Pinacoteca da Ufal celebra 20ª Primavera de Museus com palestra sobre futuro dos museus e exposição “Memórias do Inconsciente”

Programação reúne museóloga do Museu do Amanhã e mostra do artista alagoano Jhonyson Nobre

Por Melissa Buarque - estudante de jornalismo
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Museus não são apenas espaços destinados à preservação do passado. Também são lugares de construção de memórias e reflexão sobre o presente e participação social. É a partir dessa perspectiva que a Pinacoteca da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) participa da 20ª Primavera de Museus, mobilização nacional que, em 2026, tem como tema “Museus para Todas as Pessoas”.

A Pinacoteca participa da programação com duas ações promovidas pela instituição: a palestra “Desafios contemporâneos do trabalho em museus”, com a museóloga Tatiana Paz, coordenadora de Museologia do Museu do Amanhã, e a abertura da exposição “Memórias do Inconsciente”, do artista alagoano Jhonyson Nobre. 

A programação começa no dia 14 de setembro, com a palestra de Tatiana Paz, das 14h às 17h, no Auditório do Espaço Cultural da Ufal, na Praça Sinimbu, em Maceió. Ao todo, são 20 vagas abertas ao público. A participação é gratuita e as inscrições podem ser realizadas por meio do formulário de inscrição.

O encontro propõe uma conversa sobre os desafios enfrentados atualmente pelos museus e pelos profissionais que atuam na área. Entre os temas abordados estão gestão, preservação de acervos, comunicação, práticas museológicas e a relação das instituições com seus diferentes públicos.

Para Tatiana, compreender o museu contemporâneo exige reconhecer que essas instituições estão em constante transformação e acompanham as mudanças da própria sociedade.

“Os museus não são enrijecidos, eles mudam de acordo com as mudanças da própria sociedade. A ideia de que os museus vivem de passado não reproduz o que de fato é o trabalho dentro deles: pensar o que a sociedade quer guardar, o que atribui valor e as representações materiais e imateriais dessa valoração.”

A museóloga também defende uma participação cada vez maior do público na construção das narrativas presentes nos museus. Segundo ela, aproximar a sociedade desses espaços significa permitir que diferentes identidades, perspectivas e formas de compreender o mundo também estejam representadas.

“A sociedade precisa se apropriar do que é dito nesses espaços, porque é a memória da sociedade que está dentro deles.”

“Memórias do Inconsciente”

A programação da 20ª Primavera de Museus também ganha uma dimensão artística com a exposição “Memórias do Inconsciente”, de Jhonyson Nobre. A mostra será aberta ao público no dia 19 de setembro e permanecerá em cartaz até 18 de dezembro, na Pinacoteca da Ufal.

Com curadoria de Hildênia Oliveira e projeto expográfico de Daniel Cavalcante, a exposição promete conduzir o visitante pelo universo afetivo e reflexivo do artista, tendo como ponto de partida as memórias de sua infância em União dos Palmares, no interior de Alagoas. Nas obras, lembranças e experiências pessoais se misturam a questões sociais, construindo uma narrativa sobre afetos, inquietações, identidade

Para Nobre, o título da exposição parte do interesse em refletir não apenas sobre aquilo que cada pessoa guarda individualmente, mas também sobre o que a sociedade escolhe não encarar.

“Existe o inconsciente individual, mas me interessa especialmente pensar esse inconsciente social: assuntos, violências e contradições que estão presentes na formação do país, mas que parecem constantemente projetados para fora da conversa, como se fosse mais confortável não tratar deles”, afirma.

Mais do que revisitar o passado, “Memórias do Inconsciente” propõe um mergulho nas paisagens interiores do artista e nas marcas deixadas pelas experiências vividas no interior de Alagoas.

A expectativa do artista é que o público encontre a exposição primeiro como uma experiência de aproximação, e não como uma resposta pronta.

“Prefiro que as imagens funcionem como lugares de encontro e que, a partir delas, cada pessoa possa acessar também suas próprias memórias”, destaca.

A exposição é resultado de uma parceria entre a Pinacoteca da Ufal e o Sesc/AL e poderá ser visitada gratuitamente de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, no salão de exposições da Pinacoteca, localizada no Espaço Cultural da Ufal, na Praça Sinimbu, em Maceió.