Na ausência dessa
parceria, existe o risco de transformação do patrimônio em mero espetáculo cultural
voltado a um mercado descomprometido com sua sustentabilidade (Goodey, 2002,
in Murta & Albano, 2002).
Além disso, o consumo turístico de um espaço cultural não depende
exclusivamente de seu valor histórico ou artístico, mas também da gestão integrada
dos espaços de visitação, incluindo planejamento urbano, mobilidade, controle de
fluxos, capacidade de carga, hospitalidade da comunidade local e construção da
imagem do destino no ambiente digital (Rifkin, 2001).
Como destaca Pérez (2009), a interpretação configura-se como instrumento
de planejamento territorial e de definição de políticas de uso social do patrimônio
cultural. Trata-se de um processo que exige reconhecer valores que ultrapassam os
registros da história oficial, sendo construído a partir das relações estabelecidas com
a população local e da compreensão de seu cotidiano, saberes e práticas culturais.
O turismo em Alagoas é uma atividade voltada principalmente para o litoral e
para o acesso às praias paradisíacas do estado. No entanto, em regiões distantes
do litoral, é comum que outros cenários sejam explorados, como o turismo adotado
em cidades como Marechal Deodoro, Penedo, Piranhas, entre outras localidades
mais afastadas da grande capital, Maceió.
Em Maceió, pode-se encontrar outras atrações culturais e museológicas no
antigo bairro de Jaraguá. Entre estas, observa-se o Museu da Imagem e do Som; a
Associação Comercial de Alagoas; a sede do Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional na cidade; o Museu Théo Brandão; entre outros.
Além destas atrações culturais, pode-se observar a permanência de
localização para comércio do artesanato local, como o Pontal da Barra; o Mercado
31 em Jaraguá; a Feirinha do Artesanato na Pajuçara; e o Pavilhão do Artesanato, a
frente desta última. Em alguns períodos do ano, como Carnaval e São João, a
cidade recebe um tratamento visual específico oriundo do governo, a fim de atrair e
encantar os visitantes.

57

Um dos mais acessíveis e interativos espaços na cidade de Maceió, enquanto
instituição histórica e cultural, é o Centro de Cultura e Memória. Localizado no
Tribunal de Justiça de Alagoas, no bairro do Centro de Maceió, é um espaço com
proposta interativa e imersiva, atraente para o público local e visitantes de outras
regiões.
Como é possível observar (Figura 20), o espaço é climatizado, possui
tratamento acústico e lumínico, segurança, além de oferecer acompanhamento para
as exposições através de mediação, assim como conta com uma versão virtual do
acervo permanente. O espaço virtual pode ser acessado pelo portal da memória,
disponível no site do Centro de Cultura e Memória, e conta com uma visão em 360º,
capaz de proporcionar aos visitantes uma experiência mais imersiva e conectada
com a realidade do espaço.
Figura 20 - Fotografia do acervo da história da escrita, disposto no Centro de Cultura e Memória
do Tribunal de Justiça de Alagoas, em Maceió, Alagoas.

Fonte: Matéria intitulada ―Exposição do TJAL sobre a história da escrita está exposta em Belo
Horizonte‖, disponível em <memoria.tjal.jus.br/>. Acesso em 16 de março de 2026.

A seguir, tratou-se mais como o emprego de plataformas digitais que
promovem interação para equipamentos culturais como museus e outras instituições
culturais.

58

2.4.

Plataformas digitais interativas de equipamentos culturais

Os museus configuram-se como importantes atrativos turísticos, uma vez que
concentram parte significativa do conhecimento e das experiências culturais
buscadas pelos visitantes durante suas viagens.
Nesse sentido, essas instituições não atraem apenas o público local, mas
também despertam o interesse daqueles que chegam a um destino turístico e
procuram compreender sua identidade cultural e seus principais referenciais
simbólicos (Rodrigues, 2001).
Historicamente, os museus possuem estreita relação com o turismo cultural,
sendo reconhecidos como alguns dos primeiros espaços visitados pelos turistas em
busca de contato com a cultura local. As atrações vinculadas ao turismo cultural,
entre elas os museus, apresentam elevado potencial para a geração de demanda
turística. Em muitos destinos, a presença de museus integra naturalmente os
roteiros de visitação, tornando-se elemento estruturante da experiência turística
(Rodrigues, 2001).
Assim, determinados lugares passam a ser fortemente associados às suas
instituições museológicas, que se consolidam como centros de convergência de
visitantes. Segundo o Conselho Internacional de Museus, existem mais de 55 mil
museus em todo o mundo (ICOM, 2017), evidenciando a relevância global dessas
instituições.
Dessa forma, os museus assumem papel estratégico nas sociedades
contemporâneas, contribuindo não apenas para a preservação cultural, mas também
para o crescimento econômico, especialmente por meio do turismo cultural. Em
determinados contextos, essas instituições exercem influência catalisadora no
desenvolvimento turístico regional, podendo inclusive determinar a consolidação de
destinos turísticos (Plaza, 2000).
No Brasil, a relevância dos museus como atrativos turísticos segue tendência
semelhante. Segundo Plaza (2000), o país possui mais de três mil instituições
museológicas,

muitas

das

quais

desempenham

papel

importante

no

desenvolvimento do turismo cultural regional. Assim, visitar museus constitui
frequentemente uma das primeiras atividades planejadas pelos turistas interessados
em vivenciar a cultura local (Barretto, 2008).

59

Paralelamente à ampliação de sua função turística, os museus vêm passando
por transformações significativas em sua concepção institucional. Essas instituições
deixaram de ser compreendidas exclusivamente como espaços de exposição de
objetos para se consolidarem como ambientes de aprendizagem, entretenimento e
experiência cultural (Rodrigues, 2001). Nesse processo, os museus tornam-se
progressivamente menos contemplativos e mais participativos, estimulando o
envolvimento ativo dos visitantes.
Uma das estratégias adotadas para ampliar o engajamento do público foi a
incorporação da interatividade nas exposições. Museus de ciência destacam-se
como pioneiros nesse movimento, especialmente o Exploratorium (Figura 21),
fundado em 1969, em São Francisco. O idealizador do Exploratorium, Frank
Oppenheimer, buscava tornar fenômenos naturais acessíveis ao público geral
(Barretto, 2008).
Figura 21 - Fotografia do interior do museu Exploratorium,
em São Francisco, nos Estados Unidos da América.

Fonte: Fotografia disponível em <exploratorium.edu/rentals/full-facility-gallery-bundles>.
Acesso em 16 de março de 2026.

No campo museológico, a interatividade estabelece uma relação dinâmica
entre visitante e exposição, favorecendo processos comunicacionais mais eficazes.
Nesse contexto, as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) passaram a

60

desempenhar papel central na renovação das práticas museológicas (Hughes &
Moscardo, 2017).
A incorporação de recursos tecnológicos possibilita novas formas de
mediação cultural, amplia a aprendizagem dos visitantes e contribui para a atração
de novos públicos. Assim, o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação
(TIC) configura-se como tendência contemporânea da museologia, permitindo
experiências mais participativas e imersivas (Hughes & Moscardo, 2017).
Essa transformação relaciona-se ao conceito de museu participativo proposto
por Simon (2010), que compreende o visitante como usuário ativo, capaz de produzir
significados e colaborar na construção das experiências museais. O chamado
Museu 2.0 baseia-se em três princípios fundamentais: (1) centralidade do usuário;
(2) construção individual de significados culturais; e (3) participação do público na
dinâmica expositiva (Simon, 2010).
Nesse cenário, as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) ampliam
as possibilidades de difusão do patrimônio cultural ao diversificar as formas de
apresentação e compartilhamento de conteúdo, permitindo experiências antes
inviáveis no ambiente museológico tradicional. Embora a inserção dos museus na
internet tenha ocorrido de maneira relativamente tardia, observa-se crescente
utilização do ambiente digital como estratégia de comunicação, promoção
institucional e mediação cultural (Simon, 2010).
Atualmente, grande parte dos museus possui presença online, seja por meio
de

blogs,

sites

institucionais

ou

plataformas

interativas,

frequentemente

denominadas museus virtuais. Esses ambientes digitais permitem não apenas a
divulgação institucional, mas também auxiliam o visitante no planejamento da visita
presencial, oferecendo informações prévias sobre acervos e exposições (Henriques,
2004).
Segundo Henriques (2004), os museus no ambiente virtual podem ser
classificados em três categorias: a primeira corresponde ao (1) museu-folheto
eletrônico, cuja função principal é apresentar informações institucionais básicas,
funcionando como instrumento de comunicação e marketing; a segunda categoria
refere-se ao (2) museu no mundo virtual, que disponibiliza conteúdos mais
aprofundados, visitas virtuais e acesso ampliado aos acervos, inclusive exposições
já desmontadas fisicamente; por fim, a terceira categoria corresponde aos (3)

61

museus verdadeiramente interativos, nos quais a interatividade constitui elemento
central da experiência digital.
No caso dos museus verdadeiramente interativos, o ambiente virtual não
apenas replica o museu físico, mas atua como extensão complementar da
instituição, oferecendo novas formas de interação e participação do público,
mantendo, contudo, os mesmos objetivos institucionais (Henriques, 2004).
Um exemplo de museu verdadeiramente interativo é o Museu Catavento
(Figura 22), em São Paulo, inaugurado em 2009. O museu conta com quatro
sessões interativas, voltadas para o ensino de ciências. O museu ainda disponibiliza
um acervo de exposições virtuais, acessíveis no site do mesmo. Uma das sessões, a
Universo, já realizou a exposição Uma aventura no sistema solar, que contava com
a proposta de uma sala simulando uma nave espacial, para que o visitante fosse
convidado a ser um astronauta, conhecendo o lado oculto da lua, realizando reparos
no telescópio Hubble e desvendando mistérios do universo (Figura 23).
Figura 22 - Museu Catavento em São Paulo, no estado de São Paulo.

Fonte: Fotografia disponível em <museucatavento.org.br/quem-somos>.
Acesso em 16 de março de 2026.

62

Figura 23 - Exposição Aventura no Sistema Solar no
Museu Catavento em São Paulo, no estado de São Paulo.

Fonte: Fotografia disponível em <museucatavento.org.br/universo>.
Acesso em 16 de março de 2026.

No Nordeste, na capital de Sergipe, Aracaju, desde 2011, há o primeiro
museu multimídia interativo das regiões Norte e Nordeste, o Museu da Gente
Sergipana (Figura 24). Com instalações que possuem uma série de recursos
tecnológicos, o visitante é incentivado a mergulhar na história de Sergipe e dos
sergipanos. Além de conhecer a riqueza do patrimônio cultural material e imaterial
do estado, como a arte dos mamulengos (teatro de bonecos), os visitantes podem
interagir com o feirante ―Josevende‖, que oferece seus produtos e mercadorias, um
exemplo de como estes espaços também podem incluir o estímulo ao comércio
local.

63

Figura 24 - Museu da Gente Sergipana, em Aracaju, Sergipe.

Fonte: Fotografia disponível em <museudagentesergipana.com.br/museu>.
Acesso em 16 de março de 2026.
Figura 25 - Seção Seu Cordel, no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju, Sergipe.

Fonte: Fotografia disponível em <institutomarcelodeda.com.br/museu-da-gente-sergipana-edestaque-na-revista-galileu/>. Acesso em 16 de março de 2026.

64

Na sessão Seu Cordel (Figura 25), no Museu da Gente Sergipana, o visitante
é convidado a gravar seu próprio cordel como se estivesse em um karaokê, uma
forma interativa e atrativa para todos os públicos. Estes são apenas alguns
exemplos de como ideias criativas e propostas viáveis financeiramente podem
mudar e melhorar a experiência dos visitantes nos museus brasileiros.
A seguir, explorou-se mais a fundo a discussão sobre os desafios e as
tendências no país acerca de propostas de inovação e acessibilidade através do
emprego de plataformas digitais interativas em espaços de cultura, educação e
entretenimento como museus.
2.5.

Os desafios e tendências no Brasil diante da inovação e da acessibilidade
das plataformas digitais interativas

A sociedade contemporânea tem sido marcada por profundas transformações
associadas à ampliação do acesso à comunicação e à informação. Entre essas
mudanças, destaca-se o surgimento e a consolidação da internet, que possibilitou
aos usuários acesso imediato a conteúdos diversos, além de maior autonomia na
construção de processos de aprendizagem e interação social.
Por meio de ambientes virtuais, tornou-se possível visitar diferentes espaços,
compartilhar ideias e interagir tanto com pessoas quanto com contextos culturais
distintos, ampliando significativamente as formas de experiência mediadas pela
tecnologia. Com a expansão da internet, multiplicaram-se também as formas de
acesso ao conhecimento, levando diferentes instituições educacionais e culturais a
transpor parte de suas experiências para o ambiente digital.
Nesse contexto, os museus passaram a integrar progressivamente o espaço
virtual. Conforme afirma Henriques (2004), como qualquer instituição, museus estão
presentes na internet, sendo que a criação de sites institucionais se intensificou a
partir da década de 1990, acompanhando o avanço das tecnologias digitais. A partir
desse movimento, tornou-se comum denominar tais espaços digitais como museus
virtuais, ainda que o termo seja empregado de maneiras diversas e, por vezes,
imprecisas. Ou seja, nem sempre um museu conectado à internet é um museu
virtual.
Observa-se, portanto, a existência de uma multiplicidade terminológica
relacionada aos museus disponíveis na internet. Diferentes denominações como
ciber museus, museus eletrônicos, museus on-line, museus digitais ou museus na

65

internet, são frequentemente utilizadas de forma sobreposta ou até contraditória
(Henriques, 2004).
Svilicic (2010) destaca justamente a ausência de uma abordagem conceitual
padronizada, questionando se tais termos podem ser considerados sinônimos e
apontando que não foi encontrada uma definição clara do momento temporal da
aparição da instituição museu na internet. Essa indefinição conceitual evidencia a
necessidade de aprofundamento teórico sobre o tema.
Diante do cenário da investigação sobre a integração entre os museus e a
internet, emerge a discussão sobre o que define um museu virtual. Tal discussão
ganha relevância ainda maior quando considerada à luz do contexto pandêmico
provocado pela Covid-19, que agravou a reflexão acerca de como o entretenimento,
a cultura e a educação podem ser acessíveis de formas não presenciais.
Nesse contexto de restrições presenciais, os museus virtuais passaram a
adquirir maior visibilidade e relevância social, tanto no campo educacional quanto no
acadêmico. O fechamento físico das instituições impulsionou debates sobre
alternativas digitais de acesso ao conhecimento, fenômeno igualmente observado no
campo educacional, com a ampliação das discussões acerca do ensino remoto
(Henriques, 2004).
Conforme afirma Aksoy (2020), presidente do International Council of
Museums (ICOM), paradoxalmente, mesmo com suas portas fechadas, os museus
tornaram-se mais acessíveis do que nunca por meio da oferta ampliada de tours
virtuais, coleções digitais e conteúdos on-line.
Considerando a internet e as Tecnologias da Informação e Comunicação
(TIC) como elementos fundamentais para o surgimento dessa tipologia museológica,
Cazaux (2019) destaca que museus virtuais são oriundos da era da internet, uma
vez que tais tecnologias introduziram novas possibilidades de acesso cultural e
informacional no cotidiano social.
No campo educacional, pesquisas também têm evidenciado o potencial das
tecnologias digitais para ampliar oportunidades de aprendizagem e motivação dos
estudantes. Nesse sentido, a disponibilização de conteúdos culturais em ambiente
digital torna-se estratégica, permitindo acesso independentemente de limitações
temporais ou geográficas. A internet contribui, assim, para aproximar museus e
sociedade, despertando interesse prévio dos usuários e incentivando futuras visitas
presenciais (Cazaux, 2019).

66

A compreensão do conceito de virtual constitui etapa fundamental para o
entendimento dos museus virtuais. Cazaux (2019) aponta que o termo deriva do
latim virtualis, relacionado à ideia de potência ou possibilidade, sendo o virtual
oposto do atual e não do real.
Na perspectiva da cibercultura, o autor define o ciberespaço como o novo
meio de comunicação resultante da interconexão mundial dos computadores,
abrangendo tanto a infraestrutura tecnológica quanto o universo informacional e os
sujeitos que nele interagem (Cazaux, 2019).
Os mundos virtuais podem ser classificados em: (1) ambientes off-line,
restritos a instalações específicas, e (2) ambientes on-line, acessíveis em rede e
abertos

à

interação

coletiva,

ambos

compreendidos

como

dimensões

complementares.
Ao refletir sobre museus virtuais, Cazaux (2019) já apontava, no início do
século XXI, a necessidade de considerar a participação ativa dos usuários,
sugerindo a criação de espaços virtuais passíveis de exploração e atualização por
seus próprios visitantes. Tal perspectiva antecipa práticas contemporâneas de
imersão e interação digital observadas atualmente.
Nesse contexto, a interatividade assume papel central, uma vez que
ambientes virtuais demandam navegação, participação e envolvimento ativo do
usuário. Assim, os museus virtuais não devem ser compreendidos como substitutos
dos museus físicos, mas como extensões capazes de ampliar suas possibilidades
comunicacionais e educativas (Cazaux, 2019).
Cazaux (2019) distingue, ainda, duas abordagens principais: (1) museus
virtuais criados exclusivamente para o ambiente digital; e (2) aqueles que
representam versões digitalizadas de museus físicos, incorporando recursos como
imagens, vídeos e exposições on-line.
O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) define museu virtual como uma
instituição cujas ações museológicas ocorrem exclusivamente em ambiente digital,
com acervo composto por bens não materiais. Entretanto, tal definição não é
consensual, sendo contestada por autores como Henriques (2004), que compreende
o museu virtual como uma dimensão complementar ao museu físico, capaz de
desenvolver ações museológicas específicas no ambiente digital.
No âmbito das transformações tecnológicas e culturais contemporâneas,
Henriques (2004) argumenta que os museus precisam adaptar-se a uma nova

67

relação entre público, arte e informação, marcada por maior dinamismo e interação.
O autor denomina de museu web todas as experiências museológicas na internet,
classificando-as em três tipos: (1) conteúdos estáticos on-line; (2) museus
concebidos para o ambiente digital; e (3) museus que existem exclusivamente na
rede, explorando plenamente suas possibilidades interativas.
De modo semelhante, Cazaux (2019) propõe quatro categorias de museus na
internet: (1) o museu brochura, voltado à informação básica; (2) o museu de
conteúdo, com materiais mais aprofundados; o (3) museu de aprendizagem,
estruturado pedagogicamente; e (4) o museu virtual propriamente dito, caracterizado
pela integração de coleções e ampliação do acesso para públicos que talvez nunca
visitem o espaço físico.
Henriques (2004) reforça que nem todo site institucional pode ser considerado
um museu virtual, destacando que este deve configurar-se como um espaço de
mediação cultural, promover relações entre patrimônio e usuários e desenvolver
ações museológicas efetivas no ambiente virtual. Dessa forma, o museu virtual
caracteriza-se menos pela presença na internet e mais pela qualidade das
interações e práticas museológicas que nele se estabelecem.
No caso da Pinacoteca universitária da Universidade Federal de Alagoas
(UFAL), a interatividade além da contemplação é algo necessário, visto que o
engajamento,

após

o

longo

período

de

fechamento

do

espaço,

decaiu

significativamente. Apesar das várias tentativas de manter o espaço ativo e
interessante para os visitantes, estimulando o engajamento destes por meio de
mídias sociais como Instagram, o resultado final não se compara ao número de
visitantes e a reciprocidade destes no período em que a Pinacoteca estava aberta
com espaço de três grandes salões para exposição.
Considerando os aspectos abordados na contextualização, apresenta-se a
seguir a metodologia adotada no desenvolvimento da presente pesquisa, tendo em
vista as limitações temporais e econômicas da mesma.

68

3. METODOLOGIA
Esta pesquisa foi desenvolvida mediante de uma pesquisa bibliográfica,
documental e estudo de caso. Utilizou-se a abordagem qualitativa e quantitativa com
os objetivos exploratório e investigativo de natureza básica. Foi aplicado um
questionário aos sujeitos da pesquisa para as análises dos dados.
Considera-se também a pesquisadora desenvolvedora desta como sujeito
participante, visto que a mesma possui ligação direta com a instituição avaliada e
objeto de estudo do processo investigativo, a Pinacoteca universitária da
Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
Como esta pesquisa envolve o levantamento bibliográfico, emprego de
questionário e análise de similar a fim de estimular a compreensão acerca do tema
abordado, ela pode ser considerada uma pesquisa documental e estudo de caso
(Gil, 2007).
Para Fonseca (2002), este tipo de pesquisa é realizado a partir do
levantamento de referências teóricas já analisadas e publicadas. Segundo o autor,
todo trabalho científico começa com uma pesquisa bibliográfica, permitindo ao
pesquisador aprofundar-se no assunto investigado. No entanto, existem também
pesquisas científicas que se baseiam exclusivamente no levantamento bibliográfico,
através de referências publicadas a fim de reunir informações ou conhecimentos
anteriores sobre o problema de pesquisa (Fonseca, 2002).
De acordo com Gil (2007), a modalidade de pesquisa conhecida como estudo
de caso é comumente utilizada nas ciências sociais e das investigações
pedagógicas.
Segundo Gil (2007), este tipo de pesquisa pode ser caracterizado com o
enfoque definido em um programa, uma instituição, um sistema educativo, uma
pessoa, ou uma unidade social. No caso da presente pesquisa, o estudo de caso
está focado na Pinacoteca Universitária da UFAL. Conforme preconiza Gil (2007),
este tipo de pesquisa tem por objetivo aprofundar o conhecimento sobre
determinada situação que se supõe ser única em muitos aspectos, procurando
descobrir o que há nela de mais essencial e característico.
Fonseca (2002), por sua vez, trata o estudo de caso como uma investigação
interpretativa, buscando compreender como é o mundo do ponto de vista dos

69

participantes, visando apresentar uma perspectiva mais completa e coerente pelo
ponto de vista da investigação.
3.1.

Descrição das etapas

A pesquisa apresenta o desenvolvimento em duas grandes fases macro: (1)
Investigação e Planejamento; e (2) Análises e Discussão.
A macro fase de Investigação e Planejamento consistiu no desenvolvimento
da Contextualização, apresentada anteriormente, considerando os aspectos que
permeiam o conteúdo base da pesquisa e o cenário brasileiro acerca da criação de
um espaço virtual em prol da interatividade e da qualidade da informação
museológica difundida. Foram explorados os tópicos: (1) educação patrimonial; (2) o
que é a Pinacoteca; (3) Turismo em Alagoas; (4) Plataformas digitais interativas de
equipamentos culturais; e (5) os desafios e tendências no Brasil diante da inovação
e da acessibilidade das plataformas digitais interativas.
A macro fase de Análises e Discussão consiste na apresentação das análises
qualitativas, quantitativas e comparativas, considerando os dados obtidos por meio
da aplicação de questionário e da tabulação comparativa entre a Pinacoteca e o
Centro de Cultura e Memória em Maceió, Alagoas.
3.2.

Análise qualitativa e quantitativa

A fim de diagnosticar os fatores que limitam a visibilidade do acervo e o
engajamento do público com a Pinacoteca Universitária da UFAL, realiza-se análises
qualitativas e quantitativas, aplicando questionário online para o público nacional.
De acordo com Bardin (2016), a análise mista funciona como uma ferramenta
metodológica robusta e amplamente reconhecida em pesquisas no campo da
educação. Deste modo, a presente pesquisa buscou captar percepções e
significados de modo detalhado e estruturado, de acordo com a linha de
investigação apresentada.
Neste processo, Bardin (2016) convida o pesquisador a investigar dois
caminhos convergentes, o da análise quantitativa e o da qualitativa, com enfoque no
sentido da comunicação e na transmissão dos dados entre os participantes da
pesquisa. Bardin (2016) também defende que o rigor metodológico da pesquisa é
determinado através da descrição clara do caminho da investigação a fim de
alcançar os objetivos justificados na apresentação desta.

70

Para Gil (2007), a investigação é definida como um processo racional,
intencional e estrutura que busca respostas com o objetivo de oferecer explicações a
um problema observado. Deste modo, compreende-se que a investigação é a
pesquisa, a possibilidade de qualificar e quantificar a fim de descobrir e produzir
novas informações através da análise dos dados disponíveis.
Este questionário foi criado como um instrumento de pesquisa para o
levantamento de dados sobre o interesse e consumo do público diverso, sem
demografia específica, em educação em museu, especificamente considerando o
caso da Pinacoteca Universitária da UFAL.
O questionário está dividido em 3 blocos: (1) Identificação do público; (2)
Consumo de conteúdo e visitas a museus; e (3) Conhecimento sobre a Pinacoteca
Universitária da UFAL.
Não foram coletados nomes e/ou nenhuma informação específica que possa
identificar os sujeitos ao responderem o questionário, de modo a preservar o
anonimato dos participantes.
O tratamento das informações coletadas seguiu estritamente a Lei Geral de
Proteção de Dados (LGPD – Lei nº 13.709/2018). Isso significa que os dados
pessoais coletados foram utilizados apenas para os fins descritos, com acesso
restrito e seguro; não compartilhados com terceiros fora das finalidades legais e
institucionais. O questionário pode ser conferido, na íntegra, no Apêndice 1.
3.3.

Análise comparativa

A fim de propor o desenvolvimento de uma plataforma digital interativa que
possa promover experiências de aprendizado e a curadoria virtual do acervo da
Pinacoteca Universitária da UFAL, realizou-se a tabulação das características de
interatividade observadas através de visita técnica ao Centro de Cultura e Memória,
no Centro da cidade de Maceió, em Alagoas, comparando-o com a proposta da nova
Pinacoteca universitária, no Espaço Cultural, na mesma cidade.
Foram avaliados os seguintes aspectos: (1) Atendimento ao público,
considerando horário de atendimento ao público; mediação profissional e/ou
treinada; possibilidade de visitas de grupos; mediação que oferece acessibilidade à
pessoa com deficiência (PCDs). A (2) Infraestrutura, considerando o acesso público;
acesso a banheiros; acesso a bebedouros; sinalização do espaço; oferecimento de
acessibilidade arquitetônica à pessoa com deficiência (PCDs). A (3) Interatividade,

71

considerando a presença ativa em redes sociais; exposições interativas com o
público; e o emprego de recursos técnicos que possibilitam a interatividade do
público com o acervo. E o (4) Acesso virtual, considerando a existência de site
próprio institucional; o acervo de exposições realizadas; e a possibilidade de
agendamento de visitas.
Infelizmente, apesar dos dados obtidos com o desenvolvimento da presente
pesquisa, não foi possível avaliar o impacto da proposta da plataforma de acordo
com as necessidades e expectativas dos indivíduos que fazem parte do público-alvo
da Pinacoteca Universitária da UFAL, pois a plataforma não chegou a ser
executada. No entanto, foi possível apresentar o diagnóstico oriundo desta pesquisa
para que, futuramente, tal plataforma seja executada de forma viável e eficaz.
A seguir, apresenta-se os resultados das análises descritas na metodologia e
suas respectivas discussões, oriundos da interpretação dos dados obtidos com as
ferramentas de análise aplicadas (questionário e tabulação comparativa).

72

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Neste capítulo, foram apresentados os resultados e discussões referentes a
estes. Foram apresentados os dados obtidos através da análise do perfil do público
alvo da investigação; sobre o consumo de conteúdo e visitas a museus pelo público
alvo; sobre o conhecimento deste público acerca da Pinacoteca universitária da
UFAL; dados da comparação de aspectos técnicos entre a Pinacoteca e o Centro da
Cultura e Memória, ambos em Maceió, Alagoas, após visita técnica; e informações
oriundas de entrevista com o atual diretor da Pinacoteca Universitária, Victor
Sarmento Souto.
4.1.

Perfil do público alvo

Como é possível observar na figura 26 abaixo, na amálgama de gráficos
resultantes da aplicação de questionário online com a participação de 107
indivíduos, o perfil do público investigado apresenta maioria com faixa etária entre
40 a 59 anos; é feminino; e possui algum tipo de pós graduação, seja ela
especialização, mestrado e/ou doutorado.
É pertinente salientar, todavia, que a minoria do público abordado apresenta a
menor faixa etária disponível no questionário, sendo de 18 a 25 anos; é masculino; e
possui apenas o ensino fundamental completo.
Analisar estas informações do tipo de perfil dos participantes é relevante, pois
pode nos levar a novas indagações, como, por exemplo, tentar entender e descobrir
por qual motivo os museus não são frequentados pelos mais jovens, rapazes e com
menor grau de escolaridade; e como o espaço do museu poderia se tornar
interessante para este tipo de público também.
Além deste resultado, observa-se também que 24,3% são de pessoas com
faixa etária entre 25 a 29 anos; e 9,3% dos participantes possuem mais de 60 anos,
considerados idosos por lei. Em relação ao nível de escolaridade dos participantes,
0,9% afirmou ter apenas o ensino fundamental completo; 13,1% possui até o ensino
médio completo; enquanto que 42,1% possui até o ensino superior completo.

73

Figura 26 - Qual a sua faixa etária, gênero e nível de escolaridade.

Fonte: Acervo próprio, 2026.

Na figura 27, pode-se observar o gráfico (à esquerda) que aborda a
distribuição geográfica dos participantes do questionário. De acordo com a pesquisa,
84,1% foram indivíduos participantes são da região Nordeste; 5,6% são da região
Sul; 5,6% são da região Sudeste; 3,7% são do Centro-Oeste; 0,9% são do Norte. No
levantamento realizado, foi observado também que todos os participantes não
possuem nenhum tipo de deficiência (gráfico à direita), de acordo com as opções
que foram apresentadas no Apêndice 1.

74

Figura 27 – Dados da demografia geográfica e acessibilidade dos participantes.

Fonte: Acervo próprio, 2026.

Infelizmente, não foi possível observar o aspecto da acessibilidade através da
experiência individual dos participantes, pois nenhum deles afirmou possuir algum
tipo de deficiência. No entanto, fala-se sobre este aspecto mais à frente.
A seguir, tratou-se de abordar as características dos participantes acerca do
consumo de conteúdo e visitas a museus.
4.2.

Consumo de conteúdo e visitas a museus

O consumo de conteúdo e visitas a museus foi um tópico do questionário
aplicado que foi desenvolvido para investigar o hábito, ou a ausência dele, dos
participantes em consumirem e/ou visitarem instituições museológicas.
Entre as tipologias de instituições apresentadas aos participantes, observamse: (1) Conteúdo de Arte, focados em expressões artísticas como pintura, escultura,
fotografia e instalações; (2) Conteúdo de História, exposição do passado de povos,
regiões ou eventos específicos; (3) Conteúdo de Ciência e Tecnologia, ensino e a
divulgação científica, muitas vezes com exposições interativas; (4) Conteúdo de

75

História Natural/Ciências Naturais, dedicado à história da vida na Terra, como
zoologia, botânica e geologia; (5) Conteúdo Antropológico/Etnográfico, apresenta a
diversidade cultural, social e biológica humana, com artefatos e tradições; (6)
Conteúdo Biográficos, focam na vida e obra de uma pessoa específica, como um
artista ou figura histórica; (7) Conteúdo Temáticos, especializados em um único
tema, como futebol, língua portuguesa, música, etc.; (8) Conteúdo Ecológico e
Comunitário, integrados ao território, valorizam a memória e o ambiente local, com
forte participação da comunidade; (9) Conteúdo de Zoológicos, Aquários e Jardins
Botânicos, considerados "coleções vivas", são museus que expõem seres vivos e
ecossistemas; (10) Conteúdo Virtual, existentes inteiramente no ambiente digital,
sem um espaço físico tradicional; e (11) Conteúdo de Cidades, focados na história e
identidade de uma localidade específica.
Ao serem questionados sobre a frequência com a qual visitaram algum
museu no ano passado, 45,8% dos participantes responderam que não chegaram a
visitar nenhum museu, enquanto que 30,8% responderam que visitaram ao menos
um museu, e apenas 23,4% afirmaram ter visitado mais de um museu (Figura 28).
Figura 28 – Dados sobre a frequência de visitas dos participantes a museus.

Fonte: Acervo próprio, 2026.

76

Além dos dados observados acerca das visitas dos participantes a museus no
ano passado, eles foram questionados também sobre o hábito deles, de modo geral,
sobre desejarem visitar museus. Diante deste questionamento, 65,4% dos
participantes afirmaram possuir o desejo de visitar museus, mas nem sempre
conseguem realizá-lo; 20,6% responderam que visitam museus sempre que podem;
e apenas 14% dos participantes afirmou que nunca chegaram a visitar um museu,
um dado que, apesar de inferior aos demais, é preocupante dada a importância
cultural, social e econômica que as instituições museológicas possuem.
É importante destacar que, conforme afirmou Henriques (2004), o fechamento
das instituições, interrompendo as visitas presenciais, impulsionou o debate acerca
do acesso digital, considerando a ampliação do acesso ao conhecimento e da
discussão sobre o ensino remoto. Desse modo, pode-se considerar que o acesso
remoto ao conteúdo destes museus não visitados presencialmente pelo público
possa ser ampliado de forma remota, ampliando, inclusive, a acessibilidade do
mesmo.
Plaza (2000) também concorda com esta visão, e defende que, em certos
cenários, essas instituições devem ser observadas com atenção, pois possuem
influência no desenvolvimento turístico regional. Neste aspecto, é importante
salientar que algumas cidades com museus já fazem parte de um grupo de destinos
turísticos no decorrer de todo o ano, como é o caso da capital alagoana.
Rodrigues (2001) destacou, inclusive, que tais instituições não atraem apenas
o público da região, mas podem atuar como um destino turístico, o que não é o caso
dos museus em Alagoas e, principalmente, na capital, visto que a maioria deles
sequer se encaixa no trajeto de visitas turísticas.
Beni (2004), por sua vez, defendeu a diferença histórica entre o turismo em
museus no século passado para o século XXI, explicando que o interesse do público
mudou, consolidando-se com o mercado turístico e em busca, cada vez maior, de
conforto, acessibilidade e imersão na experiência de visitar um museu.
Ao comparar ambos os gráficos da figura 28, pode-se observar que existe o
desejo na maioria dos participantes da pesquisa em visitar museus, mas que, na
prática, tal desejo não seja a ser concretizado, o que pode nos levar a outros
desdobramentos, considerando a natureza investigativa desta pesquisa e a

77

necessidade contemporânea de inovação, imersão e acessibilidade nas instituições
museológicas nacionais.
Figura 29 – Dados sobre a tipologia de museus que os participantes preferem.

Fonte: Acervo próprio, 2026.

De acordo com os dados observados na figura 29, 60,2% dos entrevistados
possui preferência por museus de Conteúdo de História, exposição do passado de
povos, regiões ou eventos específicos; 49,1% preferem Conteúdo de Arte, focados
em expressões artísticas como pintura, escultura, fotografia e instalações; 44,4%
preferem Conteúdo de Zoológicos, Aquários e Jardins Botânicos, considerados
"coleções vivas", são museus que expõem seres vivos e ecossistemas; 41,7%
preferem Conteúdo de Cidades, focados na história e identidade de uma localidade
específica, e Conteúdo de História Natural/Ciências Naturais, dedicado à história da
vida na Terra, como zoologia, botânica e geologia; 40,7% preferem Conteúdo de
Ciência e Tecnologia, ensino e a divulgação científica, muitas vezes com exposições
interativas; 29,6% preferem Conteúdo Antropológico/Etnográfico, apresenta a
diversidade cultural, social e biológica humana, com artefatos e tradições; 28,7%
preferem Conteúdo Temáticos, especializados em um único tema, como futebol,
língua portuguesa, música, etc.; 26,9% preferem Conteúdo Biográficos, focam na
vida e obra de uma pessoa específica, como um artista ou figura histórica; 20,4%
preferem Conteúdo Ecológico e Comunitário, integrados ao território, valorizam a
memória e o ambiente local, com forte participação da comunidade; 13,9% preferem
Conteúdo Virtual, existentes inteiramente no ambiente digital, sem um espaço físico

78

tradicional; e 2,8% dos participantes afirmaram preferir nenhum dos conteúdos
citados anteriormente.
De acordo com os dados observados, pode-se aferir que o conteúdo virtual,
sendo um dos últimos em questão de preferência dos participantes da presente
pesquisa, não é interessante, de modo que um museu que apresenta apenas seu
acervo em um ambiente digital não é capaz de despertar o interesse dos visitantes
tanto quanto um museu físico que não possui recursos digitais e imersivos, por
exemplo.
Apesar de Hughes & Moscardo (2017) defenderem que o uso das
Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) é uma tendência contemporânea
nos museus, Simon (2010) também aponta que o visitante age como um usuário
ativo, produzindo significados e colaborando na construção da experiência.
Simon (2010) explica que os museus contemporâneos se baseiam nos
princípios de (1) centralidade do usuário; (2) construção individual de significados
culturais; e (3) participação do público na dinâmica expositiva. O ambiente digital, no
entanto, tem sido usado como estratégia de comunicação e promoção da instituição,
mas a construção de um espaço digital imersivo é algo diferente.
Henriques (2004) explica como os museus em ambiente digital podem ser
classificados em três modelos: (1) museu-folheto eletrônico – com informações
institucionais básicas, funcionando como instrumento de comunicação e marketing;
(2) museu no mundo virtual - disponibilizando conteúdos mais aprofundados, visitas
virtuais e acesso ampliado aos acervos; e (3) museus verdadeiramente interativos a interatividade é elemento central da experiência.
Ou seja, um museu verdadeiramente interativo digitalmente é algo que
deveria ser preconizado pelas instituições ao adaptarem o acervo físico ao acesso
digital,

proporcionando

experiências

atrativas

aos

visitantes,

ainda

que

remotamente.
Henriques (2004) ainda defende que estes espaços digitais não funcionam
apenas como ferramenta de divulgação institucional, mas podem auxiliar visitantes
para o planejamento para uma visita presencial, permitindo o acesso de informações
sobre o acervo e exposições.
Além

dos

dados

observados

nos

gráficos,

os

participantes

foram

questionados se conseguiam lembrar de alguma visita ao museu que foi uma boa

79

experiência para eles e/ou seus amigos/familiares. Algumas respostas foram
objetivas, como ―sim‖ e ―não‖, e outras foram mais dissertativas.
Entre alguns dos relatos dissertativos, destaca-se:
Acho que o que eu achei mais interativo (nosso destaque) foi o museu
Itaipu em Foz do Iguaçu, que fui com meus amigos, porque além das artes
expostas, haviam sessões de um filme (nosso destaque) explicando as
histórias dos povos nativos antes de ver o acervo, o que deixava ainda mais
interessante ver a exposição sabendo todo o contexto.
(Relato de um dos participantes, coletado para esta pesquisa através de
questionário aplicado em janeiro e fevereiro de 2026).

Os participantes, em alguns relatos, destacam como a experiência positiva
em museus que foram visitados está atrelada a uma experiência imersiva e
interativa. Este tipo de experiência também pode ser observado no relato a seguir:
Lembro de várias visitas marcantes. O Museu da Imigração, em São Paulo,
foi impactante pela riqueza histórica de seus objetos e vídeos com
depoimentos (nosso destaque). O Masp e a Pinacoteca de São Paulo
também me emocionam muito por conta de suas exposições e coleções de
longa duração de arte brasileira. O Museu de Arqueologia de Xingó
surpreendeu muito porque revelou conhecimentos desconhecidos pra mim
sobre nossos antepassados que viveram há muitos anos na proximidade do
rio São Francisco. Fora do país, o Museu do Prado, em Madri, me impactou
muito por ver de perto obras artísticas que via nos livros e tinha muita
vontade de ver de perto. Em Alagoas, sempre gostei de acompanhar as
exposições temporárias da Pinacoteca Universitária e gosto muito de visitar
museus do interior.
(Relato de um dos participantes, coletado para esta pesquisa através de
questionário aplicado em janeiro e fevereiro de 2026).

Outros participantes relataram como a questão da acessibilidade foi
importante para eles terem uma experiência positiva ao visitarem um museu:
―Durante a visita ao Museu do Ipiranga pelas obras de artes de nosso país e a sua
organização e explicações acessíveis (destaque nosso).‖; e outro afirmou: ―Van
Gogh, uma exposição interativa e imersiva (destaque nosso). Uma experiência
incrível.‖ É notório o interesse dos participantes da pesquisa em atividades imersivas
e interativas ao realizarem visita às instituições museológicas. Outro participante
também destacou a importância da interação física em visitas: ―No aquário em
Ubatuba/SP, uma exposição rica em detalhes dos seres marinhos. Onde tivemos
interação física (destaque nosso) com ouriços, pepino do mar e lagostas. Foi uma
experiência diferente e interessante pra mim.‖
Outros participantes destacaram a importância que o investimento apresenta
no desenvolvimento das instituições museológicas:

80

Sim, visita ao Museu do Louvre, Museu Ricardo Brennand e Centro de
Cultura e Memória do TJ-AL. A estrutura, a beleza, grandiosidade de obras,
como quadros e estátuas, além da tecnologia de telões (nosso destaque)
para incrementar a visitas é surpreendente, a gente não vê em qualquer
lugar. Percebe-se o investimento (nosso destaque) para que seja a melhor
experiência possível.
(Relato de um dos participantes, coletado para esta pesquisa através de
questionário aplicado em janeiro e fevereiro de 2026).

A questão da acessibilidade e da adaptabilidade das exposições também foi
algo pontuado por um dos participantes. Tal destaque aponta como os visitantes
buscam experiências únicas e especiais, tratando os museus não apenas como
espaços de aprendizado e enriquecimento cultural, mas entretenimento também.
Confere-se:
No último ano visitei o Museu do Amanhã, e acredito que foi umas das
melhores experiencias museológicas que tive nos últimos anos. A estrutura
preparada para receber os visitantes é espetacular, sem contar a
quantidade de obras interativas com possibilidade de adequação e
múltiplas experiências (nosso destaque), tudo isso com calma, silêncio e
respeito pelo ambiente.
(Relato de um dos participantes, coletado para esta pesquisa através de
questionário aplicado em janeiro e fevereiro de 2026).

O estímulo sensorial e a exploração de como as exposições podem convidar
os visitantes a transitarem pelo espaço do museu também foi um dos destaques de
um dos relatos dos participantes:
Museu de mineiros e museu da estação de Minas Gerais - Ótima
experiência visual e sensorial de ambos (nosso destaque). Artefatos
diferentes, boa logística da exposição, pontos interativos e dinâmicos
(nosso destaque). Boa organização de entrada, saída e auxílio ao visitante.
Entrada gratuita em dias específicos.
(Relato de um dos participantes, coletado para esta pesquisa através de
questionário aplicado em janeiro e fevereiro de 2026).

É importante também apontar que os participantes relataram suas
experiências com outros museus, também exemplificando a relevância que a
estrutura e a acessibilidade trazem para uma boa experiência ao visitarem um
museu. Além disso, a interação é algo almejado pela maioria daqueles que deixaram
seus relatos de experiência no questionário aplicado. Observa-se:
Instituto Ricardo Brennand, Recife Pernambuco - Melhor experiência em
museu até hoje. Salas com diferentes tipos de exposições e áreas de arte
(tapeçarias, louças e porcelanas, quadros e esculturas). O instituto conta
com diferentes ambientes de interação, visitas guiadas (nosso
destaque), jardins abertos para visitação e uma sala de armas com itens

81

impressionantes. Por ser um instituto maior, e uma experiência mais
imersiva, tem alto valor nos ingressos, mas isso reflete no atendimento e
assistência, estrutura e acessibilidade (nosso destaque) ao visitante.
(Relato de um dos participantes, coletado para esta pesquisa através de
questionário aplicado em janeiro e fevereiro de 2026).

O último relato que foi destacado trata-se de uma experiência que, segundo o
participante, foi tão marcante a ponto de o mesmo lembrar-se dela desde a infância.
O participante explica como a questão da interação foi algo importante para que a
visita fosse algo memorável para ele. Confere-se:
Lembro sim. Na época da escola, visitamos um museu em Recife voltado
para a matéria de Ciências. Estudamos o sistema solar e tivemos algumas
experiências como entrar no ―Gerador de Van dee Graaff‖, bicicleta que
gera energia e deitar numa cama cheia de pregos e não se machucar.
Tivemos essa interação (destaque nosso) e foi uma maneira super fácil e
didática de aprender e interagir.
(Relato de um dos participantes, coletado para esta pesquisa através de
questionário aplicado em janeiro e fevereiro de 2026).

Outros participantes relataram suas experiências negativas também, ao
serem questionados sobre terem passado por alguma situação negativa ao visitarem
museus. Um dos participantes destacou que: ―Alguns museus já tive que sair rápido
porque não havia climatização adequada (destaque nosso) no espaço, o que
deixava o local abafado e não aproveitava bem a experiência (destaque nosso).‖
Pode-se observar que a estrutura é algo a ser considerada, principalmente ao se
lidar com regiões como o litoral nordestino, com um clima quente bem definido,
capaz de produzir altas temperaturas o ano inteiro.
É importante destacar que, segundo Sánchez (1999), na busca pela
ampliação da capacidade de atração turística, se faz necessário investir nas
estruturas, instituições e planejamento de fluxo a fim de melhor atender os visitantes.
Para Beni (2004), é a preocupação com as relações sensoriais e
interpretativas com o objeto cultural que pode criar experiências significativas para
os visitantes. Logo, é necessário pensar em atividades que contemplem a
participação do público, e no entretenimento associado à atração turística. Tal
pensamento pode ser observado nos exemplos apresentados anteriormente, nos
quais os visitantes descrevem suas experiências com museus.
Rifkin (2001), por sua vez, defende que a apresentação de ideias, conceitos e
imagens valem mais que bens materiais, definindo mudança estrutural nas
dinâmicas econômicas contemporâneas. No entanto, pode-se considerar que a

82

busca dos visitantes ao visitarem os museus, como foi observado nas experiências
relatadas, consiste na procura de experiências positivas e não necessariamente a
aquisição de bens materiais. De acordo com o autor, as experiências memoráveis e
emocionalmente

significativas

são

o

principal

objetivo

dos

públicos

na

contemporaneidade.
Henriques (2004) também argumentou que é necessário existir uma
adaptação na relação dos museus com o público, contemplando a arte e a
informação, explorando-as e apresentando tal conteúdo proporcionando dinamismo
e interação.
Outro participante também relatou sobre sua experiência negativa: ―Sim.
Pouca assistência (destaque nosso) ao visitante, informações de valores poucas
claras nos sites de informações para quem visita, pouca estrutura e qualidade de
peças e exposições baixa.‖ Observa-se como o fato de existir um site, um espaço
virtual para complementar as informações do museu não significa que este está em
harmonia com o espaço físico do mesmo, visto que a falha de comunicação foi
proporcionada pela carência de informações disponíveis aos visitantes no espaço
digital, o que dificultou que o participante fizesse a visita presencial.
No último bloco de perguntas do questionário, os participantes responderam
questões acerca do conhecimento que possuíam, ou não, sobre a Pinacoteca
Universitária da UFAL. Observa-se os resultados desta etapa do questionário a
seguir.

4.3.

Conhecimento sobre a Pinacoteca Universitária da UFAL

Como é possível observar na figura 30, no primeiro gráfico (à esquerda), ao
responderem se conhecem a Pinacoteca Universitária da UFAL, apenas 25,2% dos
participantes confirmaram, enquanto que a maioria, 74,8%, assinalaram ―não‖.
Depois, os participantes foram perguntados se já visitaram a Pinacoteca
Universitária da UFAL (gráfico ao centro, Figura 30), 21,5% responderam que sim; e
78,5% que não. Tal dado nos traz a informação de que existem pessoas que
conhecem a Pinacoteca Universitária da UFAL, mesmo sem terem chegado a visitala.
Ainda de acordo com os dados obtidos e apresentados na figura 30, no
gráfico à direita, observa-se que 79,4% dos participantes reafirmaram jamais terem

83

visitado a Pinacoteca Universitária da UFAL; e, entre aqueles que visitaram a
instituição, 11,2% afirmaram ter visitado o lugar mais de uma vez, enquanto que
9,3% assinalaram que a visitaram apenas uma vez. Tal informação acerca das
visitas realizadas à Pinacoteca Universitária da UFAL entre os 107 participantes do
questionário aponta um nível baixo de indivíduos que já a visitaram, sendo cerca de
apenas 1/4 deles. No entanto, o mais preocupante é o fato da maioria dos
participantes sequer conhecer a Pinacoteca Universitária da UFAL.
Figura 30 – Dados sobre o conhecimento prévio dos participantes
sobre a Pinacoteca Universitária da UFAL.

Fonte: Acervo próprio, 2026.

Por fim, chegou-se a questionar os participantes se conheciam algum dos
museus citados da capital de Alagoas (Figura 31). Foram oferecidos os nomes
destes museus, considerando, principalmente, a sua proximidade geográfica com a
localização da Pinacoteca Universitária da UFAL.
A maioria dos participantes, 45,8%, afirmaram já ter visitado o (3) Museu
Théo Brandão; 38,3% já visitaram o (2) Museu Palácio Floriano Peixoto; 35,5%
afirmaram já terem visitado o (1) Museu da Imagem e do Som de Alagoas (MISA); e
35,5% também afirmaram nunca terem visitado algum museu em Maceió, Alagoas;
23,4% afirmaram já terem visitado o (4) Memorial Teotônio Vilela; 18,7% visitaram o
(5) Museu da Arte Sacra Pierre Chalita; 17,8% visitaram a (10) Pinacoteca
Universitária da UFAL; 15,9% visitaram o (6) Museu do Instituto Histórico e
Geográfico de Alagoas; 8,4% visitaram o (7) Museu do Comércio de Alagoas; 8,4%

84

também afirmaram ter visitado o (8) Museu da História Natural da UFAL; 7,5%
visitaram a (11) Casa do Patrimônio IPHAN; 6,5% visitaram a (9) Usina Ciência da
UFAL; e 1,9% afirmaram ter visitado outros museus.
Figura 31 – Dados sobre os museus possivelmente
visitados pelos 107 participantes do questionário aplicado.

Fonte: Acervo próprio, 2026.

A seguir, correlacionando a posição geográfica e o atendimento ao público,
apresentou-se uma análise comparativa acerca da estrutura da Pinacoteca
Universitária da UFAL e o Centro de Cultura e Memória, também localizado em
Maceió, Alagoas.

4.4.

A Pinacoteca e o Centro da Cultura e Memória

O Centro da Cultura e Memória do Poder Judiciário de Alagoas é responsável
por disponibilizar as informações sobre personagens e seus respectivos atos
envolvendo atividades forenses ao público visitante. O acervo conta com artefatos
desde 1706, e oferece a oportunidade de acesso do cidadão aos dados históricos e
documentação existente nos arquivos, assim como os artefatos antigos que foram
utilizados pelo sistema de justiça desde o séc. XVII, e que auxiliaram na trajetória da
justiça de Alagoas nos últimos três séculos.
De acordo com o conteúdo disponível no site do Centro da Cultura e Memória
(2025), o papel da instituição é democratizar o acesso da sociedade aos episódios
de memória vivenciados pelo povo alagoano, principalmente aqueles no âmbito

85

jurídico que compete à justiça, com enfoque nos fóruns de comarcas e no tribunal.
Ainda de acordo com o conteúdo disponível no site do Centro da Cultura e
Memória (2025), em 2024 foi realizada mudança na estrutura da instituição,
tornando-a acessível a diversos outros públicos. Após a reforma, os painéis de
conteúdo histórico da Justiça alagoana apresentam os dados em braile, através de
vídeos em Libras com legendas, além de tótens digitais com audiodescrição.
A inclusão do conteúdo em braile permitiu o acesso às informações para
visitantes com deficiência visual, oferecendo autonomia; os vídeos com tradução em
Libras e legendas também são capazes de ampliar o acesso às informações para
visitantes surdos ou com deficiência auditiva; e os tótens com audiodescrição
permitem que os visitantes com deficiência visual também possam aproveitar de
uma experiência acessível e imersiva. Estas mudanças foram feitas a fim de
valorizar o patrimônio histórico alagoano, reformando os princípios de cidadania e
inclusão social.
Como é possível observar na figura 32, o Centro de Cultura e Memória
disponibiliza um tour virtual que permite aos visitantes, mesmo que fora de Alagoas,
conhecerem o espaço físico e o conteúdo do acervo da instituição. A coleção física e
digital é renovada constantemente, de acordo com os documentos encontrados e
adicionados ao acervo, considerados históricos e relevantes pela equipe de
curadoria do Centro de Cultura e Memória.

Figura
32
–
Imagem
retirada
da
exposição
disponibilizada pelo próprio Centro de Cultura e Memória de Alagoas.

de

acesso

virtual

86

Fonte: Imagem disponível em <nzerovirtual.com/>.
Acesso em 05 de abril de 2026.

Entre outros recursos tecnológicos, o Centro da Cultura e Memória também
possui um assistente virtual que pode interagir com os visitantes através de
comando de voz, transmitindo informações acerca do museu. Além disso, o Centro
da Cultura e Memória também desenvolveu um aplicativo (Figura 33) que permite
aos

visitantes

acessar

informações

adicionais

sobre

os

temas

expostos,

complementando o conteúdo com material audiovisual e documental. O aplicativo
também permite aos visitantes tirarem selfies com personagens históricos, além de
possibilitá-los acessar a agenda do museu, o sistema de acessibilidade e um
passeio virtual com visualização digital em 360º.
O aspecto da contribuição tecnológica em prol de boas experiências em
visitas a museus já foi observado por Henriques (2004), visto que o próprio autor
explica que os museus já estão presentes na internet, com sites institucionais
surgindo em grande número a partir da década de 90.
No entanto, é importante conhecer como museus presentes digitalmente
podem ser categorizados. E, neste âmbito da discussão, Cazaux (2019) apronta
duas abordagens para categorizar os museus digitalmente: (1) museus virtuais
exclusivos para o ambiente digital; e (2) museus que são versões digitalizadas de
museus físicos, com imagens, vídeos e exposições on-line.

O Centro da Cultura e da Memória se encaixa melhor nesta segunda
abordagem, sendo um espaço de museu que oferece tais recursos digitalmente.

87

Entre as categorias propostas por Cazaux (2019), o autor apresenta: (1) o
museu brochura, com informações básicas na internet sobre o museu; (2) o museu
de conteúdo, com informações mais aprofundadas; o (3) museu de aprendizagem,
que é estruturado pedagogicamente; e (4) o museu virtual propriamente dito,
aquele que apresenta integração do acervo e ampliação do acesso para visitantes
que talvez nunca visitem o espaço físico. Pode-se considerar que o Centro da
Cultura e da Memória está categorizado na última categoria, sendo um museu virtual
propriamente dito. No caso da Pinacoteca Universitária da UFAL, a instituição ainda
se encontra na primeira categoria, sendo sua atividade mais frequente nas redes
sociais, o que é positivo considerando a interação com o público e a presença digital
da instituição no universo digital; porém, com um museu digital brochura, com
apenas informações básicas, dependente das redes sociais, a permanência digital
da instituição é instável, principalmente se for considerado que as redes sociais são
temporárias, podendo estas serem desatualizadas e esquecidas a qualquer
momento.
Henriques (2004), por sua vez, defende que todo site institucional pode ser
visto como um museu virtual, sendo um lugar de mediação cultural, também
desenvolvendo ações no ambiente virtual, o que é o caso da Pinacoteca
Universitária da UFAL, que utiliza das redes para mediar a realização de eventos e
atividades pedagógicas e de extensão da instituição.
Ainda que alguns autores, como Cazaux (2019) e Henriques (2004) possam
sugerir denominações de nomenclaturas distintas, Svilicic (2010) explica que não há
uma abordagem conceitual padronizada, e que algumas categorias podem ser
vistas, inclusive, como sinônimos. No entanto, é possível observar que a interação e
a imersão da experiência do visitante, também usuário do espaço digital, é um
aspecto constantemente presente nas discussões dos autores.
Aksoy (2020), o presidente do International Council of Museums (ICOM),
chegou a afirmar que os espaços virtuais tornaram o conteúdo dos museus mais
acessível, permitindo a criação de tours virtuais, por exemplo.
Cazaux (2019) concorda com Aksoy (2020) no que tange a importância da
internet para a aproximação entre museus e a sociedade, favorecendo a busca
prévia destes sujeitos para a realização de visitas presenciais futuras. No início do
século XXI, Cazaux (2019) já defendia que era importância considerar a participação
ativa dos visitantes nos museus, não apenas como expectadores do conteúdo

88

apresentado, mas como sujeitos passíveis de experiências significativas e
emocionantes. O autor ainda destacou que os museus virtuais não deveriam ser
vistos como substitutos dos físicos, mas sim como facilitadores da experiência dos
visitantes, ampliando as possibilidades de imersão e interação entre ambos.
No espaço do Centro da Cultura e Memória do Tribunal de Justiça de
Alagoas, há a sala dois, que compreende o conteúdo histórico acerca da Praça
Deodoro e sobre os prédios históricos ao redor da mesma. Esta sala também é
importante, pois dispõe de um sistema de visitação com auxílio de um VR (Figura
34), ou Realidade Virtual. Trata-se de uma tecnologia capaz de simular um ambiente
totalmente digital, permitindo a imersão completa do usuário, gerada através de
óculos especiais ou headsets. A Realidade Virtual (VR) é capaz de criar um
ambiente virtual interativo e imersivo com a visão digital em 360º do ambiente
reproduzido, assim como a reprodução de sons associados ao mesmo, como a voz
de uma assistente virtual, ou áudios correspondentes ao conteúdo histórico do
acervo, por exemplo.
Figura 33 – Aplicativo do Centro da Cultura e Memória do Tribunal de Justiça de Alagoas.

Fonte: Imagem disponível em <nzerovirtual.com/>.
Acesso em 05 de abril de 2026.
Figura 34 – Fotografia apresentando como a Realidade Virtual, VR, é utilizada por
headset em visitante no Centro da Cultura e Memória.

89

Fonte: Imagem disponível em <nzerovirtual.com/>.
Acesso em 05 de abril de 2026.

Em visita realizada em 10 de junho de 2025, foi possível observar a estrutura
do Centro da Cultura e Memória presencialmente. Além da visita guiada por
monitores do espaço, é notório o cuidado com as peças do acervo (Figura 35),
protegidos em redomas de vidro, disponíveis ao olhar dos visitantes em altura
acessível. O projeto lumínico do lugar também é voltado para valorizar as peças e
informações expostas, além da climatização do lugar agregar conforto aos visitantes
no calor da cidade de Maceió, de clima quente constante.

Figura 35 – Foto da visita técnica realizada pela autora ao Centro da Cultura e Memória,
evidenciando a estrutura de exposição dos itens do acervo do espaço.

90

Fonte: Acervo próprio, 2026.

Em outro momento da visita técnica, foi possível observar como a estrutura
dos totens digitais (Figura 36) é utilizada para complementar o discurso da monitora
do espaço, apresentando o conteúdo do acervo. O material do totem possui suporte
documental e audiovisual, oferecendo imagens, vídeos e áudios que podem
complementar a informação textual apresentada, além da audiodescrição e
conteúdo em Libras.
Figura 36 – Foto da visita técnica realizada pela autora ao Centro da Cultura e Memória,
evidenciando a estrutura dos totens digitais.

91

Fonte: Acervo próprio, 2026.

A seguir, apresenta-se o quadro de análise comparativa de aspectos
observados entre a Pinacoteca Universitária da UFAL e o Centro da Cultura e
Memória, ambos localizados no bairro Centro, em Maceió, Alagoas (Quadro 2).
Quadro 2 – Análise comparativa entre a
Pinacoteca Universitária da UFAL e o Centro da Cultura e Memória.

Aspecto avaliado

Característica específica

Centro da
Cultura e
Memória

Pinacoteca

Possui?
Sim ou Não.
horário de atendimento ao público aos
finais de semana

não

não

mediação profissional e/ou treinada

sim

sim

possibilidade de visitas de grupos

sim

sim

mediação que oferece acessibilidade à
pessoa com deficiência (PcD)

sim

não

acesso público

sim

sim

Atendimento ao
público

Infraestrutura

92

Interatividade

Acesso virtual

acesso a banheiros

sim

sim

acesso a bebedouros

não

não

sinalização do espaço

sim

não

oferecimento de acessibilidade
arquitetônica à pessoa com deficiência
(PcD)

sim

não

presença ativa em redes sociais

sim

sim

exposições interativas com o público

sim

não

emprego de recursos técnicos que
possibilitam a interatividade do público
com o acervo

sim

não

site próprio institucional

sim

sim

acervo de exposições realizadas

não

não

possibilidade de agendamento de visitas

sim

sim

Fonte: Acervo próprio, 2026.

Através do quadro 2, pode-se conferir como a estrutura e os recursos
tecnológicos ausentes na Pinacoteca Universitária da UFAL são um desfalque para
o melhor atendimento aos visitantes, ainda que o sistema de funcionamento da
mesma seja semelhante ao do Centro da Cultura e Memória.
A seguir, observa-se os dados obtidos através de entrevista com o diretor
responsável pela Pinacoteca Universitária da UFAL, Victor Sarmento Souto.
4.5.

Entrevista com o Diretor da Pinacoteca (2024-atual)

O diretor Victor Sarmento Souto assumiu a Pinacoteca Universitária da UFAL
em 2024. Ele é Mestre em Design pelo Centro de Estudos e Sistemas Avançados do
Recife (C.E.S.A.R), especialista em Gestão da Comunicação Organizacional
Integrada, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), graduado em Comunicação

93

Social - Publicidade e Propaganda pelo Centro de Estudos Superiores de Maceió
(Cesmac).
Ele atua profissionalmente nas áreas de Design de Serviços, Museologia,
Design Gráfico, Criação Publicitária, Planejamento e Estratégias de Comunicação
para Museus, Assessoria de Comunicação de Instituições Públicas e Redes
Sociais.
Souto concedeu entrevista para esta pesquisa, considerando que a autora do
presente processo de investigação é servidora também da Pinacoteca Universitária
da UFAL e atua com o mesmo desde sua nomeação como diretor do setor. Neste
aspecto, considera-se que existe algum nível de confiabilidade nas informações
repassadas, tendo em vista que a rotina e a realidade do espaço sobre o qual foi
questionado também faz parte do dia a dia da autora pesquisadora.
É pertinente destacar que, de acordo com Rifkin (2001), o desenvolvimento
de um espaço de museu depende do que o autor chama de processos estruturados
de planejamento interpretativo, o que permite com que a equipe responsável pelo
museu transforma o mesmo em uma experiência significativa para os visitantes.
Segundo Goodey (2002) in Murta & Albano (2002), a abertura do museu não
é garantia de que haja engajamento dos visitantes, sendo necessário planejar o uso
social do espaço, assim como a comunicação dele com os visitantes. Ambos os
autores citados concordam que a interpretação do museu é compreendida como a
forma de tornar acessível o significado do mesmo enquanto bem cultural para os
visitantes.
A primeira pergunta realizada ao diretor Souto foi a respeito das expectativas
do mesmo para o futuro como atual gestor da Pinacoteca Universitária da UFAL. O
diretor destacou a importância da retomada do espaço original da Pinacoteca
Universitária da UFAL, considerando o espaço de mais de um salão para exposição,
e destacou a relevância da instituição enquanto fomentadora da arte contemporânea
e visual em Alagoas. Observa-se:
A expectativa do futuro é que ela (Pinacoteca) cresça cada vez mais como
espaço físico, que ela consiga o próximo salão, e assim por diante, no
futuro um espaço próprio, estamos fomentando a arte visual, a arte
contemporânea que Alagoas está há muito tempo carente. Então, tem um
objetivo de expansão territorial, como tem o objetivo da expansão da
retomada da arte visual e da arte contemporânea.
(Relato de Victor Sarmento Souto, coletado para esta pesquisa através de
entrevista realizada em 23 de março de 2026).

94

O diretor também deu ênfase à carência de Alagoas em relação a espaços
como o da Pinacoteca. Ao ser questionado sobre a importância da Pinacoteca
Universitária para a sociedade, Souto destacou que ela é o único museu de arte
contemporânea de Alagoas, enfatizando sua criação desde 1981 e a grande
quantidade de artistas da arte visual e contemporânea que já passaram pelo espaço,
com suas colaborações e exposições.
É importante pontuar que autores como Carvalho (2005) e Gazzóla (2009)
defendem que a educação patrimonial é uma das formas mais eficazes para
preservação de museus, buscando valorizá-los enquanto bem cultural da sociedade.
Costa, Santos e Cutrim (2019) também possuem opinião similar e ainda apontam
que a educação patrimonial de museus pode ser aplicada como indicativo para
reconhecer bens patrimoniais e seus valores. Deste modo, a valorização da
Pinacoteca Universitária da UFAL também pode funcionar como norteadora para
avaliar seu reconhecimento enquanto bem patrimonial e a identificação de seus
valores.
Acerca do processo educativo sobre a importância do patrimônio cultural,
Horta (2017) defende que é necessário considerar as capacidades intelectuais dos
visitantes para que possam adquirir habilidades de acordo com a experiência
proposta, ou seja, é pertinente que a visita ao museu seja planejada de acordo com
o público alvo de visitantes do museu, tendo em vista a frequência e as
características demográficas dos sujeitos.
Caldeira (2008), in Campello & Caldeira (2008), e Goodey (2002), in Murta &
Albano (2002), o processo do planejamento para melhorar a experiência dos
visitantes ao museu aberto também precisa ser uma iniciativa multidisciplinar, ou
seja, necessita partir de um grupo de áreas distintas do conhecimento, considerando
não apenas o valor cultural de cada museu, mas também os aspectos sociais e
comunicacionais deles.
O diretor também apontou como o tempo em que a Pinacoteca Universitária
da UFAL passou fechada foi ruim para a sociedade de modo que não apenas os
visitantes ficaram carentes de ter um espaço como o da instituição para conhecer
mais sobre a arte visual e contemporânea, mas também os próprios artistas,
principalmente os jovens, que deixaram de ter a instituição como lugar possível para
realizarem suas exposições e intervenções artísticas.

95

A Pinacoteca, ela é o único Museu de Arte Contemporânea aqui de
Alagoas. Ela tem uma história gigantesca, desde 81, tá muito tempo
fechada, são quase… são mais de 7 anos fechada, e a sociedade tá
carente, né? e tanto que a arte contemporânea, os artistas já perderam
muito espaço aqui em Alagoas. Nós temos grandes artistas, então vai ser
um ganho para a sociedade Alagoana, e ter esse espaço novamente ativo e
funcionando, e recebendo artistas jovens, artistas consolidados… e que isso
fomente cada vez mais a arte aqui em Alagoas, via Pinacoteca da UFAL.
(Relato de Victor Sarmento Souto, coletado para esta pesquisa através de
entrevista realizada em 23 de março de 2026).

A última pergunta feita ao diretor foi sobre quais os benefícios da reabertura
da Pinacoteca para a UFAL, segundo o mesmo. Ao responder o questionamento,
Souto aponta que o ganho da reabertura é importante tanto para a sociedade
alagoana, de modo geral, como para os artistas. Porém, Souto também destaca
como a situação dos museus universitários da UFAL é complicada em Alagoas,
exemplificando a situação com o Museu Théo Brandão e o Museu de História
Natural.
Para a UFAL é um ganho gigantesco! Tá reabrindo, porque a situação dos
museus universitários da UFAL é muito difícil, até o Théo Brandão, Museu
de História Natural… então, a Pinacoteca vai voltar com força total e é um
ganho de imagem, também para extensão da universidade, então é de
reforçar… esse espaço da arte e reforça que a universidade continua
presente, porque aqui em Alagoas acontece um fenômeno que em poucos
estados acontece. Que eu saiba, não há nenhum estado onde os maiores
museus do estado são universitários; e museus da UFAL são assim, o
cenário atual de museus em Alagoas é caótico, então a Pinacoteca traz
junto o nome da UFAL para tentar levar novamente a gente ganhar espaço
e mais visibilidade.
(Relato de Victor Sarmento Souto, coletado para esta pesquisa através de
entrevista realizada em 23 de março de 2026).

Souto também destacou a relevância do trabalho da UFAL em fomentar a
educação em museus em Alagoas, sendo a instituição que, segundo ele, é
responsável pelos maiores museus do estado. O diretor destaca como isso se trata
de um fenômeno incomum e que Alagoas é um dos estados em que a universidade
é a responsável administradora destes museus, como os citados pelo mesmo:
Museu Théo Brandão, Museu de História Natural e a própria Pinacoteca
Universitária da UFAL.
Figura 37 – Figura representando a Estrutura dos Pilares Estratégicos: Inovação, Superação de
Limites e Contextualização

96

Fonte: Imagem gerada por Inteligência Artificial com base nos dados coletados da entrevista do
Victor Sarmento, 2026.

Goodey (2002) in Murta & Albano (2002) defendem que quando não há
parceria entre o poder público e as instituições responsáveis pelo patrimônio, este
acaba se tornando um mero espetáculo cultural voltado para um mercado
despreocupado com sua sustentabilidade.
Rifkin (2001) também aponta que o número de visitantes em um museu não
depende exclusivamente do valor histórico ou artístico dele, mas também do papel
da gestão do espaço de visitação, o que também contempla o planejamento urbano,
a preocupação com a mobilidade dos visitantes, o controle de fluxos, a capacidade
de carga, a hospitalidade da comunidade da região e a construção da imagem do
museu no ambiente digital. Ou seja, para a Pinacoteca Universitária da UFAL
funcionar devidamente é necessário que haja também a movimentação de outras
esferas do poder público além da administração da instituição responsável por ela,
que é a Universidade Federal de Alagoas.
Barretto (2008) explica que a busca por visitações a museus constitui
frequentemente uma das primeiras atividades de interesse dos turistas interessados
em conhecer mais da cultura da região. Pérez (2009) complementa tal lógica,
explicando que o planejamento territorial também influencia nesta prática, visto que
a interpretação do interesse do público alvo do museu permite que sejam definidas
políticas públicas para o uso social do espaço.

97

Para Rodrigues (2001), espaços como a Pinacoteca Universitária da UFAL já
deixaram de ser interpretadas exclusivamente como lugares para a exposição de
objetos, são espaços que permitem a aprendizagem, o acesso ao entretenimento e
à experiência cultural.
No caso da proposta da presente pesquisa em oferecer diagnóstico para criar
uma plataforma digital interativa com os potenciais visitantes da Pinacoteca
Universitária da UFAL, Henriques (2004) sugere que sejam mantidos objetivos
semelhantes aos institucionais aplicados ao museu físico.
É pertinente observar que, além da administração das instituições
museológicas, é importante considerar que os recursos para a manutenção e a
implementação de um espaço adequado, acessível e com aspectos tecnológicos
que promovem a imersão e a interação, também são necessários. É do interesse
coletivo que instituições como a Pinacoteca Universitária da UFAL consiga funcionar
da melhor forma possível, visto o impacto e relevância que seu acervo e exposições
possuem como fonte de conhecimento e entretenimento para os visitantes e para a
sociedade como um todo.

98

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A investigação sobre as tecnologias digitais imersivas e a Pinacoteca
Universitária da UFAL apontou como a presença de recursos e infraestrutura são
fundamentais para que um espaço como a instituição universitária possa melhor
atender ao público visitante.
Tecnologias digitais imersivas são capazes de fortalecer a função educativa e
ampliar a visibilidade de um museu, como foi possível observar no caso da análise
comparativa entre a Pinacoteca Universitária da UFAL e o Centro de Cultura e
Memória do Tribunal de Justiça de Alagoas. Foi possível perceber como recursos
tecnológicos podem auxiliar na imersão do visitante tanto de modo presencial,
através da Realidade Virtual e de totens digitais; quanto através de uma visita
remota, com a visão em 360º no tour virtual do mesmo museu, permitindo que
indivíduos que sequer chegaram a visitar a cidade pudessem conhecer a estrutura
do espaço físico, sua localização e parte do acervo disponível, apenas ao acessar o
site do Centro de Cultura e Memória.
Recursos como os citados anteriormente são possíveis de fortalecer a função
educativa e ampliar a visibilidade da Pinacoteca Universitária da UFAL, visto que o
site da mesma funciona apenas como um registro informativo acerca do que é a
Pinacoteca e do que se trata seu acervo.
Nas redes sociais, a instituição é mais ativa, mas a dependência de uma rede
social não é o mais adequado para um museu institucional, considerando que redes
sociais como Facebook, Instagram, entre outras, são instáveis e podem sofrer
privações jurídicas, além do fato do acervo digital ser passível de desaparecer e a
qualidade de armazenamento e apresentação do conteúdo ser menor do que aquela
do arquivo original, considerando a velocidade com a qual as imagens e vídeos
precisam ser carregadas para que os usuários destas redes possam trafegar em
uma linha do tempo infinita.
Como sugestão diante do diagnóstico realizado, aponta-se que pode ser
necessário e benéfico para a Pinacoteca Universitária da UFAL a digitalização do
acervo de obras da mesma, assim como a conversão do conteúdo do mesmo em
versões em audiodescrição e vídeos explicativos em Libras e com legendas. Se
possível, é importante também que as informações dispostas nas exposições
possam ser sinalizadas de forma adequada, assim como apresentar descrição em

99

braile. Estas alterações podem ser eficientes para melhorar a visibilidade e a
acessibilidade da Pinacoteca Universitária da UFAL.
Entre os fatores que limitam a visibilidade do acervo e o engajamento com o
público da Pinacoteca Universitária da UFAL, observaram-se: (1) o horário do
atendimento ao público não disponível aos fins de semana; (2) mediação e recursos
tecnológicos e/ou físicos que permitam a acessibilidade de todos os públicos; (3) o
acesso facilitado do espaço através de sinalização de fácil acesso; (4) a realização
de atividades em exposições que possam promover a interação com o público, ou
considerar o aspecto da interatividade com o público um dos critérios para a escolha
de novas exposições para a Pinacoteca; (5) digitalização de todo o acervo,
melhorando assim o acesso do público ao conteúdo da Pinacoteca e também
protegendo os dados das peças físicas, considerando que, ainda que haja
manutenção e o cuidado dos servidores da Pinacoteca com estas, todas estão
sujeitas aos efeitos do tempo e a possíveis acidentes; (6) também é imprescindível a
melhora do conteúdo disponível no site oficial da Pinacoteca, disponibilizando
informações sobre os acervos passados, dados do funcionamento, guia para visitas
guiadas e programação cultural das exposições interativas.
É possível realizar a proposta do desenvolvimento de uma plataforma digital
interativa considerando o que foi observado no tour virtual do Centro de Cultura e
Memória do Tribunal de Justiça de Alagoas. Não se trata de uma estrutura
complexa, mas sim de um acervo digital organizado, disponível em visualização com
360º e conteúdo interativo por vídeos e áudio descrição, além da disposição de
informações externas ao museu, como a localização do mesmo e quais prédios
históricos também estão integrados na mesma área, proporcionando assim uma
rede de funcionamento e apoio que pode melhorar a visibilidade de todos. Com a
presença digital nas redes sociais funcional, a Pinacoteca Universitária da UFAL
também pode utilizar de um site com tour virtual como fonte de métricas pelo número
de visitas e mapeamento do identificador de cada visitante, reconhecendo de quais
regiões do país os usuários estão acessando o portal.
Finalmente, infelizmente não foi possível avaliar o impacto da proposta da
plataforma digital, pois não foi possível desenvolver um protótipo virtual de acordo
com os aspectos observados e apresentados anteriormente. No entanto, o
diagnóstico torna possível a apresentação dos requisitos e parâmetros para que tal
plataforma seja concebida, sendo uma das etapas de desenvolvimento metodológico

100

já realizada, pode facilitar a criação da proposta de plataforma apresentada nos
objetivos desta pesquisa.
A presente pesquisa buscou investigar os aspectos e as nuances que cercam
a realidade da Pinacoteca Universitária da UFAL, mas, sobretudo, tentar
compreender como a interatividade e a imersão no mundo digital podem ser
benéficos, funcionando como ferramenta de valorização e distribuição da cultura e
dos saberes nos museus. No decorrer desta caminhada, observa-se como os
recursos financeiros e a valorização da infraestrutura são importantes para a
valorização não apenas do patrimônio cultural e intelectual presentes nos museus,
mas também da memória da sociedade de modo geral, preservando o patrimônio e
garantindo a qualidade da experiência de seus visitantes.
A Pinacoteca Universitária da UFAL existe desde 1981 e, desde então,
passou por momentos diversos de adversidade. Enquanto autora e pesquisadora
participante, servidora da mesma instituição, é possível afirmar o valor e o potencial
tecnológico que o acervo da Pinacoteca permite explorar, visto a cronologia de suas
diversas exposições de arte visual e contemporânea.
Tal conteúdo é do interesse não apenas da comunidade universitária, mas
também da sociedade de modo geral, considerando a etnicidade e as manifestações
artísticas de um povo que advém de uma região em que ainda não existe nenhum
circuito de visita aos museus, ou programação oficial preparada para visitantes de
modo que a rede hoteleira da cidade está focada no litoral e no entretenimento
através de visitas a pontos de difusão do artesanato, mas não da memória e do
patrimônio local.

101

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104

APÊNDICE
Apêndice 1 – Questionário ―A educação museológica e a Pinacoteca Universitária
da UFAL‖, aplicado entre janeiro e fevereiro de 2026 em 107 participantes.

105

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107

108

109