“Memórias do Inconsciente” reúne memórias e afetos de Jhonyson Nobre na Pinacoteca da Ufal

Mostra reúne obras inspiradas em memórias familiares e questões sociais e permanece em cartaz até 18 de dezembro, com visitação gratuita

Por Melissa Buarque - estudante de jornalismo
- Atualizado em
Foto: Arthur Pereira
Foto: Arthur Pereira

A Pinacoteca da Ufal abriu, no último sábado (20), a exposição “Memórias do Inconsciente”, do artista alagoano Jhonyson Nobre. A mostra reúne obras atravessadas por memórias, afetos, identidade e questões sociais e permanece em cartaz até 18 de dezembro, com visitação gratuita.

Realizada em parceria com o Sesc/AL, a exposição tem curadoria assinada por Hildênia Oliveira e projeto expográfico de Daniel Cavalcante. A mostra parte de lembranças da infância de Jhonyson em União dos Palmares, no interior de Alagoas, para construir uma narrativa que ultrapassa as experiências pessoais e convida o público a refletir sobre suas próprias memórias e relações familiares.

Durante a abertura, um momento de emoção marcou a noite. Ao agradecer pela realização da exposição, Jhonyson se emocionou e chorou. Sem conseguir continuar a fala, recebeu o abraço da avó, que permaneceu ao seu lado.

A emoção do momento também remete a uma das obras da exposição, “Manifesto Voinha”, que apresenta mãos costurando um bordado de crochê. A obra faz parte do conjunto de trabalhos em que Jhonyson revisita memórias e relações familiares, trazendo para a exposição elementos ligados às suas vivências e afetos. 

Mais do que apresentar lembranças pessoais, “Memórias do Inconsciente” propõe uma reflexão sobre aquilo que guardamos, esquecemos e herdamos, tanto individual quanto coletivamente.

“Quando olho para a minha família e para as transformações que atravessaram essas gerações, encontro também processos que fazem parte da formação do Brasil: o racismo, o colorismo, a miscigenação, os apagamentos e essa ideia de embranquecimento que atravessa muitas famílias negras brasileiras”, explica Jhonyson.

A partir dessas memórias, o artista também questiona os processos de apagamento que atravessam a história da população negra no Brasil e a forma como essas estruturas influenciam a construção das identidades e das narrativas familiares.

“Para mim, é importante trazer novamente para a superfície questões como o projeto de apagamento da população negra no Brasil, o embranquecimento, a miscigenação e as formas pelas quais essas estruturas atravessaram nossas famílias e a maneira como construímos nossas identidades”, afirma.

Visitação

“Memórias do Inconsciente” permanece em cartaz até 18 de dezembro, no salão de exposições da Pinacoteca da Ufal, localizado no Espaço Cultural da Ufal, na Praça Sinimbu, em Maceió.

A visitação é gratuita e acontece de terça a sexta-feira, das 9h às 17h.

Escolas e grupos a partir de 11 pessoas devem realizar agendamento prévio pelo link disponível na bio da Pinacoteca. O limite é de 35 pessoas por grupo.